O papel da Universidade Moderna, 6 | Por Joaci Góes

Capa do livro ‘Como Governar Um Estado: O Caso Da Bahia’, obra de autoria de Joaci Góes.
Na obra ‘Como Governar Um Estado: O Caso Da Bahia’, o autor Joaci Góes lança estudo pioneiro e audacioso. Sobre os princípios gerais que devem reger a administração pública, e então se debruça detalhadamente nas principais questões do estado da Bahia, apontando caminhos e soluções.

Ao veterinário Antônio Araujo de Souza, ex-prefeito de Ourolândia, cidadão –  estadista dedicado à valorização do Semiárido.

Em nosso livro Como Governar um Estado: o caso da Bahia, enfatizamos a importância do envolvimento das universidades, na realização de pesquisas que definam os limites das intervenções que respeitem as peculiaridades ambientais do Semiárido e aumentem o seu aproveitamento em benefício das populações autóctones. A formação de pessoal técnico para orientar o aproveitamento sinérgico desse capital social é medida imperiosa para fomentar a produtividade das populações nativas, ensinando-lhes a amealhar e disseminar conhecimentos, experiências, tecnologias e inovações para o desenvolvimento do Semiárido que apresenta alguns dos mais frágeis indicadores sociais do País.

O Recôncavo Sul-baiano possui clima semiárido, em face de sua irregular distribuição pluviométrica, fator contributivo para a intermitência da maioria dos cursos d´água que cortam a Região, entre os quais se destacam as sub-bacias dos rios Jaguaripe, Mocambo, da Dona, do Jacaré, Corta Mão, Jequiriçá, Ribeirão, Geléia, Preto das Almas, Velho, Gandu, do Peixe, da Mariana, Igrapiúna, do Engenho, Una, Caranguejo, Piau, e os riachos do Meio, Caboclo, da Barriguda, da Areia. Embora a caatinga esteja presente – a noroeste -, a Mata Atlântica é aí dominante, definindo a formação biótica, para o que contribui a influência de restingas e manguezais, nos diferentes estuários.

A variação pluviométrica no território baiano cai de 2.600 mm, entre Salvador e Ilhéus, no litoral, para 400 mm, no extremo Norte do Estado, oscilação responsável pela diversidade climática, como o úmido, subúmido, semiárido e árido. O potencial ambiental baiano compreende os biomas do Cerrado, da Caatinga e da Mata Atlântica. O Semiárido é um território heterogêneo, até hoje ignorado, na multiplicidade de suas dimensões e peculiaridades ecológicas, sociais e econômicas. Na Bahia, o Instituto Estadual de Inovações criou o programa Inova Semiárido, com o propósito de identificar e selecionar oportunidades, fomentar e disseminar iniciativas e projetos com embriões de inovação que sejam a base para a formulação de políticas públicas e para iniciativas governamentais e não governamentais que proporcionem soluções inovadoras para o Semiárido. Impõe-se, portanto, estreita colaboração entre os setores públicos e privados, com as ações disseminadas para conhecimento da sociedade. O Semiárido, tradicionalmente pensado como espaço homogêneo, é, na verdade, um território heterogêneo em suas variáveis físico-ambientais e socioeconômicas. Esta exuberante diversidade ainda não foi levada em conta pelas políticas aí aplicadas. As iniciativas corretas constituem notável fonte de ensinamentos para que usufruamos de suas possibilidades, a começar pela implantação de sistemas produtivos sustentáveis que sirvam de base para a geração de riquezas pelos produtores mais pobres.

Meio à rica bibliografia sobre o Semiárido, homenageio a obra do saudoso engenheiro Manoel Bomfim Ribeiro, que dedicou parte de sua vida a essa Região. No livro A potencialidade do semi-árido brasileiro, ele aponta as vocações e os inteligentes aproveitamentos de suas possibilidades, mediante a união do conjunto das características e valores regionais com as conquistas do avanço tecnológico, propugnando pelo abandono dos erros históricos que têm impedido o desenvolvimento racional de uma região que, na Bahia, abriga quase metade de sua população. Historicamente, os famigerados gigolôs da “indústria da seca” têm tirado partido ilegítimo dessa tradicional penúria. As vítimas desse crime continuado compõem os maiores percentuais de analfabetos, subnutridos, tuberculosos, chagásicos, desempregados, subempregados e moradores de sub-habitações do País.

Em 2017, o Governo da Bahia, através de Vivaldo Mendonça Filho, titular da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, produziu um documento em que destaca o CIMATEC, instituição referência em educação, pesquisa, desenvolvimento e inovação para a indústria, entre outras, para a produção e transformação do conhecimento, com soluções que estimulem a inovação nas atividades produtivas, valorizando a competitividade e o empreendedorismo, de modo articulado, visando a elevação do emprego e da renda.

Quanto a  Universidade Federal da Bahia (UFBA), não poderia ter contribuído para o desenvolvimento do Semiárido se não tivesse se desviado do leito de suas finalidades?!

*Joaci Fonseca de Góes, advogado, jornalista, empresário e político.


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O papel da Universidade Moderna 1 | Por Joaci Góes

O papel da Universidade Moderna, 2 | Por Joaci Góes

O papel da Universidade Moderna 3 | Por Joaci Góes

O papel da Universidade Moderna, 4 | Por Joaci Góes

O papel da Universidade Moderna, 5: O caso da UFBA | Por Joaci Góes

Livro ‘A potencialidade do semiárido brasileiro’, obra de autoria de Manoel Bomfim Ribeiro, cita no artigo.
Livro ‘A potencialidade do semiárido brasileiro’, obra de autoria de Manoel Bomfim Ribeiro, cita no artigo.
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