Militares abrem fogo contra manifestantes em Mianmar; Forcas de segurança passam a utilizar táticas mais brutais para dispersar protestos contra Golpe de Estado

Forcas de segurança em Myanmar passam a utilizar táticas mais brutais para dispersar protestos contra golpe de Estado.
Forcas de segurança em Myanmar passam a utilizar táticas mais brutais para dispersar protestos contra golpe de Estado.

As forças de segurança de Mianmar abriram fogo contra manifestantes neste domingo (28/02/2021), no dia mais violento desde o início dos protestos contra o golpe de Estado no país, há quatro semanas.

Relatos de mortes em razão da violência policial surgem de diferentes cidades do país. A agência da ONU para os direitos humanos afirma que ao menos 18 pessoas foram mortas durante a repressão às manifestações.

O país do Sudeste Asiático vem sendo palco de manifestações populares desde que a chefe de governo Aung San Suu Kyi foi removida do poder e presa durante o golpe perpetrado pelos militares. Centenas de milhares participam de protestos e várias centenas de pessoas foram presas.

A junta militar assumiu o controle do país tenta conter o movimento popular que pede o retorno da democracia e a libertação da líder deposta. Neste domingo, as tensões se agravaram com o recrudescimento da repressão, com registros de pessoas mortas a tios em ao menos quatro cidade do país.

O Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmou ter informações de fontes confiáveis que confirmam a morte de ao menos 18 pessoas neste domingo. “Condenamos o agravamento da violência contra os protestos em Mianmar e pedimos que os militares suspendam imediatamente o uso da força contra manifestantes pacíficos”, disse uma porta-voz da agência.

Policiais disparam contra multidões 

“Durante o dia, em várias locações no país, a polícia e os militares confrontaram as manifestações pacíficas com o uso de força letal e não-letal”, afirmou o órgão em nota. “As mortes resultam do disparo de munições contra multidões em Yangon, Dawei, Mandalay, Myeik, Bago e Pokokku. Gás lacrimogêneo também foi utilizado em vários locais, assim como granadas de luz e de atordoamento.”

Se confirmada, esta já é a maior contagem de óbitos ocorridos em um dia em razão da violência policial. No sábado, as forcas de segurança passaram a utilizar táticas mais brutais e agiram para dispersar os protestos logo de início, prendendo um grande número de pessoas.

A Associação de Assistência a Prisioneiros Políticos em Mianmar relatou a prisão, acusação ou condenação de 854 pessoas até este sábado. Outras 771 estavam detidas ou sendo procuradas pelas autoridades. O grupo havia documentado 75 novas prisões, mas alertou que centenas de cidadãos já havia sido detidos em Yangon e outras cidades.

Golpe encerra curto período de democracia em Mianmar
A violência deste domingo teve início pela manhã, quando estudantes marchavam pelas ruas de Yangon, rumo a um cruzamento que se tornou ponto de encontro de manifestantes. Imagens de vídeo e fotografias mostram a polícia investindo contra as pessoas e prendendo dezenas delas.

O golpe de Estado em 1º de fevereiro reverteu a lenta transição do país para a democracia, após um regime militar de cinco décadas. O Exército tomou o poder depois de alegar fraude nas eleições de 8 de novembro, vencidas por ampla margem pela legenda governista Liga Nacional pela Democracia (NLD).

*Com informações do DW.

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Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).