China e União Europeia lideram importações que causam desmatamento de florestas tropicais no mundo

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Área destruída em Apuí, no sul do Amazonas, em agosto de 2020. De acordo com levantamento do Imazon, mês teve 810 km² de floresta desmatados, um aumento de 216% em relação ao mesmo período do ano anterior. Dados são divulgados dias antes da Cúpula do Clima convocada por Jor Biden, presidente dos EUA.
Área destruída em Apuí, no sul do Amazonas, em agosto de 2020. De acordo com levantamento do Imazon, mês teve 810 km² de floresta desmatados, um aumento de 216% em relação ao mesmo período do ano anterior. Dados são divulgados dias antes da Cúpula do Clima convocada por Jor Biden, presidente dos EUA.

Importações da China e da União Europeia (UE) são responsáveis por grande parte do desmatamento de florestas tropicais no mundo, afirmou a organização ambientalista WWF nesta quarta-feira (14/04/2021).

Em 2017, 24% da destruição de florestas tropicais por causa do comércio internacional esteve ligada a produtos comprados pela China, e 16% a importações feitas pela UE, afirmou a ONG, que divulgou um relatório para os anos de 2005 a 2017.

A terceira e a quarta posição no ranking de destruidores de florestas tropicais indiretos do WWF são da Índia, com 9%, e dos EUA, com 7%. No período analisado, o Reino Unido ainda integrava a UE.

A destruição de florestas tropicais para o comércio internacional se deu sobretudo para a produção de soja, óleo de palma e carne bovina. Em seguida vêm madeira, cacau e café.

Os países que mais destruíram para produzir para a União Europeia são Brasil, Indonésia e Paraguai, segundo o relatório.

Na União Europeia, o país indiretamente responsável pela maior destruição de florestas tropicais por meio da importação de produtos relacionados é a Alemanha. Em média, são destruídos 43,7 mil hectares por ano para a produção de mercadorias compradas pela Alemanha.

Até 2013, a UE liderava o ranking de destruidores de florestas tropicais do WWF. O engajamento de empresas e governos conseguiu melhorar a situação no bloco, mas a ONG afirma que os esforços ainda não são suficientes.

Segundo o WWF, em 2017 foram desmatados 1,3 milhão de hectares de florestas tropicais devido ao comércio internacional, e 203 mil deles para as importações feitas pela UE. Essa destruição liberou 740 milhões de toneladas de CO2.

Desmatamento aumenta apesar da pandemia

O Projeto de Monitoramento da Amazônia Andina (Maap) afirmou nesta terça-feira que a Amazônia Internacional perdeu 2,3 milhões de hectares em 2020. Desse total, 1,5 milhão de hectares foi devastado no Brasil, país com a maior parte da floresta.

Segundo o Maap, a área desmatada durante 2020 no Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela é 17% maior que a relatada no ano anterior e equivalente à área do estado de Sergipe.

Este foi o terceiro pior registro dos últimos 20 anos. Apenas em 2016 e em 2017 foram registrados números superiores aos do ano passado, quando, apesar da pandemia de covid-19, o desmatamento se intensificou.

A partir das imagens de satélite observadas, as áreas devastadas no Brasil, concentradas no sul do território amazônico, foram primeiro desmatadas e depois queimadas, causando grandes incêndios, principalmente devido a uma prática aparentemente ligada à expansão da pecuária extensiva na região.

*Com informações do DW.

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