Reunião do Conselho de Segurança marca 10 anos de conflito civil na Síria

Destruição na cidade antiga de Aleppo, na Síria.
Destruição na cidade antiga de Aleppo, na Síria.

O enviado especial do secretário-geral à Síria, Geir Pedersen, disse ao Conselho de Segurança que “a tragédia síria será conhecida como um dos capítulos mais sombrios da história recente” do mundo.

Em encontro que marcou o 10º aniversário do conflito, esta segunda-feira, Geir Pedersen afirmou que “o povo sírio está entre as maiores vítimas deste século. ”

Crimes de guerra

Segundo ele, “os responsáveis ​​por ações que podem configurar crimes contra a humanidade ou crimes de guerra têm impunidade quase total. ”

O enviado lembrou que ainda não existe “acordo entre visões políticas incompatíveis” e “progresso real nas negociações entre o governo e a oposição para reconciliar essas visões. ”

Em meio a essa tragédia, um aspecto positivo é uma situação de “relativa calma”, porque as linhas de frente do conflito não mudam há um ano.  Apesar disso, Pedersen afirma que esse período foi “tremendamente violento”, com frequentes bombardeios, ataques aéreos e ações terroristas.

Segundo ele, “o maior perigo de todos é que essa frágil calma se desfaça, levando a uma nova tempestade de conflito total. ”

Paz

Pedersen lembrou a resolução 2254 do Conselho de Segurança, dizendo que o governo, a oposição e os principais atores internacionais precisam “dividir os problemas em suas partes e mover-se em sincronia para avançar constantemente. ”

Ele também usou a oportunidade para destacar a necessidade de acesso humanitário sustentado e desimpedido a todas as partes do país, reiterando o apelo do secretário-geral.

Para o enviado, “uma solução política é a única saída” para este conflito.

Segundo ele, isso “é mais possível agora do que antes, mas para transformar essas possibilidades, em realidades, será necessário um envolvimento criativo e de alto nível dos principais atores internacionais. ”

Vozes da Síria

Para marcar a data, as Nações Unidas e a organização Silkroad, sem fins lucrativos, do violoncelista e Mensageiro da Paz, Yo-Yo Ma, lançaram a iniciativa “Eu gostaria que tivesse sido um sonho: Vozes da Síria. ”

O projeto multimídia é descrito como uma “paisagem sonora” de quatro minutos que mistura 100 testemunhos gravados da Síria com música do renomado clarinetista sírio Kinan Azmeh.

O título reflete o sentimento de 100 crianças, mulheres e homens que falaram de todas as regiões da Síria. Em suas entrevistas, eles lembram momentos difíceis, mas também motivos de orgulho e a possibilidade de um futuro sem conflitos.

Viúvas

Fazem parte do projeto viúvas que escaparam do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil ou Daesh, com seus filhos, jovens que fugiram da violência e conseguiram concluir seus estudos e famílias deslocadas que contam como desejam voltar para casa e reconstruir suas comunidades.

Uma mulher relata como, no início do conflito, ela achava que “iria durar apenas alguns dias. ” Outra família diz que espera voltar para sua casa e “viver uma vida mais bonita. ”

As imagens são de fotógrafos sírios, que fizeram legendas das fotografias com a própria mão, oferecendo uma visão da vida do povo sírio nos últimos 10 anos.

Migrantes e refugiados

Depois de 10 anos de conflito, 30% da população total está deslocada, incluindo 2,7 milhões de pessoas no noroeste do país. Na última década, muitos estiveram em constante estado de fuga. Perto de 25% dos deslocados internos da Síria foram forçados a fugir pelo menos quatro vezes.

Ao mesmo tempo, cerca de 5,6 milhões de pessoas residem em campos de refugiados ou centros urbanos nos países vizinhos como Turquia, Iraque, Jordânia, Líbano e Egito. No total, existem refugiados sírios em mais de 100 nações.

Em nota, o diretor-geral da Organização Internacional para Migrações, OIM, António Vitorino, afirmou que “embora um maior financiamento humanitário seja urgentemente necessário, esta situação nunca será resolvida apenas com ajuda. ” Segundo ele, “muitas vidas continuam ameaçadas na ausência de soluções de longo prazo. ”

Já o alto comissário para Refugiados, Filippo Grandi, afirmou que para os líderes globais, a data “é um lembrete nítido e forte de que esta década de morte, destruição e deslocamento aconteceu sob seu mandato.”

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