É ingênuo achar que vamos erradicar o coronavírus, diz Lothar Wieler; Autoridade epidemiológica da Alemanha afirma que humanidade terá de aprender a conviver com a covid-19 e se proteger através da vacinação

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Lothar Wieler: Vamos eliminar a gravidade da doença por meio da vacinação, mas não conseguiremos erradicá-la.
Lothar Wieler: Vamos eliminar a gravidade da doença por meio da vacinação, mas não conseguiremos erradicá-la.

O novo coronavírus não será eliminado, e a humanidade terá de aprender a conviver com ele buscando se proteger por meio da vacinação, disse o chefe do Instituto Robert Koch (RKI), a autoridade alemã para o controle e a prevenção de doenças infecciosas, nesta sexta-feira (26/02/2021).

“Este vírus não vai embora”, disse Lothar Wieler em entrevista coletiva. “Evidentemente, viveremos com o vírus. Vamos eliminar a gravidade da doença por meio da vacinação e da imunidade e nos proteger dela, mas não conseguiremos erradicá-la. É uma idealização ingênua.”

O chefe do RKI alertou a população a ficar vigilante na manutenção do distanciamento social, uma vez que há o risco de que seja desfeito o progresso no controle dos números de novas infecções, além do perigo de desencadear uma terceira onda da epidemia de covid-19.

“Junto com os desenvolvimentos positivos, estamos vendo alguns sinais claros de mudanças na tendência”, afirmou Wieler, em entrevista coletiva ao lado do ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn.

O ministro enfatizou que a campanha de vacinação na Alemanha está apresentando “os primeiros sinais de sucesso”. Até agora, a grande maioria das pessoas do grupo prioritário aceitou ser vacinada. Em alguns estados, um percentual considerável dos residentes com mais de 80 anos de idade já recebeu a vacina.

E o risco de contrair a covid-19 diminuiu significativamente para este grupo. Segundo Spahn, a taxa de incidência de sete dias para pessoas com mais de 80 anos era de 200 por grupo de cem mil habitantes em fevereiro, mas agora gira em torno de 70.

Spahn afirmou também que consultórios médicos devem fazer parte da campanha de vacinação o quanto antes. Ele informou que foram realizadas conversas com atacadistas, médicos e farmácias para discutir a logística e a remuneração.

Ao contrário da tendência de queda entre os cidadãos com mais de 80 anos, a taxa de incidência de sete dias por cem mil habitantes apresentou um leve aumento. O último relatório do RKI apontou para uma taxa de 62,6 em todo o país – no dia anterior, estava em 61,7.

Preocupação com variantes e pedido por vacinação

O RKI registrou 9.997 novas infecções de covid-19 nas últimas 24 horas, além de 394 óbitos relacionados à doença. Há exatamente uma semana, o instituto havia reportado 9.113 novas infecções e 508 mortes.

O chefe do RKI também alertou que a variante britânica – a B117 – tem se espalhado rapidamente pela Alemanha e que ela “é muito mais perigosa, para todas as faixas etárias”.

Assim como havia feito o presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, no dia anterior, Wieler também pediu aos cidadãos que não recusem uma vacina. Depois de um início lento, o ritmo da vacinação na Alemanha está em ascensão. No entanto, o ceticismo prevalece entre alguns cidadãos, especialmente quanto à vacina da farmacêutica AstraZeneca.

Recentemente, autoridades alemãs expressaram crescente preocupação com o número de doses do imunizante da AstraZeneca encalhadas nos centros de vacinação. A vacina de Oxford não está liberada para pessoas com mais de 65 anos na Alemanha, e atualmente estão sendo vacinadas no país pessoas acima de 80 anos de idade e profissionais de áreas consideradas de risco, como funcionários de instalações médicas de alto risco de exposição, assim como de asilos.

*Com informações do DW.

Sobre Carlos Augusto 9649 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).