Comandante da Marinha do Brasil, almirante Almir Garnier assegura missão institucional da força de defesa e diz que presidente Jair Bolsonaro discursa para base eleitoral

Desde os 10 anos de idade no ambiente da Marinha, almirante de esquadra Almir Garnier Santos disse que a mudança na Defesa foi surpresa. 
Desde os 10 anos de idade no ambiente da Marinha, almirante de esquadra Almir Garnier Santos disse que a mudança na Defesa foi surpresa. 

Em entrevista à Tânia Monteiro, publicada nesta sexta-feira (16/04/2021) na Revista Época, o almirante esquadra Almir Garnier Santos (60 anos) comenta sobre a função de comandante da Marinha do Brasil e os discursos do presidente Jair Bolsonaro.

No comando da Marinha do Brasil, o almirante Almir Garnier passou a ocupar gabinete no segundo do andar do bloco N, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, DF. Na nova mesa de trabalho, colocou três porta-retratos. No primeiro, está com a esposa, Selma. No segundo, a mãe, Sulayr, aparece abraçada ao presidente Jair Bolsonaro na cerimônia de posse, no começo de abril. Na terceira foto estão o filho, nora e neta.

Aos 10 anos, Almir Garnie ingressou na Escola Industrial da Marinha, situada na cidade Rio de Janeiro, local onde nasceu. Com experiência no mar, aos 31 anos fez mestrado em pesquisa operacional e análise de sistemas na Naval Postgraduate School (NPS), nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, desenvolveu projetos de otimização de recursos, de emprego de Poder Naval, de jogos para treinamento de Guerra Naval e de implantação de sistemas de tecnologia da informação e comunicações.

Confira trechos da entrevista

Os novos comandantes vieram para ser alinhados ao presidente?

— Todos os comandantes são alinhados ao presidente porque são hierarquicamente subordinados ao comandante supremo. Serei subordinado ao comandante supremo, de acordo com as leis brasileiras, como todos os que me antecederam.

Quando Bolsonaro fala que aguarda sinalização do povo para agir, muita gente pensa que vai ter golpe. Isso é um risco?

— (Garnier ri, assim como os demais presentes na sala) O presidente foi eleito democraticamente. Que golpe é esse? Não consigo entender. Mas, também, não é meu papel entender. Meu papel é fazer o que venho fazendo aqui, reunindo com os demais membros do almirantado, planejar as próximas ações da Marinha, continuar o grande trabalho que o almirante Ilques (Barbosa) vinha fazendo.

O senhor se surpreendeu com a demissão do ministro Azevedo e Silva e dos comandantes? Foi um trauma?

— Foi uma surpresa, mas não foi um trauma. É um processo normal de mudança. As mudanças ocorrem em função de um contexto.

Ficaram feridas? Conosco não.

—  O presidente disse, em meados de abril, que aguarda a sinalização do povo para tomar providências. Esse tipo de fala mais provocativa incomoda a Marinha? De jeito nenhum. O que incomoda a Marinha é ter pouco orçamento, ter pouco navio, não ter mais oportunidade de apoiar a população brasileira.

Esses arroubos do presidente não causam desconforto? Não são conosco. Ele fala com a população como um todo. Ele tem uma grande base eleitoral. Como cidadão, vejo os números de pesquisa apresentados. Dois anos de mandato é um momento crítico para todo presidente. Temos uma pandemia. E, ainda assim, ele tem uma grande base que o acompanha nas redes sociais, que o recebe nos locais a que ele vai. Então, ele fala para o eleitorado dele, com as bases dele.

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9377 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).