Assunção ao Comando da Marinha | Por Almir Garnier dos Santos

Almirante de esquadra Almir Garnier Santos discursa ao tomar posse do comando da Marinha do Brasil.
Almirante de esquadra Almir Garnier Santos discursa ao tomar posse do comando da Marinha do Brasil.

Excelentíssimo Senhor Presidente da República, JAIR MESSIAS BOLSONARO, legal e democraticamente entronizado pelo povo brasileiro como Comandante Supremo das Forças Armadas, apresento-me ao seu serviço, muito honrado, por ter sido designado para a nobre missão de comandar a invicta Marinha de Tamandaré. Apresento a Vossa Excelência, organizados hierárquica e disciplinadamente, cerca de 80 mil militares e servidores civis, homens e mulheres, coesos e unidos, com o mesmo vigor e entusiasmo com que fizemos nosso juramento de incorporação à Marinha do Brasil.

Senhor Vice-Presidente da República HAMILTON MOURÃO, que muito me honra com sua presença e a quem aprendi a admirar profissionalmente pela sua condução do Conselho Nacional da Amazônia Legal, cujos resultados expressivos contra o desmatamento e as queimadas ilegais tiveram a decisiva contribuição do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia – CENSIPAM, a mim subordinado, como Secretário-Geral do Ministério da Defesa.

Agradeço ainda a todas as insignes autoridades já nominadas pelo cerimonial, cujas presenças dignificam ainda mais esta efeméride naval.

Orgulham-me as presenças ou a assistência de meus familiares, dos amigos da Turma Mariz e Barros, dos meus companheiros do C-PEM 2008, de meus amigos-irmãos baianos e muitos outros, que me escuso a não declarar para não enfadar a audiência.

Minhas Senhoras e Meus Senhores, permitam-me, em nome da senhora KATHYA, digníssima esposa do Ministro de Estado da Defesa WALTER BRAGA NETTO, de minha mãe SULAYR e de minha querida esposa SELMA, saudar a todas as aguerridas mulheres, que fazem a diferença na vida de seus filhos, maridos, labutando em nosso país, e que hoje nos prestigiam com suas audiências.

Tenho 60 anos, 50 dos quais vivi na Marinha do Brasil. Graças à Marinha aprendi a ser torneiro, carpinteiro, eletricista, soldei cavernas em meus primeiros navios, as Fragatas Independência e União, construídas no mesmo Arsenal de Marinha onde iniciei os meus estudos. Ingressei na Escola de Formação de Oficiais da Reserva da Marinha e aos 17 anos ingressei na Escola Naval.

Continuação da OD no 3/2021, do Comandante da Marinha.

A Marinha do Brasil permitiu que o sonho de minha mãe se tornasse realidade, por ser uma instituição meritocátrica. Foi necessário, sim, muito esforço, muita dedicação, como dizia minha mãe desde cedo: “primeiro a obrigação, depois a devoção”, ou então: “o único jeito de filho de pobre ser alguém na vida, honestamente, é estudando, se esforçando e trabalhando”.

Graças à Marinha, aperfeiçoei-me, estudei, trabalhei, naveguei, patrulhei, ajudei a defender a Amazônia Azul e fiz contato com muitos países de todos os continentes. Mais de 950 dias de mar depois, tornei-me um Marinheiro completo, um bandeirante das longitudes salgadas, um sentinela dos mares, como somos todos os discípulos de Tamandaré.

Além de tudo isso muitas foram as palavras de incentivo, os elogios, os ensinamentos e os exemplos de servidores civis, Praças e Oficiais que me fizeram entender como buscar a excelência. Nominar a todos seria cansativo a audiência. Saibam todos que os trago comigo em meu coração.

Graças à Marinha pude dignamente criar meu filho, ALMIR GARNIER SANTOS JUNIOR, hoje perfeito, pois juntamente com minha nora preferida THALITA me propiciaram a sublime alegria de ser avô em 17 de março desse ano, significativamente no dia de uma reunião do Almirantado, concebendo a LAURINHA.

Graças à Marinha do Brasil conheci a minha amada esposa SELMA, que tanto apoio me tem dado em todos os difíceis momentos de minha jornada. Inicio essa nova navegação na certeza de poder contar com seu fundamental suporte e carinho.

Os tais cinquenta anos pareceram passar num piscar de olhos. Quando garoto, no ginásio industrial da Ilha das Cobras, no Arsenal de Marinha, via aqueles homens em uniformes brancos manobrando grandes belonaves com grandes canhões, como os Cruzadores Barroso e Tamandaré e imaginava serem pessoas muito diferentes de mim. Não eram, eram apenas brasileiros que, como eu, tinham a Pátria por devoção e que, por meio de concurso público, ingressaram nas fileiras da profissão mais charmosa que existe, a de homem do mar, e defensor da Pátria pelos mares. Por outro lado, pude logo perceber também que se tratavam de profissionais que cultivam valores, que se vestem de orgulho, honra, lealdade, camaradagem, amizade, espírito de corpo; não corporativismo. E que muitas vezes esperam apenas à guisa de reconhecimento da nação, uma medalha, um abraço, um aperto de mão ou um significativo “Bravo Zulu!”.

