Especialistas debatem sobre desertificação e mitigação dos efeitos da seca na Bahia

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Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (SEMA), por meio da Superintendência de Políticas e Planejamento Ambiental (SPA), realizou o webinário ‘Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca’.
Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (SEMA), por meio da Superintendência de Políticas e Planejamento Ambiental (SPA), realizou o webinário ‘Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca’.

A Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema), por meio da Superintendência de Políticas e Planejamento Ambiental (SPA), realizou na tarde desta quinta-feira (20/05/2021), o webinário “Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca”. Com mediação de Wellington Hassegawa, diretor da Superintendência de Agricultura Familiar da Secretaria de Agricultura do Estado (Seagri), o encontro contou com as palestras da professora da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Jocimara Lobão; o coordenador do Fórum Clima Salvador, Virgílio Machado; e o membro do Comitê Governamental de Convivência com o Semiárido, André Santana.

“O combate à desertificação é um debate que precisa envolver a comunidade científica, sociedade civil e governos para que, de forma conjunta, possam atuar na busca de soluções assertivas e viáveis que possam ser implementadas pelos órgãos públicos. Vamos ampliar o diálogo com vistas à integração de políticas e ações realizadas pela administração pública e sociedade civil. A nossa proposta é criar estratégias sustentáveis para promoção de um desenvolvimento limpo, com equidade, sustentabilidade e respeito ao meio ambiente”, afirmou o superintendente de Políticas e Planejamento Ambiental da Sema, Claudemir Nonato.

Representando a secretária interina do Meio Ambiente, Márcia Telles, o técnico do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Aldo Carvalho, parabenizou a Sema pela escolha do tema. “O semiárido necessita de políticas públicas consistentes. O combate à desertificação não é simples e somente com uma articulação intergovernamental, com a ampliação do debate, poderá trazer propostas consistentes e eficientes para conter o avanço da desertificação”, disse Aldo.

A primeira palestrante da tarde, a professora Jocimara Lobao, coordenadora do Programa de Modelagem em Ciências da Terra e do Ambiente, desmitificou que a desertificação do semiárido seja algo natural. “A desertificação do semiárido não está diretamente relacionada apenas às mudanças climáticas, ela atua, sim nesse processo, mas o que causa a desertificação é a forma como a sociedade se apropria dessa natureza e desse espaço que é tão frágil”, explicou Jocimara.

“Podemos elencar uma série de problemas conectados com a compactação do solo, entre eles, a perda de nutrientes, perda de biodiversidade e o impacto no ciclo da água. O resultado disso é um colapso ambiental, seja localizado, e depois vai-se expandindo, ou pode acontecer um colapso em uma escala muito maior”, explicou o segundo palestrante da tarde, o ambientalista Virgílio Machado.

Ainda segundo Virgílio, os maiores biomas brasileiros estão em risco de desertificação (dados do INPE). “Os biomas mais desmatados do Brasil são os biomas que em grande parte compõem a Bahia. A Mata Atlântica, lar de 72% dos brasileiros, tem 88% de sua área desmatada; o Cerrado, berço das águas, tem 51% de sua área desmatada, restando 20% de vegetação nativa; a Caatinga, onde a Bahia tem um maior número de municípios, tem 45% da sua área desmatada. O Nordeste é a região do Brasil mais vulnerável às mudanças do clima”, explicou Virgílio.

Encerrando o debate, o palestrante André Santana explicou que, desde 2012, o Governo da Bahia adotou uma Política de Convivência com o Semiárido, buscando ampliar as soluções de abastecimento da região e evitar o colapso de algumas áreas. “Tínhamos um esforço inicial de coordenar a oferta de água no semiárido, garantir uma segurança alimentar para as famílias e a dessedentação animal, e isso gerou um coletivo que continuou se reunido ainda com foco de enfrentamento às situações de seca. A partir daí, partimos para uma consciência mais ampla de convivência com o semiárido, com uma política sistêmica e permanente, que culminou com a criação da política de convivência com o semiárido, e, em 2018, com a elaboração do plano de convivência com o semiárido”, explicou André.

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