Caso Braskem: MPF lança documentário ‘Cidade Rachada’; Filme aborda afundamento de bairros em Maceió e atuação do órgão

Documentário 'Cidade Rachada' é lançado pelo MPF. Filme conta história de moradores do maior desastre socioambiental em curso no Brasil, ocorrido em Maceió, capital de Alagoas. 
Documentário 'Cidade Rachada' é lançado pelo MPF. Filme conta história de moradores do maior desastre socioambiental em curso no Brasil, ocorrido em Maceió, capital de Alagoas. 

Fissuras e rachaduras que aparentemente surgiram após fortes chuvas e tremores de terra em bairros de Maceió, em Alagoas, carregaram sonhos e mexeram com a vida de, pelo menos, 40 mil pessoas até o fechamento do documentário Cidade Rachada, que vai ao ar nesta quinta-feira (03/06/2021), às 20h30, pela TV Justiça. O filme de 30 minutos, lançado pelo Ministério Público Federal (MPF), retrata o trabalho do órgão e o drama vivido por moradores dos bairros de Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e, mais recentemente, Farol.

Na verdade, as rachaduras e os tremores que tiveram início em março de 2018 foram causados pelo afundamento gradual da superfície de parte da cidade, devido à extração de sal-gema realizada no subsolo da capital alagoana pela petroquímica Braskem, ao longo de 50 anos. No filme, geólogos explicam que foram realizados diversos estudos e pesquisas até que se encontrassem as razões para o fenômeno.

O documentário é resultado de parte do trabalho realizado pela força-tarefa Pinheiro, que inicialmente recebeu este nome devido ao primeiro bairro atingido pelo tremor de terra em Maceió. A FT do MPF está na linha de frente da investigação na primeira instância da Justiça Federal de Alagoas e é formada pelas procuradoras da República: Júlia Cadete, Juliana Câmara, Niedja Kaspary e Roberta Bomfim. Já integraram a força-tarefa as procuradoras Cinara Bueno e Raquel Teixeira.

Dano ambiental dinâmico – No filme, a força-tarefa relembra como a história começou e as dificuldades vividas para atuar num caso tão complexo e com um dano ambiental que é dinâmico. São ações civis públicas para indenização aos moradores (patrimoniais e morais), responsabilização da empresa por danos ambientais, estudo em todas as minas e plano de fechamento dos poços.

“Aqui nesses bairros nós estamos tendo a oportunidade de evitar uma tragédia da perda de vidas. Quando a gente vê essa desocupação aqui e vê o bairro fantasma, significa dizer que essas pessoas pelos menos não estão aqui para ver a morte chegar como estiveram em Brumadinho, como estiveram em Mariana… Nós tivemos a chance de agir preventivamente”, destaca uma das integrantes da FT Pinheiro.

O documentário traz imagens e depoimentos de moradores de alguns bairros atingidos. “A minha vida desmoronou. Estou com síndrome do pânico, estou com fobia”, relata Sônia Lisboa, uma das 5 mil pessoas que já teve que abandonar sua casa. “Depois de 30 anos num lugar, é muito difícil, porque é uma vida aqui”, conta emocionado José Paulo da Silva.

Ainda participam do documentário representantes da Agência Nacional de Mineração (AMN), da Defesa Civil de Maceió e da Defensoria Pública da União (DPU).

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