Neoliberalismo de Bolsonaro na corda bamba | Por Clóvis Roberto Zimmermann

Política neoliberal do Governo Bolsonaro fracassa ao promover retrocesso socioeconômico do Brasil e resulta na perda de popularidade do mandatário.
Política neoliberal do Governo Bolsonaro fracassa ao promover retrocesso socioeconômico do Brasil e resulta na perda de popularidade do mandatário.

É amplamente conhecida a tese de Paul Pierson, professor de Ciência Política da Universidade da Califórnia em Berkeley nos EUA. Esse autor foi quem mais questionou essa tese da eficácia do corte dos gastos sociais, demonstrando ser natural que políticos tenham grande preocupação em evitar a realização de investimentos em políticas impopulares, especialmente a diminuição dos investimentos sociais. A tentativa de desmantelamento do Estado Social teria provocado uma reação contrária por parte das instituições e o surgimento de um eleitorado expressivo e defensor dos programas sociais. Paul Pierson comprova que os governos de Thatcher e Reagan fracassaram nas suas campanhas dirigidas contra os investimentos do setor público. Argumenta que o foco do desmantelamento é limitado e indiferenciado, concluindo que o neoliberalismo é um fracasso do ponto de vista da aceitação popular.

A pesquisa de opinião pública realizada pelo instituto de Pesquisa Data Folha divulgada em 12/05/2021 mostra uma queda de popularidade de Jair Bolsonaro. A razões que se pode atribuir ao derretimento da aceitação desse governo podem ser atribuídas ao insucesso de sua proposta neoliberal, qual seja, da escassa ou inexistente intervenção do Estado na área social e em problemas latentes, quais sejam:

  1. Bolsonaro e sua política diminuta da intervenção do Estado na área da saúde, vide negacionismo na pandemia, apresenta claros sinais de fracasso. Nossos dados de pessoas mortas em virtude da falta de intervenção mais ativa do Estado por si só é repugnante, sem contar a falta de qualquer ideia de superação dos problemas decorrentes da pandemia. Na economia, comparado com os Estados Unidos, o governo não apresentou nenhuma proposta de recuperação econômica. Na área da educação são apenas apresentados cortes de gastos, sendo esse governo sem proposta e sem qualquer ideia de como melhorar nossos indicadores de educação. Ou seja, trata-se de um governo classicamente neoliberal, deixando o país ao acaso.

Isso tudo explica os altos índices de popularidade do ex-presidente Lula. Os governos do PT foram ancorados na proposta de uma maior intervenção do Estado na economia e sociedade e por isso apresentam uma taxa de aprovação muito maior da população do que as políticas neoliberais de corte de gastos e da diminuição do tamanho do Estado.

Em síntese, o neoliberalismo tende a apresentar fracassos sociais, econômicos e eleitorais e por isso é muito pouco usado na grande maioria dos países mais industrializados e “ricos” do mundo ocidental. Aqui na América Latina e no Brasil persistem suas ideias, mas ao que tudo indica, sua aplicabilidade está cada vez mais impopular.

*Clóvis Roberto Zimmermann ([email protected]), doutor em Sociologia pela Universidade de Heidelberg, Alemanha e Professor Adjunto de Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Sobre Clóvis Roberto Zimmermann 17 Artigos
O pesquisador Clóvis Roberto Zimmermann é doutor em Sociologia pela Universidade Heidelberg (Ruprecht-Karls) (2004), possui graduação em Teologia pela Universidade de Heidelberg (Ruprecht-Karls) (1996); é professor adjunto do curso de Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), coordenador da pós-graduação em Ciências Sociais da UFBA e é professor do programa de doutorado em Sociologia da UFBA; tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Políticas Sociais, atuando, principalmente, nos seguintes temas: teoria das políticas sociais, participação popular e direitos humanos. *E-mail: [email protected]