Sucessão federal e nos estados | Por Joaci Góes

Jaques Wagner e ACM Neto devem protagonizar disputa, em 2022, ao governo da Bahia, repetindo disputa histórica entre esquerda e direita, Partido dos Trabalhadores e Democratas.
Jaques Wagner e ACM Neto devem protagonizar disputa, em 2022, ao governo da Bahia, repetindo disputa histórica entre esquerda e direita, Partido dos Trabalhadores e Democratas.

Ao prezado amigo Carlos Oliveira, o Tatao!

O filósofo alemão Emanuel Kant (1724-1804), que nasceu, viveu e morreu, aos quase oitenta anos, na pequena Konigsberg, sem dela nunca ter saído,  disse que o homem está condenado a nunca se libertar das paixões políticas e religiosas, lição que a experiência histórica chancela, a exemplo do interesse precocemente suscitado pelas ainda distantes eleições gerais de 2022, no Brasil, apesar de nos encontrarmos imersos no inferno dos estragos produzidos pela mais extensa pandemia de todos os tempos, do ponto de vista geográfico.

Sabemos que o acendrado empenho para não confundirmos o que vemos com o que desejamos não é suficiente para nos imunizarmos contra erros de predição, sobretudo no resvaladiço campo da política que, à semelhança das nuvens, muda de formatação a cada momento, conforme a conhecida comparação do político paulista Antônio Carlos Andrada (1773-1845), equivocadamente atribuída ao político mineiro Magalhães Pinto (1909-1996).

Na perspectiva de hoje, desenha-se um cenário de uma disputa presidencial, a ser polarizada por três correntes de opinião, duas das quais com seus representantes definidos, o ex-presidente Lula e o Presidente Bolsonaro, estando a formação do terceiro polo dependente da união de forças ora fracionadas em vários potenciais representantes, os mais notórios dos quais são, pela ordem em que aparecem nas pesquisas de opinião, o ex-magistrado Sérgio Moro, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes, o apresentador de TV Luciano Huck, o governador de São Paulo João Dória, e outros menos votados. As análises apontam uma probabilidade muito alta de que as eleições presidenciais, mais do que as anteriores, sejam resolvidas em dois turnos, havendo um quase consenso sobre o desfecho final, em função dos nomes que chegarem ao segundo turno. Se a disputa final se der entre Lula e Bolsonaro, o atual Presidente vencerá; se for entre Lula e o candidato da terceira via, esta vencerá com o apoio dos eleitores de Bolsonaro; se a disputa for entre Bolsonaro e a terceira via, esta, mais uma vez, vencerá, agora, com o apoio do PT. Bolsonaro se reelegerá se o seu adversário for o ex-presidente Lula; a terceira via será a escolhida, seja quem for o seu adversário. Ou seja: se as forças fragmentárias não se unirem em torno de um nome respeitável, Bolsonaro comandará o País por mais um mandato. Em síntese, Lula perderá seja qual for o seu adversário, no turno derradeiro, vitimado pelo assalto que liderou contra o Erário, o maior no tempo e na geografia. É cada vez maior a associação de sua imagem ao de um grande iceberg derretendo sob a luz solar.

As eleições nos estados dependem, como nunca, do modo como evolua o processo federal, a exemplo da Bahia, onde, a posição de rompimento de ACM Neto com o Presidente da República assegura que o candidato do PT, aparentemente, o Senador Jaques Wagner, o politico mais vitorioso da história da Bahia, em eleições populares, tem praticamente, assegurada a liderança no primeiro turno, ficando o seu desempenho final, condicionado, em grande medida, ao curso das eleições nacionais.

A posição de ACM Neto, ao dividir com o candidato de Bolsonaro, na Bahia, um eleitorado que, até então, era exclusivamente, seu, no primeiro turno, não pode ser, simplesmente, considerado um ato, politicamente, suicida. Diante da dificuldade por todos reconhecida de encontrar-se um nome capaz de aglutinar as forças fragmentárias para compor a terceira via, o próprio Neto reúne as condições para vir a ser esse nome. O reconhecimento da grande administração que realizou em Salvador, através da vitória retumbante de Bruno Reis, a par do seu desempenho na política nacional, como presidente do DEM, a sigla partidária que mais cresceu nas últimas eleições, além da articulação vitoriosa das duas últimas mesas do Congresso Nacional, faz dele destinatário da confiança do Centrão.

O risco de que nada disso dê certo não é de grande monta para quem, como ACM Neto, tem muitos anos pela frente. Certo é que intensas emoções nos aguardam nesta permanente e apaixonante roleta russa que é a política eleitoral.

*Joaci Fonseca de Góes, advogado, jornalista, empresário e ex-deputado federal constituinte.

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