Fabricante da Sputnik V vai acionar Anvisa por espalhar informações falsas; Necropolítica do Governo Bolsonaro é criticada

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Países que aprovaram uso da vacina Sputnik V.
Países que aprovaram uso da vacina Sputnik V. De acordo com os desenvolvedores, a Anvisa fez "afirmações incorretas e enganosas sem ter testado a vacina". República Tcheca também afirma que não recebeu documentação suficiente sobre vacina russa.

Os fabricantes da vacina russa contra a covid-19 Sputnik V ameaçaram, nesta quinta-feira (29/04/2021), processar por difamação a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) “por espalhar informações falsas e imprecisas intencionalmente”.

Na segunda-feira, a diretoria da Anvisa rejeitou, por unanimidade, pedidos de autorização da importação da vacina, por considerar que faltam dados técnicos para verificar a segurança e a eficácia do imunizante. Um dos argumentos foi o de que, em todos os lotes apresentados à Anvisa, foram detectados adenovírus capaz de se replicar.

Os desenvolvedores da Sputnik V também disseram que a “Anvisa fez declarações incorretas e enganosas sem ter testado a vacina Sputnik V” e que desconsiderou um ofício informando que “apenas vetores não replicantes são usados” na fabricação do imunizante.

De acordo com os desenvolvedores, a Anvisa fez “afirmações incorretas e enganosas sem ter testado a vacina” e está rejeitando a carta oficial do Centro Gamaleya, onde o imunizante foi criado, que afirma que não há adenovírus capaz de se replicar e que apenas vetores não replicantes são usados.

A publicação no Twitter se refere à declaração do gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da agência, Gustavo Mendes Lima Santos, à revista Superinteressante.

 “Esse adenovírus replicante foi detectado em todos os lotes apresentados da vacina Sputnik para a Anvisa. Todos os laudos de controle de qualidade que foram apresentados na documentação [a] que nós tivemos acesso, mostravam a presença desse vírus replicante”, disse ele à revista.

O adenovírus deve ser utilizado apenas para carregar o material genético do coronavírus para as células humanas, para promover a resposta imune. No entanto, segunda a Anvisa, no caso da Sputnik V, ele mesmo se replica, o que, de acordo com a agência, poderia levar desde a infecções variadas até à exacerbação da resposta imunológica.

Na quarta-feira, os desenvolvedores da vacina russa já haviam rejeitado as críticas brasileiras, afirmando que carecem de embasamento científico. Eles argumentam que a decisão de não permitir a importação tem “natureza política”.

União Química

A União Química, empresa brasileira que firmou parceria para produção da Sputnik V, divulgou carta enviada ao presidente da Anvisa ontem (28). No documento, a farmacêutica questiona que doses da vacina foram analisadas e coloca que nenhuma vacina Sputnik V foi oficialmente fornecida à Anvisa nem por ela e nem pelo parceiro russo.

Na carta, a União Química alega que o Instituto Gamaleya negou ter encontrado qualquer presença de adenovírus replicante em qualquer lote do imunizante. A companhia considera que as afirmações da Anvisa sobre a presença de adenovírus replicante são falsas e reitera a informação de que uma subsidiária do Fundo de Investimento Direto Russo (outra instituição participante no consórcio de produção da vacina) vai entrar com processo judicial.

Sobre o assunto, Barra Torres declarou na entrevista coletiva que a agência não se utiliza de laboratório. “Houve circulação na mídia de que a Anvisa teria analisado em seus laboratórios vacina falsificada. A análise é feita em cima de documentos enviados pelo desenvolvedor. Há várias questões para além do adenovírus”, pontuou o diretor-presidente.

*Com informações do DW.

Sobre Carlos Augusto 9649 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).