Salvador: Futurismos Ladinos Amefricanas lança exposição online

Jeisiekê é uma das artistas selecionadas através de uma convocatória para celebrar.
Jeisiekê é uma das artistas selecionadas através de uma convocatória para celebrar.

A plataforma orgânica multidisciplinar online Futurismos Ladino Amefricanas (F.L.A), idealizada pela feminista negra, pesquisadora, produtora cultural e artista interdisciplinar Sanara Rocha, estreia a exposição online Abre O Olho – Jikula Ô Messu a partir do dia 17 de fevereiro, com trabalhos visuais apoiados na técnica fotoperfomance. Com 68 inscrições, de todos os territórios do país, os trabalhos que estarão expostos em site na plataforma Wix cujo link será disponibilizado no perfil do instagram do projeto (@futurismos_la) são memórias que desconstroem o pensamento dominante e normativo, bem como reinventa mundos e possibilidades de existência.

As contribuições e experiências de luta dos povos negros e indígenas nas Américas serão vistos nos trabalhos de seis artistas convidades e de outros seis artistas selecionades através de uma convocatória que contou com a curadoria de Sanara Rocha, Diega Pereira e Jeisiekê de Lundu. A exposição deságua em uma revista gratuita e também online como forma de potencializar a memória não somente como um espaço de lembranças traumáticas, de dores, de angústia, mas de resistência e cura.

O público poderá ver as obras das (os) artistas Keila Serruya Sankofa (AM), Bárbara Matias Leite (CE), Maria do Rio Negro (AM), Dyó Potyguara (PB), Fábio Duarte (BA) e Gaby Farias (RS), todes artistas selecionades. “Escolhemos seis artistas que nos apontam a perspectiva de uma retomada desse legado ameríndio e que nos trazem tecnologias de criação, resiliências e de cosmovisões múltiplas acerca do continente Ladino Amefricano e de seus imaginários que agem, vislumbram a potencialização do corpo, aqui agora”, trouxe Diega Pereira, curadora da exposição.

Entre as fotoperfomances, que devem versar sobre os saberes negro-indígenas brasileiros bem como as suas ressignificações no contexto da contemporaneidade como possibilidade tecnológica na construção de um futuro-presente, foram convidadas ainda as artistas visuais Laís Machado (Ba), Tina Melo (Ba), Raiz Rosados (Ba), Ricardo Andrade (Ba), Dani de Iracema (Ba), Doroty Ruany (Pb), Atteus Shamaxy (Pa).

Rompendo com as estruturas hierárquicas, sexistas e racistas por meio da explicitação das potencialidades advindas de artistas descendentes dos povos negros e indígenas, as seleções para a exposição tiveram reserva de 50% das vagas (3) da exposição para indígenas aldeadas ou autodeclaradas indígenas, e alcançou este objetivo com a diversidade expressa nos trabalhos e no conjunto de artistas que construirão a exposição.

“Entre santos, búzios, encantados, rosários, velas, torés, patuás, umbandas, mineiros, candomblés, tambor de mina, batuques, bate-folhas e rodas bembés, a ancestralidade percutida no corpo revela diferentes modos para pisarmos nesse chão. Basta olharmos com o olho de dentro da cabeça” aponta um trecho do manifesto curatorial. “O processo de curar os trabalhos inscritos para essa exposição na verdade foi mais como um processo de construção do que de seleção”, enfatiza Sanara Rocha.

Além de lançar luz sobre as identidades negro-indígenas e suas cosmologias e cosmogonias por uma perspectiva não colonial e universalizante, versando-as como fluidas e multifacetadas, a curadoria, composta por Jeisiekê de Lundu, Diega Pereira e Sanara Rocha, trouxe já na sua composição diversidade e seguiram em busca de mais representatividade.

Para Jeisiekê de Lundu, mulher trans e curadora da exposição, o desejo pode ser o motor para a criação, mas é a observação, a escuta e a sensibilidade para olhar que faz com que exista um diálogo entre a curadoria e as obras das artistas. “Foi isso que fizemos, paramos para olhar, enxergar, apurar a vista, antes de qualquer critério ser colocado na mesa, passei água nos olhos e procurei ver esses feitiços visuais, respeitar as histórias que nos foram oferendadas. Essa exposição pode ser um convite para que lavemos todas os nossos olhos e assim enxergarmos esses futurismos ancestrais”, destacou Jeisiekê.

Pereira complementa que para chegar a seleção final foi preciso criar métodos conceituais. “Buscamos uma multiplicidade de corpas, quanto a geopolítica brasileira, equidade étnica quanto aos indígenas tanto autodeclarados e aldeados, equidade de gênero e a capacidade de comunicação do trabalho artístico, qualidade técnica e a capacidade de subversão da própria linguagem, capacidade de criar utopia e diálogo com o conceito de Ladino Amefricanidade”, completou Diega.

A última ação do Futurismos Ladino Amefricanas é a obra interdisciplinar A Mulher Sem Cabeça, performance-ensaio rito-tocada dividida em dois experimentos audiovisuais a serem estreados no mês de abril e com atuação de Sanara Rocha. O projeto é contemplado pelo Prêmio Anselmo Serrat de Linguagens Artísticas, da Fundação Gregório de Matos, Prefeitura de Salvador, por meio da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc, com recursos oriundos da Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Governo Federal.

Agenda

O que: Exposição online do projeto Futurismos Ladino Amefricanas (F.L.A.)

Quando: 17 de fevereiro de 2021

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