CEPAL e OIT avaliam o impacto da crise de 2020 nos mercados de trabalho da América Latina e Caribe; Contração no PIB regional foi de 7,1%

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Comércio de rua de Pelotas, no Rio Grande do Sul, durante lockdown. Os maiores impactos os mercados de trabalho da América Latina e Caribe foram observados no segundo trimestre de 2020.
Comércio de rua de Pelotas, no Rio Grande do Sul, durante lockdown. Os maiores impactos os mercados de trabalho da América Latina e Caribe foram observados no segundo trimestre de 2020.

Em 2020, o PIB regional registrou uma contração de -7,1%, a maior do último século, que, por sua vez, gerou uma queda no emprego e um aumento na taxa de desocupação. A última atingiu 10,5% em média no ano passado, indicam a CEPAL e a OIT em novo estudo divulgado hoje.

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançaram, nesta segunda-feira (14/06/2021), a edição Nº 24 da sua publicação conjunta Conjuntura Laboral na América Latina e no Caribe, na qual analisam o efeito da crise provocada pela COVID-19 nos principais indicadores do mercado de trabalho em 2020.

De acordo com o documento, os maiores impactos foram observados no segundo trimestre do ano passado, quando foram implementadas as medidas de confinamento e de contenção da pandemia. Essas medidas produziram uma queda acentuada da atividade econômica, do emprego e das horas de trabalho. Muitos trabalhadores, principalmente os informais, não puderam dar continuidade ao seu trabalho produtivo e tiveram que se retirar do mercado, o que os impediu de gerar renda para suas famílias e de atuar de forma contra cíclica como nas crises anteriores. Da mesma forma, o fechamento de serviços cuidados e das escolas implicou em uma carga de trabalho pesada dentro das residências, que em geral se distribui de forma desigual, sobrecarregando principalmente as mulheres.

A partir do terceiro trimestre do ano, observa-se o retorno dos trabalhadores ao mercado de trabalho e o aumento gradativo do emprego. No entanto, o ano de 2020 terminou com níveis mais baixos de participação e emprego e níveis mais altos de desemprego em comparação com os observados antes da pandemia.

“Dada a profundidade do impacto da crise de 2020 nos mercados de trabalho da região, os países devem implementar políticas que estimulem a criação de empregos, especialmente nos grupos mais vulneráveis como jovens e mulheres”, disse a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, e o diretor-regional da OIT para a América Latina e Caribe, Vinícius Pinheiro, no prefácio do documento. Os dois diretores também destacaram a importância de regulamentar novas formas de contratação por meio de plataformas digitais.

Setores mais afetados

Segundo o relatório, a contração do emprego em 2020 foi muito mais forte em setores como a hotelaria (19,2%), construção (11,7%), comércio (10,8%) e transportes (9,2%), que juntos representam cerca de 40% do emprego regional. Por sua vez, a indústria (8,6%) e outros serviços (7,5%) também registraram retrações, enquanto na agricultura a perda de empregos foi comparativamente menor (2,4%).

Melhores condições

Ambas as agências das Nações Unidas enfatizam que é fundamental pensar em estratégias que permitam lançar as bases para um retorno com melhores condições de trabalho para todos os trabalhadores. Isto implica apoiar a recuperação do emprego nas categorias e setores mais altamente afetados, melhorar os aspectos institucionais relacionados com a saúde e segurança no trabalho, a formalização dos trabalhadores, a promoção da inclusão laboral das mulheres e a regulamentação adequada das novas modalidades de trabalho.

Precarização no ambiente digital

Nesta edição do estudo Conjuntura Laboral na América Latina e no Caribe, a CEPAL e a OIT também examinam os principais aspectos do trabalho decente para os trabalhadores mediado por plataformas digitais. Durante a pandemia, esses trabalhadores foram uma fonte de emprego muito importante devido à necessidade de reduzir os contatos pessoais e manter a distribuição de bens essenciais. No entanto, a evidência sugere que existe uma alta precarização deste tipo de trabalho caracterizado pela instabilidade, por longas jornadas de trabalho, pela ausência de proteção sócio-laboral e pela falta de opções de diálogo e representação.

O relatório destaca a necessidade de desenhar marcos regulatórios adequados para cumprir o objetivo de estabelecer e proteger os direitos sociais e trabalhistas para essas novas formas de trabalho em expansão

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