Em apoio a Belarus, Rússia impede voos vindos da Europa

Presidente da República da Bielo-Rússia, Alexander Lukashenko e Vladimir Putin, presidente da Rússia.
Presidente da República da Bielo-Rússia, Alexander Lukashenko e Vladimir Putin, presidente da Rússia. Após pouso forçado que levou à prisão de blogueiro de oposição, países europeus passaram a evitar espaço aéreo belarusso. Moscou, maior aliado de Minsk, passou a não autorizar aviões que fariam desvios de rota.

A aterrissagem forçada de um avião civil em Minsk, há poucos dias, elevou as tensões entre os países europeus e o governo de Belarus, juntamente com seu maior aliado, a Rússia.

O pouso forçado que resultou na prisão de um blogueiro belarusso de oposição, levou a União Europeia (UE) a impor novas sanções a Belarus e a alertar as empresas aéreas do bloco a evitar o espaço aéreo do país. Algumas delas até suspenderam rotas com destino a Minsk e outras cidades.

Em uma aparente represália às reações do Ocidente, as autoridades russas começaram a recusar as permissões que as aeronaves europeias precisam para entrar no país, levando à suspensão de alguns voos cujas rotas seriam desviadas para evitar o espaço aéreo belarusso.

Nesta quinta-feira (27/05/2021), as empresas aéreas Air France e Austrian Airlines informaram que não receberam permissão da Rússia para voos de rotina que partiriam rumo ao país.

A Austrian Airlines cancelou um voo de transporte de cargas entre Viena e Moscou, que estava listado como cancelado no aeroporto de Domodedovo. Uma porta-voz da empresa afirmou à agência de notícias russa Interfax que as autoridades negaram a permissão.

No mesmo dia, a Air France informou que mais um de seus voos Paris-Moscou foi cancelado, após as autoridades russas não aprovarem o plano de voo que evitaria o espaço aéreo belarusso.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, negou envolvimento do governo na decisão de não conceder permissão aos voos. “A administração presidencial não está encarregada do controle de tráfego aéreo”. Recomendamos que levem essa questão às nossas autoridades de aviação”, afirmou.

Também nesta quinta-feira, a companhia aérea belarussa Belavia cancelou voos para 8 países europeus devido a “proibições de voo em diversos países”. O anúncio surgiu após a Polônia, que faz fronteira com Belarus, se juntar a um grupo de países que proibiram o sobrevoo de aviões da empresa.

“Lamentamos informar que nossos passageiros devem passar por essa situação por motivos que vão além do controle da empresa”, disse a Belavia, em nota. A companhia suspendeu até o final de outubro os voos para Amsterdã, Barcelona, Berlim, Bruxelas, Frankfurt, Hanôver, Kaliningrado, Milão, Munique, Roma, Viena e Varsóvia.

Pouso forçado

Ativistas e governos ocidentais acreditam que o avião foi forçado a pousar em Minsk para que as autoridades pudessem retirar da aeronave o blogueiro e crítico do regime Roman Protasevich  e sua parceira . Ambos foram presos.

Com a ajuda de um caça, Belarus forçou o avião da Ryanair a fazer a escala. O voo, que no momento atravessava o espaço aéreo belarusso, fazia a rota de Atenas a Vilnius, na Lituânia, onde Protasevich vive como exilado.

Em pronunciamento no Parlamento belarusso, o presidente Alexander Lukashenko disse que agiu dentro da lei e acusou o Ocidente de lançar uma “guerra híbrida moderna” contra Minsk. “Agi em conformidade com a lei na defesa das pessoas, de acordo com todas as normas internacionais”, garantiu Lukashenko, que alegou que havia uma ameaça de bomba no voo da Ryanair.

A declaração contrasta com outra feita anteriormente pelo Ministério dos Transportes do país, que afirmava que uma ameaça havia sido feita por membros do grupo islamista Hamas, que negou envolvimento.

