IBGE lança 4º volume do ‘Atlas das Representações Literárias de Regiões Brasileiras’; Publicação une geografia à literatura para retratar aspectos do litoral do Brasil

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Capa do 4º volume do 'Atlas das Representações Literárias de Regiões Brasileiras'. Do Rio Grande de São Pedro, no Rio Grande do Sul, até Belém e a foz do Rio Amazonas, a viagem pela costa brasileira pode ser feita nas melhores companhias. Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Ana Miranda, José Lins do Rego e José Cândido de Carvalho, entre outros, emprestam as obras para unir geografia e literatura na publicação IBGE, divulgada nesta sexta-feira (25/06/2021).
Capa do 4º volume do 'Atlas das Representações Literárias de Regiões Brasileiras'. Do Rio Grande de São Pedro, no Rio Grande do Sul, até Belém e a foz do Rio Amazonas, a viagem pela costa brasileira pode ser feita nas melhores companhias. Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Ana Miranda, José Lins do Rego e José Cândido de Carvalho, entre outros, emprestam as obras para unir geografia e literatura na publicação IBGE, divulgada nesta sexta-feira (25/06/2021).

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou nesta sexta-feira (25/06/2021) o quarto volume da série ‘Atlas das Representações Literárias de Regiões Brasileiras’, em um projeto inovador que identifica e caracteriza as regiões geográficas a partir de obras da literatura nacional. Além de trechos dos romances, o Atlas traz fotos, imagens de satélite e mapas em diferentes escalas.

No 4º Volume, Costa brasileira, estão contemplados territórios desde o Rio Grande do Sul até Belém e foz do Rio Amazonas, passando por Santos, Rio de Janeiro, Salvador e Olinda, Recife e a Costa dos engenhos, entre outros.
O atlas contempla grandes autores como Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Dalcídio Jurandir, Ana Miranda, José Lins do Rego, José Cândido de Carvalho, Assis Brasil, Maria Firmina e Lima Barreto, com menção especial a Machado de Assis, no mês de seu 182º aniversário.

Bahia em destaque

A Bahia tem um destaque importante neste 4º Volume do Atlas, com dois capítulos destinados ao estado: “Sul da Bahia” e “Salvador e Recôncavo Baiano”.

A cartografia literária das duas regiões é construída a partir de diversas obras de Jorge Amado, como “Cacau” e “Terras do Sem Fim”, no caso do Sul baiano, e “Capitães da Areia” e “Tenda dos Milagres”, em Salvador e Recôncavo.

Além deles, “Corpo Vivo”, de Adonias Filho, e “Os Magros”, de Euclides Neto, contribuem para a construção do mapa da região Sul do estado. Já “Viva o Povo Brasileiro”, de João Ubaldo Ribeiro, “Boca do Inferno”, de Ana Maria Miranda, e o contemporâneo “Água de Barrela”, lançado em 2018 pela escritora Eliana Alves, entram na composição da área que engloba a capital baiana e um Recôncavo cuja delimitação transcende os limites estritamente territoriais.

Início da coleção literária

O livro dá continuidade à coleção iniciada com Brasil Meridional (2006) e Sertões Brasileiros I e II (2009 e 2016) e que terá ainda um quinto volume, Amazônia, ainda sem data prevista de lançamento. Aos trechos de romances, juntam-se fotos, imagens de satélite e mapas em diferentes escalas para compor cenários de regiões brasileiras que marcaram a trama de grandes obras da literatura nacional.

Costa brasileira contempla regiões constituídas a partir do desembarque de europeus em territórios que se tornaram colônias portuguesas, cuja ocupação foi determinada por interesses estratégicos da Coroa, como a proteção do território e a exploração de riquezas.

Publicação aborda início do processo de ocupação do Brasil

“Este volume é muito importante, porque aborda justamente o início do processo de ocupação do território e como ele se estendeu ao longo tempo. Há cidades que têm sua ocupação desde o período colonial”, comenta a geógrafa que coordena o projeto, Maria Lúcia Vilarinhos. “Nossa linha de costa é extensa e caracteriza-se pela presença de algumas de nossas maiores metrópoles”. O resultado, segundo ela, é uma expressiva produção literária, tanto pelos autores e autoras, mas também pela presença de público crítico e leitor.

Lugar de chegadas e partidas, a Costa também testemunhou um dos processos mais marcantes na constituição da sociedade brasileira – o desembarque de populações africanas que foram violentamente arrancadas de seus territórios de origem para aqui serem escravizadas. A escravidão e seus impactos na formação social brasileira, assim como a presença de grupos de habitantes originais do que hoje é o Brasil, também estão presentes na trama de vários romances nacionais.

“É importante dizer que o livro não é exaustivo no sentido de abordar toda a extensão da Costa brasileira, porque é impossível. E não é exaustivo em relação aos romances, porque é impossível citar toda a produção literária sobre determinadas regiões”, explica Vilarinhos. “Temos um volume bem diversificado, com escritores e obras nacionais muito importantes para se entender o processo de ocupação do território”.

Vilarinhos destaca o papel de Machado de Assis – “nosso autor maior”, fundador da Academia Brasileira de Letras, nascido em 21 de junho de 1839. “O Machado é um brilhante autor porque ele retrata a sociedade em que ele vive, naquele tempo, mas que nos permite entender a sociedade brasileira até hoje”, declara. Não por acaso, o mês em que se completam 182 anos de seu nascimento foi escolhido para o lançamento da Costa brasileira. A homenagem é uma forma de reconhecer a literatura como “instrumento luxuoso, valiosíssimo”, para entender nossa sociedade e nosso território.

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https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv80931_v4.pdf 

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