Relatores querem que Canadá e Santa Sé investiguem valas comuns em escola indígena

Lago Kamloops na Colúmbia Britânica, Canadá, está localizado em terras tradicionais da nação Secwepemc.
Lago Kamloops na Colúmbia Britânica, Canadá, está localizado em terras tradicionais da nação Secwepemc.

Um grupo de relatores de direitos humanos emitiu um comunicado pedindo a instauração imediata de um inquérito sobre a morte de mais de 200 crianças indígenas numa escola no Canadá.

A escola Kamloops Indian foi gerida pela Igreja Católica do fim do século 19 até os anos 60, e foi fechada pelo governo canadense na década de 70.

Comissão

No local, foram descobertos restos mortais de mais de 200 menores indígenas, retirados à força de suas casas para viver no internato localizado no distrito de British Columbia.

O sistema escolar residencial indígena acolheu até 1996 mais de 150 mil crianças em 130 colégios do Canadá, muitos administrados pela Igreja Católica e pelo governo federal.

Em 2015, um relatório publicado pela Comissão de Verdade e Reconciliação do país revelou que as crianças aborígines foram submetidas a abusos, estupros, privadas de alimentos e que pelo menos 4 mil morreram de doenças, acidentes, maus tratos ou negligência enquanto estavam na escola.

Atrocidades

Os relatores instaram as autoridades a realizar investigações sobre as causas, circunstâncias e autoria dessas mortes incluindo com material forense dos restos mortais para que os menores sejam identificados.

Para o grupo, o governo deve fazer o mesmo em todas os internatos indígenas pelo país. E o inquérito penal deve apurar ainda todas as mortes suspeitas e alegações de tortura e violência sexual contra as crianças. Muitos dos autores dos crimes ainda podem estar vivos, segundo os relatores de direitos humanos.

Para eles, está claro que foram cometidas violações em grande escala contra crianças indígenas e tanto o Canadá como a Santa Sé não podem ignorar as atrocidades ocorridas.

O grupo pediu à Igreja Católica que forneça amplo acesso aos arquivos dos internatos e que divulgue o resultado das investigações ao público.

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem pagamento pelo seu trabalho.

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