Secretário estadual Jerônimo Rodrigues critica projeto que obriga retorno das aulas presenciais no auge da pandemia

Jerônimo Rodrigues, secretário da Educação da Bahia.
Jerônimo Rodrigues, secretário da Educação da Bahia.

O secretário da Educação do Estado da Bahia, Jerônimo Rodrigues, criticou o Projeto de Lei n° 5.595/2020, em tramitação na Câmara dos Deputados, que quer obrigar as aulas presenciais em todo o país, em plena pandemia do novo Coronavírus, sem as condições epidemiológicas adequadas e sem a vacinação em massa.

“Todos somos a favor das aulas presenciais, mas a luta, agora, deve ser para que o governo federal acelere a vacinação. Não é a hora de um mero arranjo formal para tentar assegurar um retorno das aulas presenciais em um momento totalmente  inadequado. Esta medida também é arbitrária e irresponsável. Fere a autonomia dos estados e dos municípios, que serão obrigados a ofertar aulas presenciais, sem considerar a situação da pandemia em cada local. O país vive o pior momento desta crise sanitária, com mais de 358 mil mortos. Infelizmente, o Brasil se tornou uma ameaça sanitária global pela falta de gestão federal da pandemia. Agora querem ampliar os riscos à vida dos professores, servidores, estudantes e seus familiares. Isto é inaceitável”, afirmou Jerônimo Rodrigues.

O secretário disse que a maioria dos estados optou pela oferta do ensino remoto e ressaltou que, na Bahia, a volta às aulas presenciais está condicionada às diretrizes das autoridades de Saúde. “A prioridade do Governo da Bahia é salvaguardar a vida das pessoas. É preciso aguardar as condições epidemiológicas favoráveis. Tanto que o nosso planejamento prevê as atividades híbridas até chegar totalmente no presencial, mas somente quando isso for mais seguro”, ressaltou.

O Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) também emitiu nota pública para manifestar o posicionamento contrário ao Projeto de Lei nº 5.595/2020. “Os secretários de Educação defendem que cada gestor estadual ou municipal possa avaliar com as autoridades sanitárias locais a situação epidemiológica na tomada da decisão de manter ou não as aulas presenciais. Portanto, o CONSED acredita que não é o momento de obrigar estados e municípios a abrirem suas escolas, em uma decisão única para todo o país. É preciso considerar, ainda, que as medidas de prevenção adotadas por meio dos protocolos foram pensadas para uma situação controlada e não para um momento de risco extremo, como o que vivemos”, destaca a nota do CONSED.

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9368 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).