‘Vou ter que sair na porrada com um bosta desses’, diz extremista Jair Bolsonaro em momento de psicopatia social

Extremista Jair Bolsonaro ameaçou e ofendeu senador Randolfe Rodrigues, autor do requerimento de criação da CPI da Covid-19. As falas constam em um novo trecho da conversa gravada e divulgada pelo senador Jorge Kajuru. Presidente cobrou que Kajuru amplie o foco de investigação da Comissão e pressione por impeachment de ministros do STF.
Extremista Jair Bolsonaro ameaçou e ofendeu senador Randolfe Rodrigues, autor do requerimento de criação da CPI da Covid-19. As falas constam em um novo trecho da conversa gravada e divulgada pelo senador Jorge Kajuru. Presidente cobrou que Kajuru amplie o foco de investigação da Comissão e pressione por impeachment de ministros do STF.

Na mira da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez ameaças e ofensas ao senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do requerimento de investigação no Senado Federal. Em uma ligação telefônica gravada pelo senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), Bolsonaro chama Randolfe de “bosta” e afirmou que teria que “sair na porrada” com o parlamentar.

“Se você (Kajuru) não participa (da CPI), vem a canalhada lá do Randolfe Rodrigues para participar e vai começar a encher o saco. Daí, vou ter que sair na porrada com um bosta desses”, afirmou Bolsonaro.

O novo trecho contendo as ameaças e ofensas consta em áudio divulgado por Kajuru na manhã desta segunda-feira (12) na Rádio Bandeirantes.

No domingo (11/04/2021), o parlamentar publicou em suas redes sociais a gravação de uma conversa telefônica entre ele e Bolsonaro. Em um dos momentos, Bolsonaro pede a Kajuru que trabalhasse pela ampliação do escopo da CPI para que investigue também prefeitos e governadores.

Na visão de parlamentares da oposição, a conversa telefônica deixou clara a tentativa do presidente de interferir na CPI da Covid-19, que deve ser instalada no Senado nesta semana.

O próprio presidente afirmou a apoiadores que “falou mais coisas” além do que foi divulgado pelo senador.

“Fui gravado em uma conversa telefônica, tá certo? A que ponto chegamos no Brasil aqui (…) Só para controle, falei mais coisas naquela conversa. Podem divulgar tudo da minha parte”, afirmou Bolsonaro.

Vale ressaltar que, apesar da reclamação por ter sido gravado, Kajuru garante ter deixado claro ao presidente que gravaria o diálogo entre os dois.

Mesmo com país vivendo o pior momento da pandemia do novo coronavírus, chegando a registrar mais de 4 mil óbitos em 24h em duas oportunidades na semana passada, Bolsonaro voltou a pregar contra gestores estaduais e municipais que tentam frear a propagação do vírus com medidas mais restritivas.

“Primeiro tenho que estabelecer o direito de ir e vir no Brasil, o problema aqui é mais sério do que se possa imaginar. Existem protótipos de ditadores fazendo barbaridade nos estados”, reclamou o presidente aos apoiadores.

Bolsonaro disse temer “relatório sacana” de CPI

O presidente Jair Bolsonaro pediu ao senador Jorge Kajuru em conversa gravada e publicada pelo congressista em redes sociais, para ampliar a CPI da Covid e apurar a conduta de prefeitos e governadores.

Bolsonaro disse que, se os senadores não mudarem o escopo da CPI, ampliando para investigar as ações de governos regionais também, será investigada apenas o governo federal e aliados. Segundo ele, vão ouvir “só gente nossa” para produzir “relatório sacana”.

“Se não mudar a amplitude, a CPI vai simplesmente ouvir o Pazuello, ouvir gente nossa, para fazer um relatório sacana. Tem que fazer do limão uma limonada. Por enquanto, é um limão que tá aí. Dá para ser uma limonada”, disse ao senador. Bolsonaro afirmou que o objetivo do autor da CPI, que disse não saber quem é, “é investigar omissões do governo federal na Covid”.

Segundo Bolsonaro, uma CPI “realmente útil” ao país precisaria ser mais ampla. Na gravação, ele deixa claro a vontade de incluir “governadores e prefeitos” no escopo da apuração.