Recentemente, pela indicação do senhor Ministro da Defesa, General de Exército WALTER SOUZA BRAGA NETTO, Guerreiro de Selva, experiente chefe militar, fui selecionado pelo Sr. Presidente da República para o mais honroso cargo da Marinha do Brasil. Senhor Ministro, conte com a minha incondicional lealdade e com toda a minha dedicação ao serviço da Pátria.

Chego ao Comando da Marinha tendo experimentado o lado operativo enquanto jovem oficial, desenvolvido sistemas e modelos complexos como oficial superior, tendo dirigido a Escola de Pós-Graduação da Marinha, nossa Escola de Guerra Naval, já como Almirante. Tal bagagem me proporcionou vislumbrar a fundamental importância da ciência e da tecnologia para desenvolvimento de melhores capacidades para a nossa Marinha. Minha última passagem pelo Ministério da Defesa, no cargo de Secretário-Geral, proporcionou-me a oportunidade de perceber a importância de inúmeros relacionamentos com instituições das mais diversas áreas e com marinhas amigas. Pretendo continuar e aprofundar o bom trabalho já em andamento.

Camaradas do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira, certo estou de que ombreados, continuaremos, juntamente com os esforços de emprego conjunto levados a cabo

Continuação da OD no 3/2021, do Comandante da Marinha. pelo Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, visando à superação de todos os obstáculos e adversidades, que venham a se interpor a nossa trajetória. Como os desafios e necessidades são sempre muitos e os recursos sempre mais escassos, peço que o Deus Todo-Poderoso nos ilumine e nos de sabedoria, para que saibamos priorizar e bem conduzir nossas ações, como já fez tantas vezes antes em minha vida. Afinal, como diz o Salmo 127, em vão vigia a sentinela, se Deus não guardar a cidade.

O povo brasileiro certamente conta com as suas Forças Armadas, razão pela qual sempre as valorizou e sempre as classificou com elevado grau de confiança. Nos dias de hoje, quando lutamos contra um inimigo invisível, que destrói vidas, todos os nossos esforços vêm sendo feitos para amenizar as dificuldades das famílias brasileiras. Nossas Forças Armadas têm levado vacinação e assistência aos rincões mais longínquos de nosso Estado, como no interior da Floresta Amazônica, do Pantanal brasileiro e de outras regiões remotas, como a Antártica. Auxiliamos na vacinação, transportamos oxigênio, insumos hospitalares, removemos pacientes graves de cidades saturadas, doamos centenas de litros do nosso próprio sangue, distribuímos milhares de cestas básicas aos mais necessitados, descontaminamos inúmeros locais de grande movimento e conduzimos obras sociais variadas. Juntamente com a Universidade de São Paulo, a Marinha do Brasil desenvolveu, e produziu em tempo recorde respiradores, máscaras, face shields, álcool gel, dentre outros. Toda a base industrial de defesa, movimentada por nossas Forças Armadas, está engajada nesse combate e continuará enquanto o inimigo não for vencido.

Excelentíssimo senhor Almirante de Esquadra ILQUES BARBOSA JUNIOR, caro amigo, excepcional marinheiro e dileto Chefe Naval, peço permissão a Vossa Excelência para deixar o posto dois dessa formatura, ultrapassando o vosso Capitânia, pelo bordo de honra, com toda a guarnição perfilada em Postos de Continência, saudando Vossa Excelência com o tradicional apito marinheiro, continuando no mesmo rumo de combate, para águas ainda além da Taprobana, contornando o Cabo Bojador, independentemente da previsão meteorológica. Mesmo que “gigantes adamastores” tentem intervir em nossa navegação, terão que pelear com Netuno, que nos precede e driblar a proteção do Nosso Senhor do Bomfim que vai por ante a ré de nossa Força Tarefa, guardando o bom nome de nossa invicta Marinha, formada por experimentados marinheiros, sentinelas dos mares, pela falange aguerrida de fuzileiros navais e por resilientes e fundamentais servidores civis.

Por fim, dirijo-me à toda essa excelsa tripulação da Marinha do Brasil, bradando do mais alto passadiço de manobra: geral de passadiço, manobra comigo!; sota timoneiro, máquinas adiante toda força; timoneiro leme em direção ao futuro!

Viva a minha, a sua, a nossa Marinha do Brasil!

Muito obrigado!

Almirante de Esquadra, Almir Garnier dos Santos, comandante da Marinha do Brasil

Ordem do Dia nº 3/2021.

Brasília, DF, 9 de abril de 2021.

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