A serviço de governos estrangeiros, atuação da força-tarefa do Caso Lava Jato derrubou produção e destruiu empregos no Brasil

Sérgio Nobre presidente da Cut.
Sérgio Nobre presidente da Cut..

Um total de 4,4 milhões de empregos perdidos, 1,1 milhão deles somente no setor da construção civil e a perda de R$ 172,2 bi que deixaram de ser investidos na economia brasileira, além de R$ 47,4 bi em impostos que deixaram de ser arrecadados no pais.

Esses foram alguns dos vários impactos negativos provocados pelas ações da Operação Lava Jato durante o período de 2014 a 2017, quando teria sido registrado uma redução de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme o estudo “Implicações econômicas intersetoriais da operação Lava Jato” elaborado pelo Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, feito a pedido da Central, que foi apresentado nesta terça-feira (16/04/2021) pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) durante live transmitida ao vivo pelo Facebook.

Durante a apresentação do estudo, o presidente da CUT, Sérgio Nobre, reafirmou a importância do estudo feito pelo Dieese para que toda a verdade em torno da Operação Lava Jato e os impactos destrutivos provocados por ela ao país sejam levados ao conhecimento do povo brasileiro.

“Foi um trabalho de alta complexidade, que mostra os impactos que a operação causou nos empregos e na economia brasileira, com a exposição total das marcas de grandes empresas nacionais. Desde o início dessa operação, nós já dizíamos que empresas não cometem crimes, pessoas sim. E são elas que têm que ser investigadas e punidas. Não as empresas. A Lava Jato expôs essas grandes construtoras nacionais e a Petrobras, que ficou marcada como um símbolo de corrupção”, afirmou.

Seguramente, se a Lava Jato não tivesse existido, com o papel que teve, se tivesse preservado as empresas e não tivesse perseguição política, não teríamos os 14 milhões de desempregados, gente que não sabe como vai ser o dia de amanhã. Não teríamos milhares de pequenas empresas fechando a crise que se agrava a cada dia mais – Sérgio Nobre, presidente da CUT

Extinção dos empregos

Pelo estudo, o prejuízo de R$ 172,2 bi em investimentos que deixaram de ser feitos é quase 40 vezes mais que os valores que a Lava Jato afirma ter devolvido aos cofres públicos durante as investigações. E, em consequência dos R$ 172,2 bilhões de investimentos a menos na economia, os cofres públicos deixaram de arrecadar R$ 47,4 bilhões em impostos, sendo R$ 20,3 bilhões em contribuições sobre a folha de salários. A perda em relação à massa salarial foi de R$ 85,8 bilhões.

O Dieese executou um trabalho de pesquisa “obra a obra” junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para apurar o impacto sofrido pelas obras que foram paralisadas em todo o país que estavam a cargo das principais construtoras nacionais atingidas pela sanha destruidora dos integrantes da força tarefa que criminalizou as empresas ao invés de responsabilizarem apenas executivos e funcionários.

Isso também causou o desmonte da área de engenharia no país, seja tecnológica, de produção ou de execução, o que fez com que o país tivesse um enorme prejuízo em matéria de desenvolvimento em tecnologia, onde sempre foi referência mundial no setor. A paralisação dessas grandes obras ainda provocou a perda de muitos recursos públicos.

A destruição no mercado de trabalho foi tão extensa que atingiu até categorias de setores fora das cadeias produtivas mais atingidas (construção e petróleo), como a educação privada, com 106,5 mil vagas perdidas, segundo estimativas.

O estudo minucioso realizado pelo Dieese comprova também o terrível impacto da operação na Petrobras, o maior alvo das investigações, que sofreu um imenso processo de desconstrução, o que prejudicou de forma irreparável a imagem e o potencial de investimentos da maior empresa estatal brasileira. A Petrobras que vivia um período de grande expectativa de desenvolvimento após a descoberta do pré-sal e com isso a previsão de grandes investimentos na produção de petróleo e era a principal peça no desenvolvimento estratégico do Brasil.

Impacto na economia

De acordo com o coordenador-técnico do Dieese, Fausto Júnior, as consequências provocadas pelo Lava Jato levaram a Petrobras a mudar a sua própria lógica de gestão e a empresa passou a priorizar mais os interesses dos acionistas em detrimento dos interesses do país. A estatal diminuiu até mesmo a produção de gasolina. Após a Lava Jato, a empresa teria deixado de investir mais de R$ 100 bi que já estavam programados em seu cronograma de obras e serviços.

Para Fausto Júnior, não fossem os impactos negativos provocados pela Lava Jato, a recessão verificada nos ano de 2015 e 2016 poderiam ter sido atenuadas com um aumento em torno de 1% do PIB e nos dois anos seguintes o país poderia ter crescido ainda mais além.

Para ele, os impactos da operação na economia são muito fortes, mas são muito mais profundos ainda na sociedade brasileira.

A CUT e o Dieese preparam a publicação de um livro que irá compilar todo o conteúdo do estudo realizado e também deverá ser publicada uma cartilha com linguagem popular para que a classe trabalhadora possa compreender bem o que ocorreu realmente e o que está por trás das ações executadas pela Operação Lava Jato. Ações essas que levaram o Brasil a viver tempos tão sombrios como os atuais sob o comando de Jair Bolsonaro, que foi o maior beneficiário de todo um esquema comandado pelos procuradores de Curitiba para perseguir e titrar o ex-presidente Lula da disputa política eleitoral.

O estudo também será entregue aos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG); e aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), para que, com base nos fatos e números estudados pelo Dieese, seja feita uma investigação profunda e que os responsáveis sejam punidos.


Referência

Operação Spoofing revela Aliança do Crime

As mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) durante deflagração da Operação Spoofing, ocorrida em 23 de julho de 2019, com o objetivo de investigar as invasões às contas de Telegram de membros da força-tarefa do caso Lava Jato em Curitiba e do, à época da Operação, ministro Sérgio Moro, então juiz federal encarregado do caso, revelaram possível conluio com procuradores da República, cujos protagonistas usaram linguagem vulgar, cuja tipicidade é de facínoras e se encontram distante do que se espera dos mais bem remunerados servidores da República. O que levanta a hipótese de que uma espécie de ‘Aliança do Crime’ parece ter operado através da força-tarefa do Caso Lava Jato, no Ministério Público Federal (MPF), em conluio com juízes federais, policiais federais e membros da Receita Federal.

A tese de formação e operação do ‘Aliança do Crime’ ganhou verossimilhança processual durante julgamento da 2ª Turma do STF, ocorrido em 9 de março de 2021 (terça-feira), na qual foi analisada o Habeas Corpus (HC) interposta pela defesa do ex-presidente Lula, quando o presidente da Turma, ministro Gilmar Mendes, passou a ler e comentar a troca de mensagens entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol, à época, chefe da força-tarefa do Caso Lava Jato em Curitiba, com os demais membros do esquema, identificando hierarquia e comando persecutório partindo do juiz, que atuou em conluio com os procuradores da República.

As digressões analíticas do ministro Gilmar Mendes foram apoiadas pelo ministro Ricardo Lewandowski, que comprovou a autenticidade e veracidade das mensagens apreendidas durante a Operação Spoofing e demonstrou estupor diante do elevado índice de corrupção protagonizado pelos membros do que pode ser avaliado como uma sofisticada Organização Criminosa (ORCRIM), cujos efeitos nefastos afetaram os direitos civis do ex-presidente da República, com reflexos sobre a vida política e econômica do país.

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 112624 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]