Cirurgia robótica na Bahia completa dois anos; Cerca de 600 pacientes foram operados em Salvador com o auxílio do robô-cirurgião

Médico urologista, André Costa Matos na sala robótica.
Médico urologista, André Costa Matos na sala robótica.

Março é o mês de aniversário da chegada do robô-cirurgião à Bahia. Há dois anos, a primeira plataforma robótica foi instalada no estado, permitindo a realização de cirurgias desta modalidade e, consequentemente, o acesso a todas as vantagens agregadas: maior precisão nos movimentos do cirurgião, mais segurança para o paciente, redução do tempo de internação, menor índice de reinternação por complicações, entre outras. A tecnologia, disponível nos Hospitais São Rafael, Aliança e Santa Izabel, já foi utilizada em Salvador para operar cerca de 600 baianos nas três unidades hospitalares desde 2019.

No Brasil, onde o robô chegou em 2008, cerca de 40 mil pacientes já se submeteram a uma cirurgia robótica. Em todo o mundo, mais de seis milhões de procedimentos robóticos já foram contabilizados desde o ano 2000, quando o primeiro robô foi aprovado pelo FDA, departamento federal de saúde dos Estados Unidos. Só no ano de 2020, os robôs participaram de aproximadamente um milhão de cirurgias, número que revela a expansão da técnica robótica nos últimos anos.

De acordo com o urologista André Costa Matos, um dos membros fundadores do Robótica Bahia – Assistência Multidisciplinar em Cirurgia, a cirurgia robótica, um marco da utilização da tecnologia na medicina, agrega muito, sobretudo pela maior segurança que proporciona ao paciente. “A visão tridimensional ampliada e a reprodução fiel dos movimentos da mão humana pelos braços robóticos permitem que o cirurgião ‘mergulhe’ no campo operatório, proporcionando maior destreza e muito mais liberdade do que em outras modalidades cirúrgicas”, destacou. Todos os movimentos do robô, que não opera sozinho, são realizados pelo cirurgião que, sentado em um console, move os braços robóticos por meio de joysticks. Para controlar os movimentos da câmera e dos diversos instrumentos que integram a tecnologia, o cirurgião precisa ser muito bem treinado e certificado.

Robótica pelo SUS

Em 2009, quando ainda era residente, André Costa Matos fez um treinamento no Global Robotics Institute, na Flórida (EUA), sob supervisão do urologista Vipul Patel, recordista mundial em prostatectomias radicais robóticas. Atualmente, após sua certificação pela Intuitive Surgical (empresa fabricante do robô), o médico baiano tem realizado cirurgias robóticas com cada vez mais frequência em hospitais da Rede D’or, onde atua no âmbito privado, mas sonha com o dia em que também poderá operar, com o auxílio do robô, seus pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), já que também trabalha nos Hospitais Aristides Maltez e Hospital das Clínicas. “O grande entrave a uma maior disseminação da tecnologia é o custo, mas acredito que, no futuro, com a expansão da oferta de robôs e a ampliação da concorrência entre fabricantes, e a partir dos resultados de estudos sobre o custo-efetividade de aquisição da plataforma robótica, esta modalidade cirúrgica passará a fazer parte tanto do rol de cobertura dos planos de saúde quanto do SUS”, declarou.

Pioneirismo

Os especialistas que integram o Robótica Bahia (RB) foram os primeiros a realizar uma cirurgia robótica tanto no Hospital São Rafael, em agosto de 2019, quanto no Hospital Aliança, em fevereiro deste ano. O pioneirismo do grupo também pode ser atestado pela participação dos cirurgiões na primeira pancreatectomia robótica (retirada parcial do pâncreas) da Bahia, primeira cistectomia radical robótica (retirada da bexiga com derivação intracorpórea), primeira lobectomia robótica (retirada parcial do fígado), primeira cirurgia bariátrica robótica e primeira cirurgia robótica para correção de refluxo gastro-esofágico realizada no estado. O I Fórum Internacional de Cirurgia Robótica da Bahia foi organizado pelo grupo em outubro de 2020, quando o RB foi lançado oficialmente.

Formado por especialistas de diferentes especialidades com ampla experiência em cirurgia robótica, o RB foi criado com o propósito de difundir o acesso robótico e seus benefícios, a fim de proporcionar melhor tratamento aos pacientes. O grupo surgiu a partir da integração de profissionais com vínculo consolidado anterior à sua formação. A forte união entre os componentes e a preocupação em democratizar o ensino e a pesquisa relacionados à tecnologia robótica são marcas do RB. Além do urologista André Costa Matos, integram o grupo os urologistas Augusto Modesto, Breno Dauster, Frederico Mascarenhas, Marcos Leal, Maurício Sanches Jorge e Ricardo Souza; o coloproctologista e cirurgião do aparelho digestivo Euler Ázaro; e o cirurgião do aparelho digestivo Paulo Amaral. Mais informações estão disponíveis no site roboticabahia.com.br.

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