“A CPI hoje é para investigar omissões do presidente Jair Bolsonaro, ponto final. Quer fazer uma investigação completa? Se não mudar o objetivo da CPI, ela vai vir só pra cima de mim. O que tem que fazer para ser uma CPI que realmente seja útil para o Brasil? Mudar a amplitude dela. Bota governadores e prefeitos. Presidente da República, governadores e prefeitos”, afirmou.

Ministros do STF acreditam que áudio vazado de Bolsonaro é teatro armado para constranger a Corte

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) acreditam que a conversa divulgada pelo senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) em que Jair Bolsonaro pede a ele que investigue também governadores e prefeitos na CPI da Covid do Senado é um teatro armado pelos dois para constranger a Corte.

Na interpretação de magistrados ouvidos pela coluna Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, a conversa não teria sido espontânea, mas sim combinada previamente.

“Se não mudar o objetivo da CPI, ela vai vir para cima de mim. O que tem que fazer para ser uma CPI útil para o Brasil: mudar a amplitude dela. Bota presidente da República, governadores e prefeitos”, recomendou Bolsonaro.

“Se não mudar a amplitude, a CPI vai simplesmente ouvir o Pazuello, ouvir gente nossa, para fazer um relatório sacana. Tem que fazer do limão uma limonada. Por enquanto, é um limão que tá aí. Dá para ser uma limonada”, afirmou ao senador.

Na conversa telefônica, o presidente cobra do senador Kajuru que determine a análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os magistrados devem discutir nesta semana a liminar dada na quinta (8) pelo ministro Luís Roberto Barroso em que ele determina a instalação da CPI para investigar a gestão do governo federal na pandemia.

Os ministros devem confirmar a decisão de Barroso, mas recomendar que a comissão só comece a funcionar quando o Senado voltar a se reunir presencialmente.

Segundo a coluna, os ataques de Bolsonaro aos ministros causam turbulência justamente no momento em que o tribunal pode evoluir para um entendimento que, em tese, pode beneficiá-lo, protelando a instalação da comissão. As conversas no Supremo se intensificaram no fim de semana, mas ainda não há uma conclusão definitiva sobre o assunto.

Entenda o caso

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na quinta-feira a instalação da CPI da Pandemia no Senado.

Mesmo com o recolhimento de 29 assinaturas, duas a mais que exigido pelo regimento da Casa para a instauração da CPI, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), eleito com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, vinha resistindo a instalá-la. O principal argumento de Pacheco para evitar a CPI é que a investigação irá atrapalhar o combate à pandemia.

Depois da decisão de Barroso, o presidente Jair Bolsonaro reclamou, em suas redes sociais, que a CPI “não poderá investigar nenhum governador, que porventura tenha desviado recursos federais do combate à pandemia”. Ele ainda subiu o tom e atacou Barroso.

“Barroso se omite ao não determinar ao Senado a instalação de processos de impeachment contra ministro do Supremo, mesmo a pedido de mais de 3 milhões de brasileiros. Falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política”, afirmou.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia deve ser instalada nesta semana no Senado.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), deve ler na sessão desta terça-feira (13) o requerimento da instalação da CPI, que conta atualmente com o apoio de 33 senadores.

O objetivo dos senadores da minoria é apurar ações e omissões do governo Jair Bolsonaro na pandemia, como em relação ao colapso do sistema de saúde de Manaus, onde pacientes internados morreram por falta de oxigênio. O atraso na compra de vacinas também é um dos pontos que será apurado na comissão.

A abertura da investigação no Congresso bate à porta do Palácio do Planalto no momento em que o Brasil enfrenta recordes diários de óbitos pela Covid-19, sem sinais de diminuição do ritmo de contaminação ou de aceleração da vacinação.

Dessa forma, a CPI da Covid amplia a pressão sobre o governo Bolsonaro.

Dependendo do resultado da investigação no Senado, as conclusões podem ser encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal do presidente Jair Bolsonaro e/ou de outros agentes públicos, como o ministro da Saúde.

*Com informações do Yahoo Notícias.

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