Dados da Pfizer apresentados à CPI da Covid-19 geram disputa entre deputados; Carlos Murillo confirma que Governo Bolsonaro ignorou ofertas de 70 milhões de doses de vacinas

À CPI da Pandemia, ex-presidente da Pfizer no Brasil Carlos Murillo diz que governo ignorou cinco ofertas de vacinas somente em 2020. Ele confirma ainda que Carlos Bolsonaro participou de reunião com a farmacêutica. "O governo do Brasil não rejeitou, mas tampouco aceitou [as ofertas]", disse Carlos Murillo.
À CPI da Pandemia, ex-presidente da Pfizer no Brasil Carlos Murillo diz que governo ignorou cinco ofertas de vacinas somente em 2020. Ele confirma ainda que Carlos Bolsonaro participou de reunião com a farmacêutica. "O governo do Brasil não rejeitou, mas tampouco aceitou [as ofertas]", disse Carlos Murillo.

Em discursos no Plenário da Câmara, deputados da base governista e de oposição se posicionaram sobre os dados apresentados pelo executivo da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid do Senado Federal. O empresário afirmou nesta quinta-feira (13/05/2021) que o governo brasileiro ignorou três ofertas para aquisição de vacinas em agosto do ano passado, o que levou à perda de 18,5 milhões de doses a serem enviadas ao Brasil em dezembro do ano passado.

O deputado Gervásio Maia (PSB-PB) acusou o governo Bolsonaro de agir com “irresponsabilidade”. “Nós tomamos conhecimento de que 700 mil pessoas poderiam ter sido vacinadas com a vacina da Pfizer no mês de dezembro. Quantas dessas pessoas, caso estivessem vacinadas, teriam sobrevivido? ”, lamentou.

O deputado Henrique Fontana (PT-RS) afirmou que o depoimento confirma “mais um dos crimes de responsabilidade” do presidente da República. “Milhões de brasileiros não foram vacinados pelo crime de responsabilidade de Bolsonaro, que orientou o governo a não buscar vacinas, a não comprar vacinas”, disse.

O deputado Neucimar Fraga (PSD-ES) minimizou as críticas. “Eu assisti ao depoimento do representante da Pfizer, e entendi algo totalmente diferente do que eles entenderam”, afirmou. Fraga disse que a compra só poderia ser realizada após aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “É mentirosa a narrativa da oposição de que o governo não quis comprar as vacinas da Pfizer, tanto que o governo comprou as vacinas, a partir do momento em que a Anvisa autorizou”, afirmou.

Fontana rebateu o parlamentar. “As negociações com a Pfizer iniciaram em maio de 2020. Enquanto isso, o presidente Bolsonaro preferia organizar lives para fazer propaganda de cloroquina”, ressaltou. Ele também cobrou dos governistas explicações sobre o cancelamento de compra da Coronavac por disputas com a China.

Quem saiu em defesa do governo foi o deputado Aroldo Martins (Republicanos-PR). Ele afirmou que há uma politização do assunto. “O que se vê hoje é uma politização do assunto, e isso tem sido utilizado para bombardear e crivar o governo do presidente Bolsonaro simplesmente pelo fato de que o ano que vem é ano de eleição”, opinou.

Números

Os deputados também disputaram sobre os números da vacinação no Brasil. Neucimar Fraga afirmou que o Brasil é o quarto país do mundo que mais vacina. “Gostaríamos de ser o primeiro, mas nós não fabricamos a nossa própria vacina. Gostaríamos de ter vacinado toda a população, mas está faltando vacina no mundo”, disse. Ele afirmou que o Brasil está à frente de países ricos como Alemanha, Inglaterra, Itália e Espanha.

Já o deputado Henrique Fontana apresentou outras estatísticas, que colocam o Brasil em 58º lugar em vacinação. “Israel, Chile, Estados Unidos, Reino Unido, Hungria, Uruguai, Canadá, Espanha, Dinamarca, Alemanha, Itália, França. Todos esses países têm um percentual de população vacinada maior do que o Brasil”, declarou.

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