Ministério da Saúde demite Roberto Dias; Diretor de logística é acusado de cobrar propina no Governo Bolsonaro em esquema de vacinas

Roberto Ferreira Dias, diretor de logística em saúde do Ministério da Saúde do Governo Bolsonaro, é demitido pouco depois de um empresário denunciar cobrança de suborno para a compra de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, em entrevista à Folha de S. Paulo. Ele estava no Ministério da Saúde desde janeiro de 2019.
Roberto Ferreira Dias, diretor de logística em saúde do Ministério da Saúde do Governo Bolsonaro, é demitido pouco depois de um empresário denunciar cobrança de suborno para a compra de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, em entrevista à Folha de S. Paulo. Ele estava no Ministério da Saúde desde janeiro de 2019.

O Ministério da Saúde anunciou na noite desta terça-feira (29/06/2021) a demissão do seu diretor de Logística, Roberto Ferreira Dias.

O motivo da demissão não foi explicitado no curto comunicado do Ministério. O anúncio ocorreu poucas horas depois de Dias ter sido acusado, por um empresário, de cobrar propina, em nome de “um grupo dentro do ministério”, para que o ministério comprasse uma vacina contra a covid-19.

A acusação foi feita na entrevista do empresário Luiz Paulo Dominguetti Pereira ao jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta terça-feira (29). Dominguetti se apresentou como representante de uma empresa vendedora de vacinas, a Davati Medical Supply.

Dominguetti declarou à Folha que Dias pediu um suborno de 1 dólar por cada dose da vacina para que o contrato fosse fechado. “Foi uma coisa muito tenebrosa, muito asquerosa”, resumiu Dominguetti.

Dias está no Ministério da Saúde desde janeiro de 2019, ou seja, desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro. Na época, o ministro da Saúde era Luiz Henrique Mandetta. Dias também já foi indicado por Bolsonaro para chefiar a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), em outubro de 2020, mas a indicação não avançou por causa de denúncias de irregularidades num contrato, assinado por ele, para a compra de kits de testes de covid-19.

A Folha afirmou que Dias foi indicado para o cargo de diretor de Logística pelo líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros, que também foi acusado de envolvimento num esquema de corrupção na compra de vacinas, no caso a indiana Covaxin. Barros, contudo, nega ter indicado Dias.

A entrevista

O encontro entre os dois homens ocorreu em 25 de fevereiro, num jantar num restaurante no Brasília Shopping, na zona central do Distrito Federal, relatou Dominguetti.

Segundo o relato dele, a Davati procurou o Ministério da Saúde brasileiro para negociar 400 milhões de doses da vacina contra a covid-19 da Astrazeneca, ao preço de 3,5 dólares por dose.

Dominguetti contou que Dias afirmou existir um grupo, que só trabalhava dentro do Ministério da Saúde, e que era necessário “compor com esse grupo”.

Diante da negativa do empresário, Dias teria respondido: “Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no ministério tem que ser dessa forma”.

Além de Dominguetti e de Dias, estavam presentes mais duas pessoas no encontro. “E, olha, foi uma coisa estranha porque não estava só eu, estavam ele [Dias] e mais dois. Era um militar do Exército e um empresário lá de Brasília”, disse o empresário.

O representante da Davati salientou ao jornal ter recusado o pedido de suborno feito pelo diretor de Logística, acrescentando que, a partir daí, o Ministério da Saúde não quis avançar com o negócio.

Mais denúncias de corrupção

O governo do presidente Jair Bolsonaro está no meio de denúncias de corrupção na aquisição de vacinas, que começaram na semana passada com as declarações dos irmãos Miranda, o deputado federal Luis Miranda e o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda.

Eles declararam à CPI da Covid e à imprensa que alertaram o presidente da República para possíveis irregularidades no contrato de aquisição da Covaxin pelo Ministério da Saúde.

Luis Ricardo disse ter sofrido pressões incomuns para finalizar os trâmites de compra da vacina, mesmo tendo identificado falhas no processo e apesar de que o pagamento deveria ser feito a uma empresa com sede em Singapura que não constava no contrato da compra.

As denúncias de corrupção na compra de vacinas se tornaram o principal foco da CPI da Pandemia, que investiga a gestão da pandemia pelo governo.

PGR pede ao STF que espere a CPI para avaliar denúncia contra Bolsonaro

A Procuradoria-Geral da República pediu à ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, para aguardar as conclusões da investigação da CPI da Covid sobre a compra da vacina Covaxin antes de decidir sobre a notícia-crime apresentada na segunda por um grupo de senadores contra o presidente Jair Bolsonaro.

No entendimento do vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, é conveniente que o Ministério Público espere os trabalhos da comissão ao invés de instaurar uma investigação concorrente sobre a negociação e a compra da vacina indiana Covaxin.

O parecer da PGR foi enviado ao STF na noite desta terça-feira, 29. “Se o Poder Legislativo está a investigar com excelência comportamentos aparentemente ilícitos com todas as competências necessárias, qual seria o motivo para que no Supremo Tribunal Federal abra uma investigação concorrente, tomada por freios e contrapesos institucionais e sem igual agilidade?”, diz o texto do parecer.

*Com informações do DW e da Revista Veja.

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