Revelações sobre atuação do general da reserva Eduardo Villas Bôas em atos de tutela do Regime Democrático apresentam indício de ato criminoso de servidor federal

Declarações do general da reserva Eduardo Villas Bôas revelam ataque ao Regime Democrático.
Declarações do general da reserva Eduardo Villas Bôas revelam ataque ao Regime Democrático.

A deputada federal e presidenta do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann (PR), reagiu às revelações de bastidores do tuíte feito pelo general Villas Bôas em abril de 2018 para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) às vésperas do julgamento do Habeas Corpus (HC) do ex-presidente Lula.

“Se o general queria controlar sua tropa, como alega, devia ter feito uma ordem do dia lembrando a Constituição. Prender seus insubordinados e não ameaçar o STF para prender Lula”, disse Gleisi. “Isso é gravíssimo e exige reação das instituições democráticas”, cobrou ela.

Em matéria publicada neste domingo, 14, o jornal Folha de S. Paulo informa que “ao menos três ministros do governo Bolsonaro e o atual chefe da Força souberam da nota”, o que torna ainda mais grave o ocorrido.

Segundo a matéria, “o relato de Villas Bôas (em seu livro) envolve diretamente três ministros de Bolsonaro, pois ele afirma que discutiu o tema com sua equipe e com os integrantes do Alto-Comando do Exército, o colegiado de 15 generais de quatro estrelas, o topo da hierarquia”.

Ao agir assim, antes de coibir a ação dos insubordinados, o então comandante das FFAA, que devia zelar pelo respeito à hierarquia nas tropas, optou por avalizar a indisciplina.

“É grave! Villas Bôas confessa que o Exército intimidou o STF e outras instituições para garantir a eleição de Bolsonaro. A nossa democracia permanece em risco”, advertiu o senador Rogério Carvalho (PT-SE).

Para o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), as recentes manifestações do general Villas Bôas deixam claro que os militares exigiram que o STF não desse a liberdade a Lula. “Isso explica a presença dos 11 mil militares no governo e a adesão à aventura autoritária que resultou na ‘solução cloroquina’ com 240 mil mortos”, afirmou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

Na época, o texto das postagem do general Villas Bôas foi lido na íntegra no encerramento do Jornal Nacional (JN), da Rede Globo, por William Bonner. Na apresentação do conteúdo, Bonner destacou o fato de Villas Bôas “não ter feito referência ao julgamento do habeas corpus de Lula no STF”.

Então senadora, Gleisi denunciou a escandalosa a pressão da Rede Globo sobre o STF para negar o direito de Lula se defender em liberdade. Na sequência, a postagem do general Villas Bôas ganhou apoio de outros generais da reserva, também nas redes sociais.

No dia seguinte, 5, diante do resultado da votação que derrotou o HC por seis votos a cinco, outro futuro ministro do governo Bolsonaro, Sergio Moro, decretou a prisão de Lula.

“O despacho desta quinta-feira (5) do juiz Sérgio Moro, em que ele manda prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi possível porque, na sessão de quarta (04/02/2021) do Supremo Tribunal Federal (STF), a maioria dos ministros, por seis votos a cinco, rejeitou o pedido de habeas corpus da defesa de Lula, que queria evitar que ele fosse preso antes da análise de recursos em outras instâncias da justiça”, festejou o JN.

Afastar Lula da eleição

“O Alto Comando atuou decisivamente pra impedir o habeas corpus de Lula e a sua atuação nas eleições de 2018. Lula tinha 40% nas pesquisas mesmo preso”, afirmou o deputado federal Carlos Zarattini em suas redes sociais.

“Graças a esse Twitter (intervenção) vivemos hoje uma crise sanitária com mais de 230 mil mortes, mais 30 milhões de trabalhadores sem emprego e um governo absolutamente sem capacidade”, continuou .

“Os militares participam fortemente do governo e serão responsabilizados pela ruína do país junto com Paulo Guedes e Bolsonaro”, completou Zarattini.

*Com informações do Jornal Folha de S. Paulo.

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