Advogado revela elemento que pode confirmar tese de possível ‘Sindicato do Crime’ operando no interior do MPF; Carlos Castro diz que força-tarefa do Caso Lava Jato operou mercado de delação e que advogados devem ser investigados

Advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay) denuncia a existência de um "mercado de delações".
Advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay) denuncia a existência de um "mercado de delações".

O site UOL, em portagem publicada neste sábado (27/03/2021), com título ‘Kakay: ‘Lava Jato tem mercado de delação; advogados devem ser investigados”, traz novos elementos que podem confirmar a existência de um possível ‘Sindicato do Crime operando no interior do Ministério Público Federal (MPF).

Segundo reportagem do UOL, o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay) denuncia a existência de um “mercado de delações” ao longo da Operação Lava Jato. No Baixo Clero #79, ele cobra investigação de juízes, procuradores e até de advogados ligados às investigações.

“Eu falo isso há seis anos: existia um mercado de delação. Eu mesmo tive um cliente que me chamou e disse: ‘Kakay, eu te paguei, confio em você, mas recebi a notícia que devo procurar o advogado tal, ligado ao procurador tal e, aí, vou conseguir sair”, diz o advogado (veja a partir de 27:10 no vídeo acima).

Kakay questiona o fato de este mercado de delações ser “público” em Curitiba e que a imprensa “contribuía para isso”. Segundo ele, as delações tinham como fim chegar a nomes de impacto para a operação, como o do ex-presidente Lula.

A mudança só ocorreu na última instância da Justiça. “Quando chegou ao Supremo (STF), as coisas começaram a ser enfrentadas dentro do direito constitucional. As delações tiveram um enfrentamento mais sério”, afirma (ver a partir de 26:45 no vídeo).

Em sua participação, o criminalista destaca a comprovação de que o ex-juiz Sergio Moro “produzia provas” com os procuradores do Ministério Público de Curitiba.

Também cobra uma apuração rígida e ampla de tudo o que aconteceu na trajetória da Lava Jato. “Digo mais: advogados que trabalhavam em delação também devem ser investigados, porque faziam parte deste conluio”, afirma (ver a partir de 15:10 no vídeo).

Ele considera como “técnica” a decisão do ministro Edson Fachin ao considerar a 13ª Vara de Curitiba incompetente para julgar o ex-presidente Lula, o que causou a anulação todas as suas condenações.

“Moro cometeu uma série de abusos que prejudicou enormemente o sistema de Justiça. Ele pegou casos porque tinha interesse político”, diz (assista a partir de 44:00 no vídeo).

Agora, para ele, as provas usadas para incriminar e condenar Lula serão, a partir deste momento, analisadas como provas contra Moro e os procuradores da Lava Jato, como Deltan Dallagnol.

“Quatro ex-presidentes da associação dos procuradores da República fizeram uma carta duríssima pedindo a investigação dos procuradores. Esses procuradores [de Curitiba] não representam o Ministério Público”, afirma (veja a partir de 40:50 no vídeo).


Referência

[1] Operação Spoofing revela Sindicato do Crime

As mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) durante deflagração da Operação Spoofing, ocorrida em 23 de julho de 2019, com o objetivo de investigar as invasões às contas de Telegram de membros da força-tarefa do caso Lava Jato em Curitiba e do, à época da Operação, ministro Sérgio Moro, então juiz federal encarregado do caso, revelaram possível conluio com procuradores da República, cujos protagonistas usaram linguagem vulgar, cuja tipicidade é de facínoras e se encontram distante do que se espera dos mais bem remunerados servidores da República. O que levanta a hipótese de que uma espécie de ‘Sindicato do Crime’ parece ter operado através da força-tarefa do Caso Lava Jato, no Ministério Público Federal (MPF), em conluio com juízes federais, policiais federais e membros da Receita Federal.

A tese de formação e operação do “Sindicato do Crime’ ganhou verossimilhança processual durante julgamento da 2ª Turma do STF, ocorrido em 9 de março de 2021 (terça-feira), na qual foi analisada o Habeas Corpus (HC) interposta pela defesa do ex-presidente Lula, quando o presidente da Turma, ministro Gilmar Mendes, passou a ler e comentar a troca de mensagens entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador da República Deltan Dallagnol, à época, chefe da força-tarefa do Caso Lava Jato em Curitiba, com os demais membros do esquema, identificando hierarquia e comando persecutório partindo do juiz, que atuou em conluio com os procuradores da República.

As digressões analíticas do ministro Gilmar Mendes foram apoiadas pelo ministro Ricardo Lewandowski, que comprovou a autenticidade e veracidade das mensagens apreendidas durante a Operação Spoofing e demonstrou estupor diante do elevado índice de corrupção protagonizado pelos membros do que pode ser avaliado como uma sofisticada Organização Criminosa (ORCRIM), cujos efeitos nefastos afetaram os direitos civis do ex-presidente da República, com reflexos sobre a vida política e econômica do país.


Confira vídeo

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