Revista Veja revela quem é o advogado que o ministro Gilmar Mendes citou no STF durante crítica ao juiz Marcelo Bretas

Juiz Marcelo Bretas ao lado de Sérgio Moro, à época, ministro da Injustiça do Governo Bolsonaro.
Juiz Marcelo Bretas ao lado de Sérgio Moro, à época, ministro da Injustiça do Governo Bolsonaro.

Reporta da revista Veja revela que o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes mandou vários recados ao juiz federal Marcelo Bretas, magistrado encarregado dos processos do Caso Lava Jato do Rio de Janeiro, durante o julgamento, na tarde desta terça-feira (09/03/2021), da suspeição do ex-juiz Sergio Moro, que era responsável pelos casos da operação em Curitiba, pedida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante o seu voto — pela suspeição de Moro –, Gilmar afirmou que “há um escândalo para vir à tona” envolvendo a vara chefiada por Bretas e disse que o que se fala daquela jurisdição federal é de “corar frade de pedra”.

Depois, quando pediu um aparte durante o voto do ministro Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes voltou à carga. Disse que a 7ª Vara Federal do Rio é “extremamente mal falada” e então citou um advogado de nome Nythalmar, que seria uma peça-chave em supostas irregularidades.

“Ele (Nythalmar) liderava as delações até delimitado momento e depois se tornou uma figura espúria”, disse Gilmar, completando que o caso envolvendo o defensor já está no Superior Tribunal de Justiça. “(A 7ª Vara) se tornou um antro, um grande problema. Eu tenho dito aos amigos do STJ: façam alguma coisa”, completou o ministro do STF.

Nythalmar Dias Ferreira Filho, o advogado citado por Gilmar, já defendeu vários clientes alvos da Lava Jato, entre eles o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e os empresários Fernando Cavendish – ex-dono da construtora Delta, condenado em 2018 por Bretas a quatro anos e dois meses de prisão – e Arthur Soares, conhecido como o Rei Arthur, acusado de intermediar a compra de votos para o Rio sediar a Olimpíada de 2016 e de integrar um esquema de corrupção na gestão do ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos).

Nythalmar foi alvo de uma operação de busca e apreensão pela Polícia Federal no dia 23 de outubro do ano passado em processo no qual é acusado de vender facilidades a clientes dizendo que tinha proximidade com Bretas e com procuradores da Lava-Jato. O caso foi parar no STJ por determinação do presidente da Corte, Humberto Martins, porque a acusação envolvia autoridades com prerrogativa de foro. Antes, o processo tramitava na 3ª Vara Criminal do Rio.

Nythalmar também foi denunciado por outros advogados ao Tribunal de Ética da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) por cooptação indevida de clientes que já tinham defesa constituída.

Réplica

As citações de Gilmar Mendes no julgamento incomodaram o juiz Marcelo Bretas, que reagiu com um post no Twitter, no qual afirmou que tem a “consciência tranquila”. “Como juiz federal há mais de 23 anos, seis dos quais como titular da 7ª Vara Federal no Rio de Janeiro, e com a consciência tranquila da lisura do trabalho ali desempenhado, nego veementemente qualquer suposta irregularidade”, postou.

Operação Spoofing revela Sindicato do Crime

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) durante deflagração da Operação Spoofing, ocorrida em 23 de julho de 2019, com o objetivo de investigar as invasões às contas de Telegram de membros da força-tarefa do caso Lava Jato em Curitiba e do, à época da Operação, ministro Sérgio Moro, então juiz federal encarregado do caso, revelaram possível conluio em mensagens de procuradores da República, com uso vulgar da linguagem, cuja tipicidade é de facínoras e se encontra distante do que se espera dos mais bem remunerados servidores da República. O que levanta a hipótese de que uma espécie de ‘Sindicato do Crime’ parece ter operado através da força-tarefa do Caso Lava Jato, no Ministério Público Federal (MPF), em conluio com juízes federais, policiais federais e membros da Receita Federal.

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