ONU marca Dia Internacional de Reflexão Sobre Genocídio de 1994 Contra os Tutsis no Ruanda

Um monumento em memória do genocídio de 1994 contra os tutsis em Ruanda é inaugurado nas Nações Unidas em Genebra.
Um monumento em memória do genocídio de 1994 contra os tutsis em Ruanda é inaugurado nas Nações Unidas em Genebra.

Esta quarta-feira (07/04/2021), as Nações Unidas marcam o Dia Internacional de Reflexão Sobre o Genocídio de 1994 Contra os Tutsis no Ruanda.

Há 27 anos, mais de um milhão de pessoas, na grande maioria tutsis, mas também hutu moderados, twa e outros que se opuseram ao genocídio, foram sistematicamente assassinados em menos de três meses, no país da África Ocidental.

Memória

Em mensagem de vídeo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lembrou as vítimas.

Segundo o chefe da ONU, “aqueles dias de 1994 permanecem na nossa consciência coletiva dentre os mais horríveis da história humana recente. ”

Ele acredita que a data serve para honrar os que foram assassinados, refletir sobre o sofrimento e reconhecer a resiliência dos que sobreviveram.

O secretário-geral afirma que as pessoas devem olhar com atenção para o mundo de hoje e garantir que aprenderam as lições de há 27 anos.

Segundo ele, hoje, em todo o mundo, “há pessoas sendo ameaçadas por grupos extremistas determinados a aumentar as suas fileiras através da polarização social e da manipulação política e cultural. ”

Tecnologia

O chefe da ONU ressalta que “estes movimentos extremistas representam a principal ameaça à segurança em muitos países. ”

Embora a tecnologia e as técnicas utilizadas por extremistas evoluam, Guterres diz que “as mensagens e retórica vis permanecem igual. ” Além disso, “a desumanização de comunidades, a desinformação e o discurso de ódio são combustíveis para a violência. ”

O secretário-geral destacou a pandemia de Covid-19, dizendo que evidencia a urgência de lidar com profundas divisões.

Polarização

Ele contou que “a crise mundial de saúde afetou profundamente todo a esfera dos direitos humanos em todas as regiões, alimentando ainda mais a discriminação, a polarização social e as desigualdades, podendo todas levar à violência e ao conflito.”

Para Guterres, impedir que a história se repita “requer combater esses movimentos movidos pelo ódio que se tornaram uma ameaça transnacional. ”

O secretário-geral afirma que este é o momento de redobrar esforços e forjar uma Agenda Comum. Isso deve ser feito defendendo os direitos humanos e com políticas que respeitem plenamente todos os membros da sociedade.

Mulheres

Guterres lembrou que “o Ruanda vivenciou um dos capítulos mais dolorosos da história moderna da Humanidade, mas o seu povo reconstruiu das cinzas. ”

Ele deu o exemplo das mulheres do país, que detêm agora mais de 60% dos assentos parlamentares, fazendo do Ruanda um líder mundial na área da igualdade na política.

Segundo ele, o povo do Ruanda mostrou “o poder da justiça e da reconciliação, e a possibilidade de progresso. ”

Redação do Jornal Grande Bahia
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