CEDEBA completa 27 anos e se reinventa com a pandemia

Farmácia do Centro Diabetes e Endocrinologia das Bahia.
Farmácia do Centro Diabetes e Endocrinologia das Bahia.

Na história de dificuldades e lutas para criação e manutenção do Centro Diabetes e Endocrinologia das Bahia (CEDEBA), que completa 27 anos nesta quarta-feira (24/03/2021), a pandemia de Covid-19 significou um grande desafio. “Foi preciso dar a volta por cima, se reinventar com muitas mudanças, que se se tornaram realidade graças ao compromisso e dedicação da equipe”, como destaca a fundadora e diretora do importante Centro de Referência, a endocrinologista Reine Chaves. Durante a pandemia, o Cedeba continua prestando assistência de qualidade, cuidando do ensino e da pesquisa e ampliando as ações de educação para usuários e profissionais da Atenção Primária de Saúde (APS).

Marco na história da saúde pública na Bahia, o Cedeba nasceu do sonho de um grupo de profissionais de saúde, capitaneado por Reine Chaves, com a missão de tratar, de forma humanizada e qualificada, pacientes diabéticos e portadores de endocrinopatias de todo o território baiano. A unidade chega aos 27 anos sem comemorações presenciais, devido à necessidade do distanciamento social, “mas celebrando os importantes avanços que estão possibilitando continuar chegando perto dos nossos usuários que se encontram por toda a Bahia, tão vasta e com realidades tão diferentes nos seus 417 municípios”, ressalta a diretora.

Avanços continuam

Um dos mais importantes centros de especialidades médicas do Estado, o Cedeba tem como maior parte dos seus usuários — mais de 50% — pessoas com diabetes e obesidade, embora ofereça tratamento especializado para várias endocrinopatias, como distúrbios do crescimento, doenças da tireoide, puberdade precoce, entre outras. “Para criar o Cedeba, fomos movidos pela vontade de qualificar o atendimento ao paciente com diabetes. Sabíamos que, epidemiologicamente, o diabetes iria se tornar uma doença endêmica e, por isso, o Estado precisaria de uma unidade especializada”, relembra Reine Chaves.

Há um ano, quando começou a pandemia da Covid-19, “precisávamos continuar assistindo nossos pacientes, mas sem atendimento presencial porque diabetes e obesidade são comorbidades que aumentam as chances de complicações e morte pela Covid-19”, observa a diretora do Cedeba. O atendimento presencial nos ambulatórios foi suspenso, mas houve importantes avanços com a Telemedicina, inicialmente com dificuldades, mas trazendo novas conquistas para a unidade, como a informatização de todos os consultórios. “Fomos vencendo barreiras, com novos avanços a partir da aquisição de unidades de webcam, telefones celulares, para chegar mais perto dos nossos usuários”, analisa.

De acordo com a diretora, o Cedeba saiu na frente com a Telemedicina na pandemia. Ela acredita que essa nova forma de consulta veio para ficar, associada ao atendimento presencial. De forma remota, a consulta chegou perto dos seus pacientes, garantindo a segurança nos tratamentos e implantando serviços que já estavam sendo gestados, mas que chegaram mais cedo em razão da pandemia, como a Teleconsultoria Especializada, por meio do Telecedeba, que utiliza a Plataforma do Telessaúde-BA.

A Plataforma também está sendo utilizada para a admissão de pacientes da APS. O novo modelo, como destaca a diretora do Cedeba, Reine Chaves, “foi concebido pela necessidade de atender a população de um Estado com grande dimensão territorial e também descentralizar atendimentos de pacientes com doenças crônicas, ainda realizados na capital”.

Todo o processo para a implantação do novo modelo de admissão foi coordenado por Reine Chaves, tendo sido maturado e consolidado a partir da experiência com teleconsulta e teleorientação com a pandemia da Covid-19. “Com a Teleconsultoria Especializada do Cedeba, a unidade poderá ampliar o atendimento para os casos que exigem a atenção de um centro de Referência, enquanto profissionais da APS com a orientação especializada, prestam assistência com retaguarda dos profissionais do Cedeba”, avalia a diretora.

Na pandemia, além das consultas com o uso da Telemedicina, usuários do Cedeba contam com profissionais de Psicologia, Nutrição, Fisioterapia e Serviço Social por meio do Teleatendimento. Mais do que nunca, foi preciso garantir aos pacientes assistência multiprofissional, em razão dos graves problemas advindos com a pandemia e que impactam na vida da população em geral.

A diretora ressalta ainda que o Cedeba também se reinventou no seu forte trabalho de educação. O trabalho presencial realizado na Brinquedoteca com os pequenos pacientes precisou ser suspenso, bem como as sessões de atualização para os profissionais da APS sobre diabetes e os grupos de convivência, ação da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede – Codar. Também pararam as sessões de acolhimento e ciclo de palestras do Núcleo de Obesidade. O Cedeba manteve o seu trabalho educativo com a produção de vídeos educativos, contemplando diferentes áreas. “Foi o uso da tecnologia que possibilitou continuar fortalecendo as ações de educação diante da interrupção das ações presenciais por causa da pandemia”, destaca Reine Chaves.

Farmácias abertas

O cuidado do Cedeba para garantir assistência aos usuários passou por manter as farmácias abertas, mas funcionando em consonância com as normas da Anvisa e orientações da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia. Os exames de imagem e de laboratórios também estão assegurados para garantir assistência de qualidade.

Neste governo, o movimento de pacientes do interior para buscar medicações no Cedeba já é menor porque foi implantada a descentralização da dispensação para os medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF), onde se incluem os análogos insulina, por meio dos Núcleos Regionais de Saúde. Mas, para as medicações da Farmácia Básica, a dispensação para os pacientes continua sendo feito pelo Cedeba, também responsável pela aquisição, porque são únicos para Centros de Referência.

Somente em setembro, o atendimento presencial nos consultórios foi retomado, de forma gradual, continuando o atendimento remoto. Para isso, foi constituído Grupo de Trabalho (GT), que analisou todos os aspectos sanitários e de logística para o retorno com segurança. “Cada passo do trabalho foi amplamente discutido a avaliado pelo Colegiado de gestão”, observa a diretora do Cedeba.

Luta cotidiana

A construção do Cedeba foi uma luta cotidiana nesses 27 anos, passando pelas dificuldades inerentes do serviço público, “mas contando sempre com o apoio de todos os gestores, da equipe e também dos pacientes que sempre acreditaram nesse sonho,” observa a diretora do Centro de Referência.

“Desde o início da pandemia, os servidores do Cedeba mostraram amor ao trabalho, compromisso, coragem e dedicação para enfrentar mudanças no fazer diário. E mudar é sempre muito desafiador. Muitos enfrentaram a Covid-19, mas graças a Deus não perdemos servidores”, refletiu. O momento do aniversário do Cedeba é, portanto, de agradecer a Deus pela força para superar as dificuldades e à equipe “pelo grande empenho para enfrentar essa grave crise na saúde.

Ampliação

A instituição começou com duas salas no Hospital Geral Roberto Santos, em 1994, e a atual unidade, que já funciona há 18 anos, tem 3,3 mil metros quadrados. Nos seus 27 anos, um presente muito importante: o anúncio do início das obras de ampliação do Cedeba. “Nosso agradecimento ao secretário da Saúde, Fábio Vilas-Boas, pelo total apoio para conseguirmos as sonhadas obras de reforma e ampliação, de grande importância, porque a bitola das instalações atuais já não comporta a velocidade que o Cedeba desenvolve”, concluiu Reine Chaves

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