Requerimento encaminhado ao Corregedor da PM da Bahia cobra apuração do assassinato do empresário João de Souza Paraíso Filho ocorrido em Olindina; Suspeita envolve policiais militares

Petição dirigida ao Corregedor-Geral da PM da Bahia cobra abertura de inquérito administrativo, objetivando apuração do assassinato do empresário João de Souza Paraíso Filho ocorrido em Olindina.
Petição dirigida ao Corregedor-Geral da PM da Bahia cobra abertura de inquérito administrativo, objetivando apuração do assassinato do empresário João de Souza Paraíso Filho ocorrido em Olindina.

Os advogados Fernando Oliveira e Germano Leal Junior enviaram, nesta segunda-feira (17/05/2021), petição ao Corregedor-Geral da Polícia da Militar da Bahia (PM BA), coronel Manoel Amâncio de Souza Neto, requerendo investigação administrativa sobre possível envolvimento de policiais militares no assassinato do empresário João de Souza Paraíso Filho. O fuzilamento do comerciante ocorreu no dia 5 de maio de 2021 (quarta-feira), na própria residência da vítima, na cidade de Olindina.

Eles pedem, também, que sejam procedidas designação de data para oitiva das testemunhas, perícia no endereço residencial da vítima e nas armas dos policiais que se encontravam na viatura e na residência de João de Souza, requisição das imagens de câmera de estabelecimento comercial, situado em imóvel vizinho à residência da vítima e, por fim, oitiva dos policiais possivelmente envolvidos.

Tio é acionado

Conforme representação, às 02h46min, de 5 de maio de 2021, João de Souza, filho de família tradicional do município de Olindina, foi brutalmente fuzilado na garagem da própria residência, localizada no Centro de Olindina. No local, estava uma guarnição da Polícia Militar da Bahia, que fazia diligências na região central da cidade.

Na sequência, um vizinho de prenome Wilson ligou para Ivanildo Barros Góes, tio da enfermeira Yanna Fernanda Barros Góes, viúva de João de Souza, e informou que tinha acontecido algo com João de Souza, na residência onde o casal morava.

Ao chegar na residência da vítima, policiais que se encontravam no local deram acesso à Ivanildo Barros ao imóvel e, neste momento, ele presenciou João de Souza sem vida, com o corpo no chão, tendo os policiais ao lado.

“Entende-se que os policiais que se encontravam no momento é quem estavam dando ordens na residência da vítima, sobre quem adentrava e quem não adentrava”, relataram os advogados.

Enquanto estes fatos ocorriam, o filho da vítima, menor, com 6 anos de idade, se encontrava no interior da residência, dormindo. Horas depois, a criança foi retirada da residência pelo tio e levada para residência da avó Maria Ivana Barros Góes.

Uma segunda pessoa é notificada

Além de Ivanildo Barros, Wilson manteve contato com Maria Jovanildes Fonseca Paraíso. Mas, ao se dirigir à residência da vítima, um dos policiais de prenome Rabelo não permitiu o ingresso da mesma. Ela ficou em frente ao imóvel por um tempo e depois foi conduzida à casa de um morador vizinho.

Metralhado em casa

Ao informar que João de Souza Paraíso Filho foi metralhado com 7 tiros, os advogados declaram que não existiam elementos que indicassem reação da vítima, antes dos disparos que sofrerá.

“Os autores deste crime que culminou na morte da vítima, sendo policiais militares e aptos a utilizar armas de fogo, tem plena ciência que só deveria utilizar estas em situações estritamente necessárias, o que não se verifica no caso em questão, uma vez que a vítima João de Souza Paraíso Filho não apresentava qualquer ameaça ou risco a alguém, sendo pessoa idônea, que não tem processos criminais vinculados em seu desfavor e que nunca respondeu a qualquer inquérito policial.” Informaram.

“A vítima era apenas um trabalhador, pai de família, respeitado na cidade em que vivia e que se encontrava naquela noite em sua residência na companhia de seu filho de 06 anos de idade, completando no próximo mês. Os policiais militares autores assumiram o risco de matar a vítima desferindo disparos contra esta, tirando-lhe a vida, sem possibilitar que se defendesse, assumindo uma conduta desproporcional à motivação”, destacaram.

Repercussão na sociedade e na imprensa

Os advogados explicam que os fatos narrados representam um “crime de alta repercussão nacional, gerando a revolta da população da cidade de Olindina, tendo sido publicado no Jornal de grande circulação, A Tarde, no dia 9 de maio de 2021 com o título  ‘Olindina, uma cidade abalada com a morte violenta de João’, sendo publicado o seguinte:

— Olindina, município de 30 mil habitantes, na região de Inhambupe, nordeste baiano, vive um final de semana de alto inferno-astral. No meio da noite de quarta para quinta João Souza Paraíso Filho, filho de família tradicional, bancário a serviço de bancos paulistas no home office, figura conhecida e querida, vezes empresário ficha-limpa, foi fuzilado na garagem de casa por uma guarnição da PM.

— O choque: isso aconteceu com pessoa idônea, conhecida, com uma casa bem no centro da cidade, na área mais valorizada. A versão da PM não convence: diz que ele, João recebeu a guarnição armado, a bala. A versão mais aceita: os policiais, novos, não conheciam o dito-cujo.

—  A questão é que João estava só em casa com o filho de 6 anos. A mulher havia saído para ajudar uma parenta no hospital. E a vítima era pessoa de conduta acima de qualquer suspeita, como gente e como cidadão.”

Outro veículo a narra o crime foi o Blog do jornalista Levi Vasconcelos, cuja notícia no dia 10 de maio de 2021, destacou: “Olindina: morte violenta abala a cidade. Vítima era pessoa de conduta acima de qualquer suspeita, como gente e como cidadão”.

No blog ‘Compartilha Bahia’, datado de 10 de maio de 2021, foi informado que a “família pede Justiça após a morte de João Souza Paraiso Filho em Olindina (BA)”.

Apuração estatal necessária

“Diante da revoltante situação da população da cidade de Olindina, que foi exposta a vítima João de Souza Paraíso Filho e sua família, insurge-se este veementemente à necessária intervenção estatal, para que sejam apuradas as responsabilidades sobre o delito ocorrido”, protestaram os causídicos.

Perfil da vítima

Segundo levantamento realizado pelos juristas, “a vítima era pessoa idônea, sem antecedentes criminais, exercia a atividade de analista de sistema, prestava serviço a bancos paulistas em sistema de home-office, era uma figura conhecida e querida, empresário ficha-limpa, e que teve a vida ceifada por guarnição da Polícia Militar que lhe desferiu disparos com arma de fogo, não havendo qualquer justificativa para tal ação policial, uma vez que a vítima se encontrava no interior de sua residência, mais precisamente em sua garagem”.

Sobre Carlos Augusto 9717 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).