“Eles estão à procura de novas vulnerabilidades e isto não se dirige apenas contra nós. Para eles, somos um campo de teste antes de se lançarem ao Oriente”, afirmou o presidente, insinuando que o próximo alvo será a Rússia.

Lukashenko também sugeriu que os críticos do seu regime deveriam ter ficado gratos por ele não ter ordenado que o avião fosse derrubado enquanto voava perto de uma usina nuclear.

Lukashenko assegurou que as alegações de que o avião foi obrigado a aterrissar por um caça são “mentira total”. Segundo ele, a missão do caça era garantir as comunicações e acompanhar o avião no caso de uma situação crítica até a aterrissagem.

EUA anunciam sanções contra Belarus por desvio de voo para prender oposicionista

Os Estados Unidos anunciaram que vão impor uma série de sanções contra Belarus após o desvio de um avião da Ryanair no domingo e a prisão de um opositor que estava no voo.

Além das medidas já anunciadas nas últimas semanas, a Casa Branca disse em nota divulgada nesta sexta-feira (28/05/2021) que está elaborando com a União Europeia “uma lista de sanções direcionadas contra membros-chave do regime de (Alexander) Lukashenko”.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, classificou como “um desafio direto aos padrões internacionais” o que disse ser um “desvio forçado por Belarus, sob falsos pretextos, de um voo comercial da Ryanair que circulava entre dois Estados membros da União Europeia” e a prisão do jornalista Roman Protasevich.

Sanções econômicas contra nove empresas estatais bielorrussas, impostas novamente em abril após a repressão aos manifestantes pró-democracia, entrarão em vigor em 3 de junho.

Após as disputadas eleições de 2006, Washington proibiu todas as transações com essas empresas. Posteriormente, o Departamento do Tesouro dos EUA suspendeu essas sanções em 2015, saudando alguns avanços, mas o governo dos EUA avisou no final de março que a suspensão não poderia ser renovada no próximo prazo.

A Casa Branca também emitiu um alerta desaconselhando seus cidadãos a viajarem a Belarus e alertou os aviões americanos a “terem extrema cautela” ao considerarem sobrevoar o espaço aéreo de Belarus.

Além disso, confirmou que o Departamento de Justiça, incluindo o FBI, está investigando o incidente, em cooperação com seus homólogos europeus.

UE estuda novas medidas

A União Europeia, por sua vez, está estudando a possibilidade de novas sanções contra Belarus, que podem ter como alvo as exportações de potássio e o trânsito do gás russo, duas importantes fontes de receita para o país, informou nesta quinta-feira o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell.

Bruxelas pediu às companhias aéreas que evitem Belarus.

Ativistas e governos ocidentais acreditam que o avião foi forçado a pousar em Minsk para que as autoridades pudessem retirar da aeronave o blogueiro e crítico do regime Roman Protasevich e sua parceira.

O incidente levou a UE a impor novas sanções contra Belarus e a alertar as empresas aéreas do bloco a evitar o espaço aéreo do país. Diversas companhias suspenderam rotas com destino a Minsk e outras cidades.

Resposta russa

Em uma aparente represália às reações do Ocidente, as autoridades russas começaram a recusar as permissões que as aeronaves europeias precisam para entrar no país, levando à suspensão de alguns voos cujas rotas seriam desviadas para evitar o espaço aéreo belarusso.

Durante encontro com Lukashenko na Rússia, o presidente russo, Vladimir Putin, expressou apoio ao líder belarusso afirmando ter sido “exagerada” que a reação “emotiva” das autoridades ocidentais ao ocorrido. Putin disse ainda que Belarus e a Rússia se empenham em construir uma “união”. Putin é tido como um último aliado do chamado “último ditador da Europa”.

*Com informações do DW.

Air France teve cancelado voos da rota Paris-Moscou que deviariam de Belarus.
Air France teve cancelado voos da rota Paris-Moscou que deviariam de Belarus.
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