Racha no DEM leva Rodrigo Maia para Lula e ACM Neto para o extremista Jair Bolsonaro; Eleições 2022 divide campo de oposição ao PT

Rodrigo Maia e ACM Neto se tornaram inimigos políticos.
Rodrigo Maia e ACM Neto se tornaram inimigos políticos.

O partido Democratas (DEM) anunciou a expulsão de Rodrigo Maia após a troca de insultos do deputado fluminense com o presidente da legenda, ACM Neto.

Por unanimidade, a Executiva entendeu que Maia cometeu infração disciplinar.

O deputado rachou com o partido durante a sucessão para comandar a Câmara dos Deputados. O partido, depois de muito desgaste, optou por apoiar Arthur Lira, que segue a liderança do extremista Jair Bolsonaro.

Por ter sido expulso, Rodrigo Maia não perde o mandato. Ele chegou a se referir a Neto como um “baixinho que não tem caráter”.

Em redes sociais, Rodrigo Maia reagiu à expulsão com severa crítica. Ele voltou a se referir a ACM Neto como “Torquemada Neto”, referência ao cruel inquisidor espanhol que levou milhares à morte em fogueira.

“Usando seu poder para tentar calar as merecidas críticas à sua gestão, tomou essa decisão.  É lamentável o caminho imposto pelo Torquemada para o partido”, escreveu Maia.

Sem poupar adjetivos, o deputado se referiu a ACM Neto como uma pessoa desleal e sem caráter. “O partido diminuiu. Virou moeda de troca junto ao governo Bolsonaro”.

“Eu estava lembrando agora, perplexo, que em 2005, o presidente nacional do Democratas, o nosso [Tomás] Torquemada, ameaçou dar uma surra no presidente Lula”, comentou.

“Imagina se ele tinha condições de dar uma surra em alguém, principalmente no presidente da República. Mas isso mostra o caráter, mostra a diferença de origem. A origem dele, o DNA dele, é o fortalecimento pela ditadura.”, concluiu Rodrigo Maia.

Caminhos opostos

Em reportagem, Matheus Pichonelli avalia que a divisão marca caminhos opostos entre Rodrigo Maia e ACM Neto.

Maia e ACM Neto não se bicavam desde a eleição para o comando da Câmara. Maia tentava, sem sucesso, se reeleger.

No posto, tinha se tornado um importante contraponto ao governo Bolsonaro, em que pesem as críticas pela profusão de notas de repúdio, que literalmente não saíam do papel, contra as barbeiragens do presidente.

Com apoio de parte do próprio DEM, Bolsonaro conseguiu emplacar um aliado, Arthur Lira (PP-AL), na presidência da Casa. Lá, ele tem mandado para o espaço os inúmeros pedidos de impeachment contra Bolsonaro e está longe de fazer qualquer contraponto à pauta de costumes do governo.

Maia já disse que ACM Neto, que nos bastidores ajudou a rifá-lo, é o candidato a vice perfeito de Bolsonaro para 2022.

A conferir.

Fora do DEM, Rodrigo Maia perde uma espécie de âncora para dar sequência a um movimento ensaiado e, a essa altura, não tão surpreendente: a aproximação com o campo lulista.

O DEM sempre foi uma pedra no sapato nos governos petistas. Maia, um dos mais promissores quadros da legenda, chegou a acusar o PT de rasgar a Constituição em seu voto até aqui de mágoa pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

O resto é história. Dilma caiu, Michel Temer assumiu, Maia tomou a cadeira de Eduardo Cunha (a quem homenageou em seu voto), o país rachou, com Supremo, com tudo, e nas brechas cresceu o cipoal do bolsonarismo que hoje estrangula quem antes se estapeava.

O inimigo agora é outro, como diria um cineasta igualmente desiludido. E os antigos opostos hoje se atraem.

Segundo a colunista do jornal O Globo Malu Gaspar, Maia teve uma conversa com Lula, semana passada, na sede da prefeitura do Rio, e se ofereceu para ajudar na elaboração do programa de governo petista.

O que era impensável até pouquíssimo tempo hoje é uma alternativa plausível. Lula tem votos mas não tem a confiança do mercado e de setores da sociedade refratários ao PT. Maia tem essas pontes. Mas não tem votos.

Seu futuro político seria incerto caso queira entrar em 2022 em alguma disputa majoritária. No Rio, já largam na frente dele o atual governador, Cláudio Castro, que terá apoio da família Bolsonaro, e Marcelo Freixo, que acaba de trocar o PSOL pelo PSB justamente pensando na ampliação de uma chamada frente ampla pelo governo fluminense.

O encontro com Lula acontece no momento em que o ex-presidente busca, para 2022, um novo José Alencar para chamar de vice.

Maia está em busca de uma nova legenda.

*Com informações do Yahoo Notícias.

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