MPRJ deflagra operação contra acusados de lavagem de dinheiro e movimentação de recursos ilícitos do miliciano Adriano da Nóbrega

Ministério Público do Rio de Janeiro deflagra Operação Gárgula.
Ministério Público do Rio de Janeiro deflagra Operação Gárgula.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) e da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), deflagrou, nesta segunda-feira (22/03/2021), a Operação Gárgula. O  objetivo é cumprir três mandados de prisão e 27 de busca e apreensão contra a organização criminosa responsável pela movimentação financeira e lavagem de dinheiro do miliciano Adriano da Nóbrega, expedidos na última sexta-feira (18). Nove pessoas, entre elas um sargento e um soldado da Polícia Militar, foram denunciadas junto à I Vara Criminal Especializada da Capital por crimes de associação criminosa, agiotagem e lavagem de dinheiro. O Juízo responsável pela expedição dos mandados também deferiu o pedido do MPRJ de sequestro do Haras Fazenda Modelo, automóveis e bloqueio de bens de R$ 8,4 milhões, correspondentes ao valor mínimo constatado em movimentações pelos criminosos. Os mandados são cumpridos por promotores e agentes da CSI/MPRJ em diversos endereços na Capital, além de Niterói e Guapimirim.

A ação deflagrada é um desdobramento das investigações que culminaram na Operação Intocáveis I movida contra integrantes da milícia de Rio das Pedras, cujo líder era Adriano da Nóbrega, miliciano que também exercia forte influência sobre o grupo de matadores de aluguel conhecido como “Escritório do Crime” (Operação Tânatos). Desta vez, os denunciados são integrantes da rede de apoio de Adriano da Nóbrega, responsáveis por lavar o dinheiro obtido por ele em suas práticas criminosas. Segundo a denúncia apresentada pelo GAECO/MPRJ em 15 de dezembro de 2020, integravam essa rede de apoio o soldado da PM Rodrigo Bitencourt Fernandes Pereira do Rego; a companheira de Adriano, Julia Emilia Mello Lotufo; Daniel Haddad Bittencourt Fernandes Leal; e o sargento da PM Luiz Carlos Felipe Martins (vulgo Orelha), tendo todos eles tido a prisão decretada. Luiz Carlos foi morto no último sábado (20/03), em Realengo, em circunstâncias ainda a serem esclarecidas. Também estão denunciados, com medidas cautelares diversas de prisão deferidas pela Justiça, Carla Chaves Fontan, Carolina Mandin Nicolau, Jefferson Renato Candido da Conceição (vulgo Sapo), David de Mello Lotufo e Lucas Mello Lotufo.

Segundo o documento, sob comando de Adriano, os denunciados praticaram crimes de agiotagem e lavagem de dinheiro em favor do miliciano. As manobras visavam à ocultação e dissimulação da origem do dinheiro ilegal obtido através dos crimes perpetrados por Adriano.

Ainda segundo a denúncia, foi identificado, que a partir do ano de 2017 até 9 de fevereiro de 2020, Rodrigo Bittencourt, Julia Lotufo, Carolina Nicolau, Daniel Haddad, Carla Fontan e Luiz Carlos Martins, sob as ordens de Adriano, atuaram na concessão de empréstimos a juros exorbitantes a terceiros (até de 22%), utilizando-se de empresas de fachada. O dinheiro investido para esses empréstimos era oriundo dos lucros auferidos pelo miliciano com as práticas criminosas da organização paramilitar em atuação na comunidade de Rio das Pedras e adjacências, além de seu envolvimento na contravenção. Tais atividades lhe rendiam recursos significativos que justificam  sua incompatível evolução patrimonial como ex-capitão da PM. Também de acordo com a investigação, a origem do dinheiro alocado para a concessão de empréstimos era dissimulada por essas empresas, com o auxílio dos agora denunciados, responsáveis pelas operações financeiras do miliciano.

Como operava o esquema

Uma das empresas utilizadas era a CRED TECH NEGOCIOS FINANCEIROS LTDA. Tendo como sócios o PM Rodrigo Bittencourt e Carolina Mandin, as investigações demonstraram se tratar de empresa de fachada  que movimentou, no período compreendido entre 1º de agosto de 2019 a 28 de abril de 2020, a expressiva cifra de R$ 3.624.531,00. Já os denunciados Jefferson da Conceição e Daniel Haddad Leal atuaram como “laranjas” no esquema de lavagem de dinheiro. Os bens dos devedores da CRED TECH eram confiscados por eles e passados para seus nomes. Daniel foi alvo de busca e apreensão em fevereiro de 2020 quando foi apreendido em seu poder a quantia de R$ 124.600,00 pertencentes à organização criminosa. A despeito de a sociedade da CRED TECH ter sido mantida ativa no campo registral, não se visualizaram operações financeiras suspeitas após a morte de Adriano.

Luiz Carlos Felipe Martins, morto no último sábado (19), é descrito na denúncia oferecida em dezembro de 2020 como homem de confiança de Adriano e que o auxiliava na administração dos valores que seriam colocados na “praça” a título de empréstimos a juros Ele era responsável por levar valores a familiares e prestadores de serviços de Adriano e pelo pagamento das despesas pessoais de Adriano com aluguel, carros, cartões de crédito. A ação penal será extinta em relação a ele.

Julia Lotufo, companheira de Adriano, era a responsável pela contabilidade e gestão financeira de Adriano dos lucros auferidos pelas atividades criminosas como a liderança da milícia de Rio das Pedras. Era a ela, também, que os denunciados Rodrigo, Daniel e Luiz Felipe se reportavam para prestar contas sobre os valores pertencentes a Adriano, que eram investidos a título de empréstimos a juros ou para a constituição de outra sociedade empresária, a LUCHO COMERCIO DE BEBIDAS, também utilizada para a lavagem de dinheiro, cujos sócios eram Rodrigo Bittencourt e Carla Fontan.

Alguns meses depois da morte de Adriano em confronto com a Polícia, Rodrigo e Carla transferiram todo o capital social da LUCHO COMERCIO DE BEBIDAS a Lucas Lotufo e David Lotufo, irmãos de Julia. A  alteração contratual evidencia, segundo os investigadores, que a denunciada Julia permaneceu agindo com o intuito de ocultar e administrar o patrimônio de Adriano, beneficiando-se diretamente do proveito dos crimes por ele praticados. A investigação constatou também que Julia, assim como Luiz Carlos Felipe, atuaram na dilapidação do patrimônio de Adriano com a venda imediata de ativos de alta liquidez. A Justiça determinou o sequestro do Haras Fazenda Modelo, de automóveis e o bloqueio das contas dos denunciados.

*Com informações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

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