Sem auxílio emergencial digno, 19 milhões de brasileiros passam fome com política do Desgoverno Bolsonaro

Dado sobre 19 milhões de brasileiros passando fome consta de inquérito sobre insegurança alimentar apresentado nesta segunda-feira (05/04/2021). Tragédia deve ser ainda maior, uma vez que números foram coletados em dezembro de 2020.
Dado sobre 19 milhões de brasileiros passando fome consta de inquérito sobre insegurança alimentar apresentado nesta segunda-feira (05/04/2021). Tragédia deve ser ainda maior, uma vez que números foram coletados em dezembro de 2020.

Mais da metade da população do país sofre com algum nível de insegurança alimentar, sendo que 19 milhões de brasileiros passam fome. A conclusão é do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, divulgado nesta segunda-feira (05/04/2021) pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede Penssan).

Para medir o tamanho da tragédia, o inquérito pesquisou 2.180 domicílios nas cinco regiões, em áreas urbanas e rurais. O levantamento ocorreu entre 5 e 24 de dezembro de 2020, três meses após o governo Bolsonaro reduzir as parcelas do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300. Isso significa que a situação, atualmente, deve ser ainda pior, uma vez que o governo cortou o auxílio em janeiro, fevereiro e março e, agora, o retomou com valores menores e para um número bem menor de beneficiados.

A Penssan explica que insegurança alimentar é quando alguém não tem acesso pleno e permanente a alimentos. “Hoje, em meio à pandemia, mais da metade da população brasileira está nessa situação, nos mais variados níveis: leve, moderado ou grave. E a insegurança alimentar grave afeta 9% da população — ou seja, 19 milhões de brasileiros estão passando fome”, afirma a entidade.

Os resultados mostram que, em 55,2% dos domicílios, os habitantes conviviam com a insegurança alimentar, um aumento de 54% desde 2018, quando o índice era de 36,7%. Em números absolutos, o total de brasileiros com algum grau de insegurança alimentar chega a 116,8 milhões. “Desses, 43,4 milhões (20,5% da população) não contavam com alimentos em quantidade suficiente (insegurança alimentar moderada ou grave)”, informa.

Superada em 2013, fome voltou após o golpe

A rede reconhece que a fome é um problema histórico no Brasil, mas ressalta que houve um momento em que fomos capazes de combatê-la. “Entre 2004 e 2013, os resultados da estratégia Fome Zero, aliados a políticas públicas de combate à pobreza e à miséria, se tornaram visíveis”, escreve a Penssan, referindo-se ao conjunto de medidas contra a fome implementada pelo presidente Lula já no primeiro mandato.

“A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada em 2004, 2009 e 2013, revelou uma importante redução da insegurança alimentar em todo o país. Em 2013, a parcela da população em situação de fome havia caído para 4,2% — o nível mais baixo até então. Isso fez com que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura finalmente excluísse o Brasil do Mapa da Fome que divulgava periodicamente”, acrescenta a entidade.

Após o golpe de Estado que derrubou a presidente Dilma Rousseff, a fome avançou a passos largos no Brasil, mostram os dados. “De 2018 a 2020, como mostra a pesquisa VigiSAN, o aumento da fome foi de 27,6%. Ou seja: em apenas dois anos, o número de pessoas em situação de insegurança alimentar grave saltou de 10,3 milhões para 19,1 milhões. Nesse período, quase 9 milhões de brasileiros e brasileiras passaram a ter a experiência da fome em seu dia a dia”, afirma a Penssan.

Ex-presidente Lula lidera aliança pela veda

Os números confirmam o que vem dizendo há meses o Partido dos Trabalhadores e está sendo reforçado pelo presidente Lula em entrevistas recentes: o Brasil precisa, urgentemente, retomar o auxílio emergencial de R$ 600 e garanti-lo à população mais pobre até o fim da pandemia.

“Espero que o Bolsonaro esteja assistindo, para o Bolsonaro saber que não tem jeito este país se não houver um salário emergencial de R$ 600 até terminar esta pandemia. E que esta pandemia só vai terminar quando tiver vacina para todo mundo. Então, deixe de ser ignorante, presidente. Pare de brigar com a ciência, pare de falar para os seus milicianos. Fale para 220 milhões de pessoas. Quando tiver vacina para todo mundo, todo mundo vai voltar a trabalhar, e a economia pode voltar a crescer. E o Estado tem condições de fazer financiamento”, disse Lula na última sexta-feira (1º).

Nesta segunda-feira, parlamentares do PT voltaram ao tema. No Senado, Paulo Rocha (PT-PA), líder do partido na Casa, e Paulo Paim (PT-RS), voltaram a alertar o país para a piora das condições de vida do povo brasileiro. “Os preços dos alimentos não param de subir. Em 12 meses, o arroz ficou 70% mais caro; o feijão, 50%; e a cebola, 69%. Um botijão de gás custa R$ 100. Os pobres são os que mais sofrem. O novo auxílio emergencial é um deboche. O país precisa retomar, no mínimo, o valor original: R$ 600”, disse Rocha.

O senador Paulo Paim reforçou: “O Insper aponta que o novo auxílio emergencial é insuficiente para cobrir despesas mínimas de sobrevivência da população. O valor de R$ 250 representa R$ 62,50 per capita em uma família de quatro pessoas. Esse nível está abaixo da linha de extrema pobreza em todos os estados”.

A importância de se garantir uma renda mínima digna aos mais pobres durante a pandemia também foi abordada pelo Papa Francisco no domingo de Páscoa (veja vídeo abaixo). Porém, enquanto o governo Bolsonaro não age, campanhas de arrecadação de alimentos se tornaram a única forma de amenizar o sofrimento das famílias que não têm o que comer. O Partido dos Trabalhadores tem mobilizado a militância por meio da campanha PT Solidário, lançada em 31 de março (veja aqui como participar).

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