Em encontro virtual, líderes mundiais construíram unidade para fortalecer medidas financeiras contra Covid-19

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Os países em desenvolvimento, em particular, foram duramente atingidos pelos impactos da pandemia do coronavírus. Na foto, um trabalhador durante o bloqueio em Kathmandu, Nepal.
Os países em desenvolvimento, em particular, foram duramente atingidos pelos impactos da pandemia do coronavírus. Na foto, um trabalhador durante o bloqueio em Kathmandu, Nepal.

Uma reunião de líderes mundiais analisou medidas adicionais e urgentes para garantir uma recuperação robusta da pandemia de Covid-19.

O encontro virtual de alto nível foi convocado pelo secretário-geral, António Guterres, em parceria com os primeiros-ministros Justin Trudeau, do Canadá, Andrew Holness, da Jamaica.

Objetivos

No encontro, Guterres afirmou que o mundo está “à beira de uma crise de dívida.”

Guterres afirmou que o mundo corre “o risco de mergulhar ainda mais na pior recessão desde a Grande Depressão.”ONU/Violaine Martin

Guterres afirmou que o mundo corre “o risco de mergulhar ainda mais na pior recessão desde a Grande Depressão.”

Nesse momento, seis países já entraram em descumprimento da dívida, conhecido como default. Um terço das economias emergentes corre alto risco de crise fiscal. A situação é ainda pior para os países menos desenvolvidos e de baixa renda.

O secretário-geral destacou uma séria de medidas, como o prolongamento da suspensão do serviço da dívida do G-20, o grupo das 20 maiores economias do mundo do qual participa o Brasil, até 2022. Guterres também quer e a inclusão de todos os países de renda média altamente endividados e vulneráveis ​​afetados pela crise.

Ele pediu uma expansão do Quadro Comum para o Tratamento da Dívida para outras nações vulneráveis ​​e o alívio da dívida para enfrentar demandas de longo prazo.

O chefe da ONU afirmou que, se isso não acontecer, o mundo corre “o risco de mergulhar ainda mais na pior recessão desde a Grande Depressão.”

Apoio

Em seu discurso, o primeiro-ministro da Jamaica ressaltou que a crise econômica causada pela pandemia “afeta severamente a sustentabilidade da dívida, particularmente em países de baixa e média rendas.”

Segundo ele, a comunidade internacional deve “criar uma nova arquitetura de dívida internacional que garanta a sustentabilidade e incentive o setor privado a integrar a sustentabilidade em suas decisões de investimento para assegurar uma recuperação mais rápida, forte e resiliente.”

Já o primeiro-ministro do Canadá destacou que o “progresso tem sido notável”, mas que “somente por meio de uma resposta global coordenada, se poderá enfrentar os impactos da pandemia e criar empregos, crescimento econômico e novas oportunidades para as pessoas e negócios.”

Resumo de políticas

Em um novo documento político, emitido esta segunda-feira, o secretário-geral destaca a importância de muitas medidas ao longo do último ano, mas que são insuficientes para restaurar a saúde da economia mundial.

Guterres conta que os impactos fiscais da crise estão desencadeando sobre-endividamento num número crescente de países e limitando severamente a capacidade de investir na recuperação e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs.

Para ele, sem medidas decisivas, o mundo corre “o risco de outra década perdida para muitos países em desenvolvimento, colocando os ODSs definitivamente fora de alcance.”

Desigualdade

Choques econômicos relacionados à Covid-19 já levaram as agências de classificação de crédito a rebaixar a capacidade de crédito de 42 países desde o início da pandemia, incluindo seis desenvolvidos, 27 economias emergentes e nove nações menos desenvolvidas e de baixa renda.

Apesar de várias medidas, 2020 teve o primeiro aumento da pobreza extrema desde 1998, uma queda de 4,3% no Produto Interno Bruto, PIB, global e a perda do equivalente a 144 milhões de empregos.

Muitos países responderam com medidas extraordinárias de apoio fiscal, aproveitando os baixos custos dos empréstimos, com os países desenvolvidos investindo cerca de US$ 18 trilhões.

Estímulo

Mas os países em desenvolvimento, e em particular os menos desenvolvidos, não foram capazes de implementar o estímulo necessário.

Embora algumas nações de renda média tenham retornado aos mercados internacionais de títulos nos últimos meses, apenas dois da África Subsaariana conseguiram acessar os mercados.

Além disso, alguns países não terão acesso aos mercados financeiros a taxas acessíveis. Muitos países já viram o acesso à moeda estrangeira restringido por meio da fuga de capitais e da contração do comércio, turismo, remessas e investimento estrangeiro direto.

Nesse momento, mais da metade dos Estados menos desenvolvidos e de baixa renda que usam o Quadro de Sustentabilidade da Dívida do Banco Mundial do Fundo Monetário Internacional, FMI, são avaliados como tendo alto risco de sobre-endividamento. Mais de um terço das economias de mercado emergentes correm alto risco de crises fiscais.

Alívio da dívida

Segundo o novo documento político, o alívio da dívida é necessário para investir em recuperação e para alcançar os ODSs.

Mesmo em casos de endividamento elevado, novos empréstimos podem levar a uma melhor qualidade de crédito se financiarem investimentos produtivos. O alívio da dívida também pode liberar recursos, permitir o retorno ao mercado e reduzir os custos gerais de empréstimos de um país.

O secretário-geral da ONU pede aos governos que forneçam novos financiamentos para os países em desenvolvimento, recapitalizem os bancos multilaterais de desenvolvimento e reduzam os prazos para reabastecimento dos fundos.

Por fim, o documento apela aos países e às instituições financeiras internacionais para que aproveitem o momento para abordar as fragilidades de longa data na arquitetura da dívida internacional.

*Com informações da ONU News.

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