Prefeitura de Feira de Santana destaca protagonismo da mulher na guerra contra a Covid 19

78% dos profissionais na linha de frente são mulheres.
78% dos profissionais na linha de frente são mulheres.

O Dia Internacional da Mulher, neste dramático ano de 2021, se reveste de uma característica especial: torna ainda mais evidente, e necessário, em todo o mundo, o protagonismo da mulher na sociedade, por causa de sua presença amplamente majoritária na linha de frente do combate à pandemia da Covid 19.

Aqui em Feira de Santana, essa heroica batalha contra o coronavírus tem sido travada, na rede municipal de saúde, por 1.815 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, técnicos em laboratório e assistentes administrativos que recepcionam, orientam e conduzem pacientes em busca de atendimento. Deste universo de guerreiros, 1.418, ou 78%, são mulheres. E todos estão sob a coordenação de uma mulher: a médica infectologista Melissa Falcão, chefe do Comitê de Controle do Coronavírus no município.

“A mulher está sendo muito importante neste momento. Nós temos um olhar diferenciado sobre o paciente, porque muitas de nós somos mães. E a afetividade tem sido fundamental no tratamento dos pacientes, e também na condução dos trabalhos em geral nessa guerra contra a Covid 19. É este o grande diferencial da mulher”, diz Melissa, que sempre está ao lado de Colbert Martins Filho, em muitas das lives que o prefeito tem feito na internet para falar sobre as providências que o governo vem adotando contra a pandemia.

A afetividade a que Melissa Falcão se refere também é salientada pela médica Pollyana de Santana Silva. Chefe da Sala Vermelha da UPA do Bairro Queimadinha, e atendendo também como socorrista do SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, em Feira de Santana, Serrinha e Alagoinhas, Pollyana diz que pelo menos a metade dos seus pacientes é de pessoas contaminadas pelo coronavírus. “Estamos sempre nos colocando no lugar do paciente e dos seus familiares, para entender o seu sofrimento, e ao mesmo tempo tendo que nos cuidar, para não sermos contaminados e levarmos a doença para nossa casa”, diz Pollyana, que em janeiro perdeu sua própria avó, de 83 anos, para a Covid.

Segundo Pollyana, a afetividade tem sido fundamental na recuperação dos pacientes: “Eles ficam isolados, sem receber a visita de parentes e amigos, os contatos tem sido apenas por chamadas de vídeo, e não é todos os dias. O único carinho e apoio moral que recebem é das profissionais de saúde, da médica, da enfermeira, que sentam no seu leito para conversar, para tranquilizá-los e encorajá-los. Isso exerce um efeito psicológico muito positivo, muitas vezes decisivo, na sua recuperação. E só quem faz isso é uma mulher”.

Outra mulher que está na linha de frente na guerra contra a Covid é a motorista Patrícia Oliveira, condutora de ambulância do SAMU. “Tem dias que 90 por cento do nosso atendimento é de pacientes com Covid, e muitas vezes não achamos leito de imediato para os levarmos, nos hospitais da cidade. Então, temos que ficar algumas horas com ele dentro da ambulância, e é aí que temos que ter coragem, já que ficamos expostos à doença, mas também muita paciência, e principalmente amor e respeito pela vida das pessoas”, diz Patrícia, que não apenas dirige a ambulância, mas também auxilia os médicos e enfermeiros em tudo o que é possível e necessário no socorro ao paciente.

Heroína e vítima

Ao mesmo tempo que a mulher tem o protagonismo ressaltado nesse período dramático de nossas vidas, muitas delas têm também sido vítimas de um efeito colateral dessa pandemia: o aumento na violência doméstica, praticada por companheiros ou ex-companheiros. No Centro de Referência Maria Quitéria, que atende mulheres vítimas desse tipo de violência, houve um aumento de cerca de 40 por cento na procura pelo serviço, que faz parte da Rede de Proteção às Mulheres de Feira de Santana.

Segundo a coordenadora do CRMQ, Josailma Ferreira, o aumento do desemprego e o confinamento a que muitas famílias foram obrigadas a se submeter, principalmente nas classes menos favorecidas economicamente, exacerbaram a agressividade e o consumo de álcool por parte de muitos homens, que descarregam todo o seu rancor contra a companheira e até os filhos menores, especialmente as meninas, muitas delas vítimas de assédio ou violência sexual.

E até o auxílio-emergencial fornecido pelo governo para as famílias carentes foi, paradoxalmente, causa de violência doméstica, pois muitos ex-companheiros retornaram para casa a fim de controlar o benefício recebido pela mulher, o que resultou em violência patrimonial, psicológica e também física contra a beneficiária.

“Aqui as vítimas dessa violência têm toda a acolhida que precisam e que merecem, recebendo apoio e orientação de nossas profissionais (advogadas, psicólogas, assistentes sociais e pedagogas), todas elas mulheres. Por que o nosso grande diferencial, nesse atendimento, é a nossa capacidade de empatia: por sermos mulheres, entendemos o que as mulheres pensam e sentem, e sabemos compreender e compartilhar todo o seu sofrimento”, diz Josailma.

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