Secretária de Enfrentamento à Covid-19 deixa Ministério da Saúde dez dias depois de ser anunciada; Médica era crítica dos negacionistas do Governo Bolsonaro

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Pasta não detalha motivo da saída da infectologista Luana Araújo. No dia 12 de maio, ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que ela comandaria Secretaria de Enfrentamento à Covid-19.
A infectologista Luana Araújo (esq.) anunciada há dez dias para secretaria da Covid -19 não exercerá mais função no Ministério da Saúde. Médica era crítica dos negacionistas do Governo Bolsonarista.

A secretária de Enfrentamento à Covid-19, Luana Araújo, deixou o Ministério da Saúde dez dias após ser anunciada. De acordo com nota oficial, a pasta está em busca de outro nome de perfil técnico e com base em evidências científicas. A médica era severa crítica do negacionismo do Governo Bolsonaro.

“O Ministério da Saúde informa que a médica infectologista Luana Araújo, anunciada para o cargo de secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, não exercerá a função. A pasta busca por outro nome com perfil profissional semelhante: técnico e baseado em evidências científicas. A pasta agradece à profissional pelos serviços prestados e deseja sucesso na sua trajetória” — diz a nota.

Araújo havia sido anunciada para o cargo no dia 12 de maio de 2021 pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Ela é formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pós graduada em epidemiologia na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

No dia em que ela foi anunciada, o Jornal O Gloco mostrou que a infectologista tinha feito manifestações contrárias ao uso de cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina no tratamento contra a doença, inclusive em pacientes com sintomas leves.

No Twitter, ela afirmou que se tratava de “neocurandeirismo” e destacou o “Brasil na vanguarda da estupidez mundial” ao comentar uma postagem de apoio ao uso da hidroxicloroquina na rede social. Depois da publicação da reportagem, a médica apagou sua conta na rede social.

Os remédios, sem eficácia comprovada para a Covid-19, são defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro e por integrantes do governo como parte do chamado “tratamento precoce” e constam, inclusive, de orientação da pasta para o atendimento aos doentes, baixada pelo ex-ministro Eduardo Pazuello no ano passado.

A postagem que havia originado os comentários de Araújo é uma nota da Associação Médica Brasileira, de julho do ano passado, defendendo a autonomia do médico em prescrever a hidroxicloroquina. Em meio a mensagens de internautas parabenizando e criticando a entidade, a médica escreveu: “Neocurandeirismo. Iluminismo às avessas. Brasil na vanguarda da estupidez mundial”.

Na sequência de comentários no Twitter, ao responder a um perfil que hoje aparece como suspenso na rede social, Araújo destacou, usando a sigla HCQ para hidroxicloroquina: “Feliz por você, mas não há qualquer evidência a favor (e muita contrária) à eficiência da HCQ. Seus pacientes devem ter se recuperado em função da competência de suporte de vocês, aliada à história da doença. Nada de pseudoterapia”.

*Com informações de Gabriel Shinohara e Renata Marizsá, do Yahoo Notícias.

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