Democracia em crise: Militares do Mali detêm presidente Bah Ndaw, premiê e ministro da Defesa

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Oficiais militares do Mali detiveram o presidente Bah Ndaw, o primeiro-ministro e o titular de Defesa do governo interino do país africano, aprofundando o caos político meses após o golpe militar que derrubou o presidente anterior, informou a agência Reuters.
Oficiais militares do Mali detiveram o presidente Bah Ndaw, o primeiro-ministro e o titular de Defesa do governo interino do país africano, aprofundando o caos político meses após o golpe militar que derrubou o presidente anterior, informou a agência Reuters.

O presidente Bah Ndaw, o premiê Moctar Ouane e o ministro de Defesa Souleymane Doucoure foram levados para uma base militar em Kati, no entorno da capital Bamaco, horas depois que dois membros do Exército perderam seus cargos durante uma reforma no governo, disseram fontes diplomáticas e governamentais à Reuters.

As prisões são mais uma demonstração de força dos militares no Mali, após a derrubada do presidente Ibrahim Boubacar Keita em agosto do ano passado.

Além disso, o episódio de segunda-feira (24/05/2021) tem potencial para exacerbar ainda mais a instabilidade no país da África Ocidental, onde grupos islamistas violentos, ligados à Al-Qaeda e ao Daesh (organizações terroristas proibidas na Rússia e em outros países) controlam grandes áreas no deserto situado ao norte.

Em Bamaco, tropas do Mali e cidadãos malineses se juntam em frente à residência do presidente do país, Ibrahim Boubacar Keita, em meio a um motim militar em 18 de agosto de 2020.
Após o golpe de agosto, Ndaw e Ouane tinham a missão de supervisionar uma transição de 18 meses para um governo civil, mas, aparentemente, eles se movimentaram para tentar reduzir o controle militar de diversos postos-chave do governo.

“A destituição dos pilares do golpe [os militares] foi uma decisão errada”, disse um ex-funcionário do governo malinês à Reuters. “As ações [de hoje] provavelmente têm como objetivo devolvê-los [os militares] aos seus cargos”, acrescentou.

O objetivo principal do Exército malinês, no entanto, ainda não está claro. Um oficial na cidade de Kati disse que não se tratava de uma prisão. “O que eles fizeram não foi bom”, afirmou a fonte, em referência à reformulação no gabinete do governo. “Estamos permitindo que ele saibam, as decisões serão tomadas”, acrescentou.

A crise no Mali remonta ao ano de 2012, quando o presidente Amadou Toumani Toure foi derrubado por uma junta militar. Sua saída desencadeou um rebelião étnica tuaregue, que incialmente contou com o apoio de grupos jihadistas e tomou o controle do norte do país. Pouco depois, os islamitas se voltaram contra os tuaregues e assumiram diversos territórios que haviam sido capturados.

Com o agravamento da crise, o governo do país africano pediu ajuda à França em 2013, que realiza operações militares contra os insurgentes e mantém um contingente na região do Sahel. Desde então, alguns acordos foram assinados, mas a luta prosseguiu. Os rebeldes se reagruparam e passaram a realizar ataques frequentes contra soldados e civis. Além disso, os islamitas exportaram seus métodos para países vizinhos, como Burkina Faso e Níger, onde os ataques cresceram significativamente a partir de 2017.

*Com informações da Sputnik Brasil.

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