Manejo florestal sustentável pode tirar milhões da pobreza no pós-pandemia, diz estudo da ONU

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Mais 34,3 milhões de pessoas podem ter caído na pobreza extrema em 2020. Manejo florestal sustentável é considerado um meio para construir economias e sociedades resilientes.
Análise, encomendada pela ONU, prevê economias e sociedades resilientes com captura de recursos naturais sem danificar o meio ambiente; especialista participante no Fórum das Nações Unidas sobre Florestas revelou que sessões fazem análises mais aprofundadas sobre efeitos da Covid-19 e setor das florestas.

Um estudo das Nações Unidas recomenda que soluções de base florestal sejam levadas em conta para a recuperação global da pandemia. O trabalho foi apresentado na 16ª. reunião do Fórum sobre Florestas, que decorre até sexta-feira.

A especialista em florestas do Departamento Econômico e Social da ONU, Desa, Barbara Tavora-Jainchill, disse à ONU News que todos os Estados-membros veem os efeitos da pandemia como um ponto relevante na definição de políticas na área florestal.

Resultados

“Esse estudo que foi pedido à secretaria do fórum pelos membros na 15ª Sessão, no ano passado, é de âmbito mundial e está sendo divulgado durante esta nossa reunião. Os resultados têm sido considerados como muito importantes e significativos. Provavelmente, esse estudo será continuado a fim de dar resultados mais pormenorizados durante a nossa 17ª sessão no ano que vem.”

O relatório Florestas: no centro de uma recuperação verde da pandemia Covid-19 recomenda os países a considerar ações em níveis nacional e internacional promovendo um manejo florestal sustentável.

Essa retoma do impulso nas economias teria como base a implementação do Plano Estratégico para Florestas 2030 e o alcance das metas da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável.

O estudo defende programas de recuperação pós-pandemia para melhorar os meios de subsistência e construir resiliência de pessoas que dependem da floresta para sobreviver, povos indígenas e outras comunidades.

Reflorestamento

Uma parte dessas ações seria conter o desmatamento, prevenir a degradação florestal e aumentar a área florestal por meio de investimentos em empregos relacionados à silvicultura. Os pacotes de estímulo à recuperação econômica devem priorizar atividades como reflorestamento, conservação, proteção de bacias hidrográficas,  agrossilvicultura e silvicultura urbana.

Outra medida seria melhorar a aplicação da lei florestal e dos sistemas de governança, inclusive por meio do fortalecimento autoridades florestais e reforço do combate à extração ilegal de madeira e do comércio ilegal da vida selvagem.

O estudo recomenda ainda o estímulo à produção de estatísticas oficiais desagregadas sobre o estatuto de florestas, incluindo pesquisas e análises do impacto da pandemia sobre avanços no manejo florestal sustentável.

Pobreza

De acordo com a ONU, os efeitos da pandemia aumentarão a pobreza global. Com a perda de empregos e rendimentos mais 34,3 milhões de pessoas que podem ter caído na pobreza extrema no ano passado. Na pior das hipóteses, mais 160 milhões de pessoas podem enfrentar a situação até 2030.

O manejo florestal sustentável é considerado um meio para tirar milhões da pobreza e construir economias e sociedades resilientes “que podem resistir a pandemias, mudanças climáticas e outros desafios globais”.

Cerca de 2,4 bilhões de pessoas dependem da madeira para atender às suas necessidades básicas. O número equivale a terço da população mundial que usa estes recursos para ter energia, cozinha e aquecer suas casas.

Barreira

O uso de madeira como combustível, que inclui lenha e carvão vegetal, continua sendo uma das formas de aquisição de fontes de energia acessíveis para pessoas afetadas por desastres naturais e crises humanitárias.

Neste cenário, cerca de 2,2 bilhões de pessoas têm acesso limitado à água potável que além de uma barreira no uso de um recurso básico torna ineficaz a aplicação de medidas de prevenção da Covid-19.

As florestas são parte integrante do ciclo global da água. Por meio delas é possível ter acesso a três quartos da água doce do planeta através de bacias hidrográficas nas matas.

*Com informações da ONU News.

Sobre Carlos Augusto 9668 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).