Aprendendo com os erros | Por Joaci Góes

As medidas mitigadoras da pandemia da Covid-19 e os efeitos sobre a economia do Brasil.
As medidas mitigadoras da pandemia da Covid-19 e os efeitos sobre a economia do Brasil.

Para a querida sobrinha Anaiçara Póvoas de Góes!

Se tivermos juízo, poderemos extrair dos erros que cometemos, ao longo dos catorze meses convivendo com a Covid-19, importante aprendizado para não termos que os repetir, ainda que sob nova roupagem, no curso do incerto futuro que nos aguarda.

A verdade é que as informações e instruções, ao mundo fornecidas pela ciência, no alvorecer da peste, têm se confirmado, não apenas sobre as cautelas sanitárias para evitá-la como a respeito de seus modos de propagação e seu percentual de letalidade, da ordem de 2,5%, em média.

Na perspectiva da posteridade de hoje, fica claro que os sucessivos lockdowns foram um erro, sobretudo em países, como o Brasil, onde as desigualdades sociais ensejariam antever, com elevada margem de segurança, que as populações mais pobres sofreriam maiores perdas, seja pela precariedade das condições sanitárias de suas áreas residenciais, seja pela excessiva aproximação compulsória imposta pelo característico atulhamento dos transportes coletivos, sobretudo nos horários de ida e de volta do trabalho, nas grandes cidades, seja, ainda, pelo seu baixo nível educacional, fator que compromete a observância de elementares princípios de disciplina. Proibi-las de deambular pela ventilada costa brasileira constitui agressão ao bom senso.

É possível que os males oriundos da queda das economias nacionais sejam ainda maiores do que os aferidos pela mortalidade ostensiva da doença, e como, ao que tudo indica, ainda teremos que conviver com ela num tempo de duração que desconhecemos, é imperioso percorrermos um caminho que nos permita uma convivência tolerável, enquanto não encontramos o meio seguro de vencê-la.

A partir da experiência vivida e dos dados dela colhidos, o melhor caminho é mesmo o da manutenção da atividade produtiva, submetida aos indispensáveis cuidados sanitários. Esse receituário conciliador pode ser resumido nos seguintes pontos, aqui mencionados na tentativa de exauri-los, admitidas, porém, correções.

Em primeiro lugar, reiteração diária do pedido para que fiquem em casa todas as pessoas que tenham condições de fazê-lo, sobretudo as idosas, as portadoras de doenças crônicas e as que puderem realizar o seu trabalho, em home office, modelo que as empresas devem estimular, até por ser muito produtivo. Em segundo lugar, as entidades de classe alternarão horários de funcionamento das atividades que representam, para eliminar os gargalos do transporte público. Recorde-se que a cidade de São Paulo chegou a condicionar a circulação de carros, à coincidência dos términos pares e ímpares de suas placas com os dias da semana, aumentando o congestionamento do transporte coletivo. Os Shopping centers, como um exemplo, funcionariam das 16hrs até as 04hrs. A extensão, portanto, do tempo de operação, e não a sua redução como tem sido feito, é que reduz o risco de contágio. Em terceiro, as escolas adotariam o sistema de dividir as turmas em duas, para que todos os alunos pudessem realizar parte do trabalho em sala de aula, e parte em casa, com o magistério listado como grupo prioritário para a vacinação. As famílias que quisessem ensinar em casa, como foi o caso de tanta gente importante mundo afora, poderiam fazê-lo, aferindo-se o desempenho a posteriori, para efeito de reconhecimento acadêmico. Restaurantes e bares poderiam operar o tempo que quisessem, respeitado o distanciamento social, cautela extensiva a todas as atividades, inclusive as comerciais. Frequentadores dos famosos paredões seriam multados, através de seus CPFs, com valores razoáveis, mas eficazes.

É claro que se essas providências tivessem sido adotadas desde o início, mortes haveria, ainda que em números muito menores. Como não haveria parâmetro para saber, a priori, que fora adotado o melhor curso de ação, os seus defensores seriam apodados de genocidas, transformando em questão eleitoral um assunto que merece outro tratamento, como é moda terceiro-mundista, no Brasil.

Vale a pena o esforço de virarmos o jogo, no segundo tempo dessa partida entre a vida e a morte!

*Joaci Fonseca de Góes, advogado, jornalista, empresário e ex-deputado federal constituinte.

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