Senador Major Olímpio morre após complicações da Covid-19; Político era militante do extremismo que levou Bolsonaro ao poder

Senador Sérgio Olímpio Gomes (Major Olímpio, PSL-SP) faleceu nesta quinta-feira (18/03/2021), vítima da Covid-19. Político tinha vínculos com o extremismo bolsonarista.
Senador Sérgio Olímpio Gomes (Major Olímpio, PSL-SP) faleceu nesta quinta-feira (18/03/2021), vítima da Covid-19. Político tinha vínculos com o extremismo bolsonarista.

O senador Major Olimpio (PSL-SP), 58 anos, morreu neta quinta-feira (18/03/2021) no hospital São Camilo, em São Paulo. Ele estava internado desde o início de março devido a complicações da Covid-19. A informação foi confirmada pelo perfil oficial do político.

A notícia da morte do senador foi divulgada pela assessoria por meio do Twitter: “Com muita dor no coração, comunicamos a morte cerebral do grande pai, irmão e amigo, Senador Major Olimpio. Por lei a família terá que aguardar 12 horas para confirmação do óbito e está verificando quais órgãos serão doados. Obrigado por tudo que fez por nós, pelo nosso Brasil”, diz o post.

Natural de Presidente Venceslau (SP), Sérgio Olímpio Gomes foi eleito senador em 2018. A principal pauta ao longo de seus mandatos foi a segurança pública. O senador era a favor de penas mais duras para criminosos e da ampliação do acesso a armas para os cidadãos.

Candidato à Presidência do Senado no início de 2021, ele defendeu a criação da Comissão de Segurança Pública, antes de abrir mão da candidatura em favor da senadora Simone Tebet (MDB-MS). A criação da comissão (PRS 39/2017) foi aprovada no dia 10 de março, sem o voto do senador, que já estava hospitalizado.

Seu último pronunciamento foi feito no dia 3 de março. Já do leito do hospital, ele defendeu os direitos dos servidores públicos, durante a sessão que discutia a PEC Emergencial (PEC 186/2019). Com a respiração ofegante, o senador, líder do PSL, se manifestou contra os dispositivos relacionados ao congelamento de salários dos servidores.

Carreira

Nascido em 1962, ele ingressou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco em 1978 e exerceu suas funções na Polícia Militar de São Paulo até 2007, quando iniciou o primeiro mandato como deputado estadual. Reeleito, ocupou uma vaga na Assembleia de São Paulo até 2015, quando tomou posse como deputado federal. Nas eleições de 2018 foi eleito senador, cargo no qual tomou posse em 2019.

Além de policial e político, Major Olímpio era bacharel em ciências jurídicas e sociais, jornalista, professor de educação física, técnico em defesa pessoal e instrutor de tiro. Também foi autor de livros como Reaja! Prepare-se para o Confronto – Técnica Israelense de Combate, de 1997, e Insegurança Pública e Privada, lançado em 2002.

Covid-19

No dia 2 de março, o senador informou pelas redes sociais ter sido diagnosticado com covid-19, mas afirmou que, apesar do resultado do exame, estava bem, com sintomas leves e em isolamento domiciliar. Ele disse que continuaria trabalhando remotamente. No dia seguinte, anunciou que havia sido internado, mas demonstrou fé na recuperação. Ele também prestou solidariedade aos brasileiros pelo momento difícil.

No dia 5 de março, a assessoria do senador informou que ele havia transferido para a UTI, em razão da gravidade do quadro de infecção. Uma semana depois, no dia 12, a família informou, pelas redes sociais, que o quadro seguia estável, mas requeria cuidados. Desde o dia 15, o boletim diário publicado na conta do senador informava que ele permanecia na UTI, mas estável.  A notícia da morte do senador veio às 16h15 desta quinta-feira.

Vacinação

Em seus últimos dias antes do diagnóstico e da internação, Major Olímpio fez várias declarações em que defendeu a vacinação como única solução para que o Brasil vença a batalha contra o coronavírus. Ele também se manifestou a favor da instalação de uma CPI para apurar a atuação do governo federal no combate à pandemia.

Major Olimpio foi o terceiro senador a morrer vítima da doença. Antes dele, morreram os senadores José Maranhão, em fevereiro, e Arolde de Oliveira, em outubro.

Extremista era opositor do governo João Doria (PSDB)

O senador também era opositor do governador João Doria (PSDB). Em 2021, organizou manifestações contra o aumento do ICMS, proposto pelo tucano.

As posições do parlamentar em relação à pandemia eram ambíguas. Apesar de se posicionar a favor da vacinação em massa, em outubro de 2020, criticou Doria por querer que a vacina fosse obrigatória.

“O povo de São Paulo, estatisticamente, não quer essa vacina chinesa, e irá aguardar outras oportunidades. Portanto, não adianta Doria insistir pela obrigatoriedade dessa vacina. Nós, paulistas, e paulistanos, iremos tomar a vacina que nós decidirmos, que nós escolhermos. Não adianta ele vir com força política e fazer média num momento agudo como esse”, afirmou Olímpio na ocasião.

Quem substituirá Olimpio?

O primeiro suplente de Olimpio é Alexandre Luiz Giordano. Ele é empresário paulistano e atua em diferentes ramos, como instalações metálicas e imóveis. Giordano se envolveu em uma polêmica em 2019, quando o jornal ABC Color, do Paraguai, noticiou que ele viajou duas vezes ao país para tratar de compra de energia excedente da usina hidrelétrica de Itaipu e teria usado o nome de Bolsonaro nas negociações.

A negociação nebulosa que envolvia os governo do Brasil e Paraguai abriu uma crise política no país vizinho e quase derrubou o presidente Mario Abdo Benítez.

O segundo suplente é Marcos Pontes, astronauta e atual ministro da Ciência.

*Com informações da Agência Senado e Yahoo Notícias.

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