Em meio à crise política entre ACM Neto, João Dória e Rodrigo Maia, deputado Adolfo Viana apresenta proposta de diálogo e união; Conflito é intensificado no campo da direita e extrema-direita com pedido de expulsão

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Deputado federal Adolfo Viana (PSB-BA) tenta superar crise política entre ACM Neto, João Doria e Rodrigo Maia. Mas, apoio ao presidente Jair Bolsonaro e pedido de expulsão intensifica conflito na direita e extrema-direita.
Deputado federal Adolfo Viana (PSB-BA) tenta superar crise política entre ACM Neto, João Doria e Rodrigo Maia. Mas, apoio ao presidente Jair Bolsonaro e pedido de expulsão intensifica conflito na direita e extrema-direita.

A crise política decorrente da saída de Rodrigo Garcia, vice-governador de São Paulo, do partido Democratas para ingressar no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), atendendo convite do governador João Dória (PSDB), gerou conflito entre os demistas e psdbistas.

ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM, rotulou João Dória de desagregador e publicou nesta sexta-feira (14/05/2021) três comentários no Twitter, sobre a cooptação do correligionário pelo governador, declarando o seguinte:

— Certos de que o PSDB possui lideranças e quadros nacionais que são capazes de colocar os objetivos comuns e os sonhos para o futuro do Brasil à frente de projetos pessoais, o Democratas espera preservar a longa história de parcerias construídas com o partido.

— O momento pede grandeza e compromisso dos homens públicos com o país. Não é hora de dividir, mas de agregar. O Democratas defende a união de forças, e que se deixem os interesses pessoais de lado.

— A mudança do vice-governador Rodrigo Garcia para o PSDB é fruto de uma inexplicável imposição estabelecida pelo governador de São Paulo, João Dória, cuja inabilidade política tem lhe rendido altíssima rejeição e afastado os seus aliados.

Sem caráter e menor que a própria altura

No contexto do debate, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), que se tornou adversário político de ACM Neto, desde o momento em que o ex-prefeito conduziu a bancada federal ao apoio do Governo Bolsonaro, aproveitou a perda do correligionário de São Paulo para criticar a liderança do presidente do partido, publicando os seguintes comentários:

— Neto está ficando apenas com os bolsonaristas.

— Filia logo os aliados do Bolsonaro.

— Vice do Bolsonaro. Sobrou isso.

— Bolsonaro presidente e ACM Neto vice-presidente. Não sobrou nada além disso.

— Justificando o não apoio ao Dória. Sempre disse que não apoiaria o Dória nunca.

— E ainda tem algumas poucas pessoas que acreditam nele.

— Neto. Vai pra casa. Na política você perdeu o respeito.

— Este baixinho não tem caráter.

— Sem caráter e menor que a própria altura.

— Neto. Vai pra casa. Na política você perdeu o respeito

Fato é que desde o momento no qual conduziu os deputados federais ao apoio do extremista Jair Bolsonaro, ACM Neto tem perdido aliados e enfrenta uma crise permanente no interior do DEM.

Retaliação

Em apoio a ACM Neto e ao Desgoverno Bolsonaro, o deputado federal Efraim Morais Filho (DEM-PB) anunciou que a bancada federal na Câmara aprovou pedido de expulsão de Rodrigo Maia do partido, declarando:

— A bancada do Democratas na Câmara dos Deputados deliberou pelo pedido de expulsão do deputado Rodrigo Maia a ser encaminhado a executiva. Comentários infantis e ofensas desnecessárias a ACM Neto e tentativa de gerar constrangimento. Tem sido pior para ele.

Ocorre que Rodrigo Maia anunciou que tinha solicitado o pedido de desfiliação partidária à Justiça Eleitoral, o que pode tornar inócua a retaliação da bancada federal.

Apoio do PSDB da Bahia e possível ruptura

Tentando apaziguar PSDB e DEM, em nota enviada neste sábado (15) ao Jornal Grande Bahia (JGB), o presidente do PSDB da Bahia, deputado federal Adolfo Viana, destaca e relembra a convergência histórica de pensamento entre o partido e o Democratas, ao comentar sobre as divergências entre o ex-prefeito de Salvador ACM Neto e o governador de São Paulo, João Doria.

— Continuarei defendendo a união e a consolidação de um projeto único. A nossa luta é para que o PSDB e o Democratas caminhem juntos em 2022. Eventuais divergências serão superadas por um interesse maior”, disse o parlamentar.

O comentário do deputado ocorre em um contexto de disputa estadual, haja vista que o PSDB da Bahia sempre dependeu da liderança dos Magalhães para manter uma bancada federal mínima.

Em 2022, com as eleições nacional e estadual, o partido tenta conciliar a vontade de João Dória em se candidatar à presidência da República com o fato de ACM Neto ter conduzido a bancada federal ao apoio do Governo Bolsonaro.

No contexto, o saldo é negativo para os postulantes da direita e extrema-direita, porque pode levar o PSDB da Bahia a romper com o DEM estadual e fragilizar, ainda mais, uma pretensa candidatura de ACM Neto, seja como vice de Bolsonaro, ou ao governo da Bahia.

Frustação e pedido à João Roma

Em outro desacerto político, após o apoio ao presidente Bolsonaro, a esperança de se tornar ministro do Desgoverno de Extrema-direita se esvaiu, porque o convidado foi o ex-chefe de gabinete do governo que conduziu em Salvador.

Para decepção de ACM Neto, o deputado federal João Roma (Republicanos-BA) aceitou o convite de Bolsonaro e se tornou ministro da Cidadania, descartando o pedido do demista para que não ingressasse no ministério.

Futuro incerto, derrota provável

O cenário eleitoral para ACM Neto, em 2022, é cada vez mais incerto.

Apoiador do Golpe Jurídico-Parlamentar contra a presidente Dilma Rousseff ocorrido em 2016, aliado do extremista Jair Bolsonaro na Bahia, tendo protagonizado vários momentos ao lado do débil e rejeitado governante e atravessando uma crise política na aliança histórica entre DEM e PSDB, culminando com a perda de aliados, as escolhas políticas do ex-prefeito de Salvador parecem convergir para um desastre eleitoral na disputa por mandato em 2022.

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Sobre Carlos Augusto 10107 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).