Epidemiologista afirma que impactos da Covid-19 são incalculáveis do ponto de vista de custos e emocional; Debate foi promovido por Comissão da ALBA

Dr. Luciana Guerra Gallo debate situação epidemiológica da Covid-19.
Dr. Luciana Guerra Gallo debate situação epidemiológica da Covid-19.

Na manhã desta quarta-feira (17/03/2021), a Comissão Especial para Avaliação dos Impactos da Covid-19 da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) realizou a audiência pública sobre os impactos socioeconômicos da doença, com participação da especialista Luciana Guerra Gallo, mestre e doutora pelo programa de pós-graduação em Medicina Tropical da Universidade de Brasília (UNB), na área de Epidemiologia e Controle de Doenças Infecciosas e Parasitárias.

Ao iniciar sua apresentação, com base na pesquisa de pós-doutorado que vem realizando no Hospital Universitário de Brasília, a epidemiologista destacou que os impactos da doença atingem de formas diferentes os pacientes de acordo com sexo, idade, raça e, especialmente, estado socioeconômico. “É uma falácia que atinge todos igualmente. Começou com aquela história de que estávamos na mesma tempestade. Agora, já está muito claro que não estamos no mesmo barco. A gente, enquanto país, não está no mesmo barco que diversos outros países. Inclusive, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é um dos cinco piores países para se estar durante a pandemia”, disse.

De acordo com Gallo, a grande maioria dos óbitos são de negros, um índice de 60%, e de pessoas com baixa escolaridade. “A gente vê que a grande maioria das internações ocorreu com pessoas que têm ensino fundamental ou até ensino médio, não com nível superior. Isso, então, já leva a gente a fazer uma relação direta com custos, porque as pessoas sem escolaridade são pessoas que têm empregos mais instáveis, com menos direitos. Com isso, o afastamento pela doença acaba causando um impacto no orçamento familiar gigantesco”, explicou.

Ainda segundo a epidemiologista, além dos custos diretos da doença, relacionados a gastos com medicamentos, consultas, exames, transporte e alimentação para as consultas, tem também os custos indiretos, como a falta ou redução da produtividade, e os custos intangíveis, que têm relação com a redução da qualidade de vida, depressão, ansiedade, “o custo do sofrimento”, que é incalculável. “É preciso que o poder público reflita sobre como minimizar o custo, a médio e longo prazo, que deve chegar a bilhões, para não dizer na casa dos trilhões”, alertou.

Durante a audiência, a pesquisadora ainda destacou que ficou extremamente feliz com o acordo do Governo da Bahia para compra da Sputinik V. “Quanto mais, melhor. Quanto mais a gente conseguir vacinar e mais rápido a gente vacinar, mais rápido a gente consegue sair desse buraco em que a gente está nesse momento. As vacinas são amplamente conhecidas como uma das tecnologias que são mais custo-efetivas, porque você gasta um valor e o que você ganha em troca é muito grande. Financiar a vacina, comprar mais vacina, expandir as vacinas no país é, sem dúvida nenhuma, uma estratégia excelente para reduzir os custos socioeconômicos da Covid e voltar a nos encontrar nesse novo normal”, afirmou. Gallo prevê que, seguindo a velocidade da vacinação no país, toda a população só deve estar vacinada em dois anos e meio.

O deputado estadual Angelo Almeida, presidente da comissão da ALBA, ressaltou que, neste cenário, é preciso mais do que nunca, discutir e lutar por medidas para reduzir a desigualdade e amparar a população que está desassistida, principalmente sem o auxílio emergencial. “Eu tenho muita preocupação com o nível de irresponsabilidade para com a ciência, para com a boa prática e para com a ética, que esse governo está apresentando ao longo do seu histórico. Lamento que a gente esteja vivendo este momento, marcado pelo obscurantismo, pelo negacionismo. Um momento muito triste para a vida da sociedade brasileira”, declarou o parlamentar.

Próximas audiências 

No dia 31 de março, às 10h, a comissão realiza audiência pública sobre “Sequelas cardiovasculares devido à infecção pela Covid-19”. O assunto será abordado pelo médico cardiologista André Almeida, mestre e doutor em Medicina Interna pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, pesquisador de pós-doutorado do Departamento de Imagem Cardiovascular no Johns Hopkins Hospital em Baltimore – Estados Unidos, membro titular da Academia de Medicina da Bahia e vice-presidente do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Já em abril, no dia 28, às 10h, a audiência pública tratará do assunto “A sobrevivência das atividades econômicas no cenário da COVID-19”. Para o debate, a comissão convidou o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio-BA), Carlos Andrade.

Em maio, no dia 5, às 10h, a discussão será sobre o “Aumento do lixo durante a pandemia: impactos e possibilidades de uma vida sustentável”, com a consultora em sustentabilidade, Jurema Cintra, advogada e ativista de direitos humanos.

Todos os eventos serão virtuais, transmitidos por meio da plataforma Zoom e da TV ALBA. Para receber o link e participar do debate, as inscrições devem ser feitas pelo WhatsApp 71 99718-2427, enviando nome, cidade, profissão e instituição que representa.

Sobre Carlos Augusto 9704 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).