Gestão do ministro Ernesto Araujo pediu retirada de elogios à OMS de documento, mas foi ignorado pela ONU

Pedido de mudanças aconteceu durante a gestão de Ernesto Araujo no Ministério das Relações Exteriores. Órgão queria exclusão de elogios à OMS e de menções a direitos sexuais. Assembleia Geral da ONU ignorou pedidos do Brasil.
Pedido de mudanças aconteceu durante a gestão de Ernesto Araujo no Ministério das Relações Exteriores. Órgão queria exclusão de elogios à OMS e de menções a direitos sexuais. Assembleia Geral da ONU ignorou pedidos do Brasil.

Em agosto de 2020, o Ministério das Relações Exteriores, ainda sobre o comando de Ernesto Araújo, pediu a modificação de uma declaração conjunta de um grupo internacional cujo objetivo era fortalecer os sistemas de saúde durante a pandemia.

Segundo informações da TV Globo, a pasta queria a modificação de dois pontos:

O documento foi enviado pelo Itamaraty à delegação brasileira que participou da negociação junto à Foreign Policy and Global Health Initiative, em tradução livre, Iniciativa de Política Externa e Saúde Global. O grupo existe desde 2006, quando foi criado por uma iniciativa da França e da Noruega. Os pareceres emitidos são submetidos à Assembleia Geral da ONU.

Exclusão de elogiou à OMS

O Brasil pediu que fossem retirados do texto elogiou feitos à Organização Mundial da Saúde. A justificativa é que o documento “omite qualquer crítica à organização”.

“O Brasil compreende a dificuldade de algumas delegações de evitar criticar publicamente a OMS no contexto da pandemia, mas tampouco pode aceitar menções elogiosas, sem qualificações”, alegou o Ministério das Relações Exteriores.

De acordo com o Itamaraty, era importante “reiterar o papel e a responsabilidade primária dos estados no enfrentamento da covid-19”.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a minuta tinha temas importantes relativos à pandemia, mas incluía pontos chamados de “questionáveis”. “Em particular, permanecem na versão atual da proposta menções que deveriam ser suprimidas ou alteradas, sobretudo no que respeita a referências a direitos sexuais e reprodutivos”, dizia o Itamaraty.

O trecho que o Brasil pediu para ter excluído dizia que os serviços nacionais de saúde deveriam incluir “serviços de saúde sexual e reprodutiva, recém-nascidos, serviços de saúde infantil e materna, bem como serviços de saúde mental e doenças transmissíveis, incluindo HIV, malária e serviços de saúde de tuberculose”.

*Com informações do Yahoo Notícias.

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