Diante da decisão da Ford fechar fábricas, trabalhadores defendem indenização econômica e social

Após a montadora reafirmar a sua decisão de encerrar as suas atividades e alegar que a produção no Brasil não está entre os objetivos da empresa, trabalhadores e trabalhadoras da fábrica em Taubaté (SP) aprovaram manter a luta por indenização que contemplem aspectos econômicos e sociais.
Após a montadora reafirmar a sua decisão de encerrar as suas atividades e alegar que a produção no Brasil não está entre os objetivos da empresa, trabalhadores e trabalhadoras da fábrica em Taubaté (SP) aprovaram manter a luta por indenização que contemplem aspectos econômicos e sociais.

Diante da confirmação feita por executivos da Ford da intenção da montadora em encerrar a produção carros, motores e transmissões no Brasil, os trabalhadores e as trabalhadoras na Ford em Taubaté (SP) aprovaram  a reivindicação pelo pagamento de indenizações justas, durante assembleia realizada na sexta-feira (26/02/2021).

A indenização, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, deverá abranger aspectos econômicos e sociais que tem relação direta com o encerramento das atividades da fábrica e também o acordo de estabilidade no emprego dos funcionários que se encontra em vigor.

Os trabalhadores aprovaram a medida após a reunião por videoconferência realizada na quinta-feira passada, 25 de fevereiro, entre os representantes do Sindmetau e Lyle Watters (presidente da Ford América do Sul), Kevin Legel, (vice-presidente de Manufatura e Relações Trabalhistas) e John Savona (vice-presidente de Relações Trabalhistas), quando os executivos da montadora se mostraram irredutíveis em relação ao fechamento da fábrica.

Ainda durante a reunião os sindicalistas apresentaram propostas para manutenção das atividades da empresa em Taubaté, mas a direção da empresa não se sensibilizou e manteve a sua decisão de deixar o país.

“Nós não concordamos com isso. Apresentamos uma série de propostas para tentar reverter. Mas eles foram veementes de que não existe possibilidade alguma que a Ford permaneça com unidades fabris no Brasil”, explicou o presidente do Sindmetau, Claudio Batista, o Claudião.

Segundo Claudião, o sindicato apresentou resultados de estudos feitos em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) com alternativas para Ford manter as atividades no país, mas a montadora alegou que a produção no Brasil não está entre os objetivos da empresa, seja no curto, médio ou longo prazos.

Diante do fato, o próximo passo é buscar, em mesa de negociação, uma indenização que leve em conta os impactos financeiros, trabalhistas e sociais do encerramento da produção e “construir o melhor acordo possível”, afirmou Claudião.

O coordenador sindical na Ford, Sinvaldo Cruz, destacou a mobilização dos trabalhadores, que realizaram ações como vigílias e carreatas, e falou sobre a participação do Estado nas negociações.

“Apesar das dificuldades, tínhamos esperança de reverter o fechamento da Ford. Agora nosso grande desafio é garantir o melhor e mais justo acordo de indenização. Fica uma reflexão a cada trabalhador: os governos estadual e federal nos abandonaram, viraram as costas aos trabalhadores”, afirmou Sinvaldo.

A Ford anunciou no dia 11 de janeiro deste ano a sua decisão de encerrar a produção de veículos no Brasil. A decisão unilateral da montadora põe em risco o futuro de trabalhadores das plantas de Taubaté (SP), Camaçari (BA) e Horizonte (CE).

A saída da empresa do país pode provocar um impacto de mais de 124 mil empregos, entre postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos, segundo estudo do Dieese.

Acordo no TRT

A reunião do Sindmetau com os diretores mundiais do Ford foi um dos pontos do acordo firmado entre as partes no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O acordo também garantiu a manutenção dos empregos, salários e benefícios dos 830 trabalhadores da unidade até o fim das negociações.

Outro ponto desse acordo foi o retorno da produção na fábrica, que ocorreu no dia 22 de fevereiro, com cerca de 130 funcionários. Até 330 trabalhadores devem ser convocados, de forma escalonada. Quem não for chamado irá continuar em LR (licença remunerada), com salários e benefícios garantidos. A Ford está produzindo peças de reposição para o mercado.

Também no dia 22, o TRT manteve uma liminar que proíbe a Ford de realizar demissões em massa em Taubaté. O Tribunal sustentou ainda outros pontos da decisão de primeira instância obtida pelo MPT (Ministério Público do Trabalho). Entre eles, a obrigatoriedade do pagamento dos salários e licenças. A empresa segue proibida de apresentar propostas individuais aos trabalhadores e de praticar assédio moral ou negocial.

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