Primeiro lote de insumos para vacina AstraZeneca chega ao Brasil

Material para a produção local de vacinas chega com atraso de um mês, empurrando cronograma de produção da Fiocruz para março de 2021. Inicialmente, fundação esperava entregar primeiras doses na semana que vem.
Material para a produção local de vacinas chega com atraso de um mês, empurrando cronograma de produção da Fiocruz para março de 2021. Inicialmente, fundação esperava entregar primeiras doses na semana que vem.

O primeiro lote do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) para a produção das vacinas Oxford/AstraZeneca pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) chegou neste sábado (06/02/2021) ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. O material deve finalmente possibilitar a produção dessa vacina contra a covid-19 em território nacional, após seguidos atrasos.

O insumo foi fabricado no laboratório Wuxi Biologics, na China, de onde partiu da última quinta-feira. O laboratório chinês foi vistoriado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim do ano passado e é parceiro da farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca, que desenvolveu a vacina em parceria com a Universidade de Oxford, do Reino Unido.

O IFA será transportado para o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), na zona norte do Rio de Janeiro. Lá, após checagens de controle de qualidade, o insumo deve ser liberado na próxima quarta-feira para descongelamento, já que precisa ser transportado a -55°C. O degelo precisa ser feito lentamente, e somente na próxima sexta-feira, deve ter início a formulação do lote de pré-validação, necessário para garantir que o processo de produção da vacina está adequado.

Atrasos

Originalmente, o material estava previsto para chegar em janeiro. Parte da imprensa brasileira chegou a apontar que a hostilidade do governo Bolsonaro contra a China nos últimos meses havia provocado os atrasos. Já os chineses afirmaram que a liberação ocorreu por questões técnicas e burocráticas. Ainda assim, o governo teve que mobilizar sua máquina diplomática e até a Câmara Federal se envolveu nas negociações para a liberação.

Com o atraso, a produção em larga escala de vacinas pela Fiocruz ficou para a metade março. Em dezembro, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, havia dito que as primeiras entregas ocorreriam na segunda semana de fevereiro, com a entrega de 1 milhão de doses entre os dias 8 e 12 e mais 1 milhão de doses na semana seguinte. A partir daí, seriam produzidas 700 mil doses diárias da vacina. Agora, a entrega do primeiro lote de 1 milhão de vacinas só deve ocorrer entre os dias 15 e 19 de março.

Em dezembro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, havia anunciado planos ainda mais grandiosos, falando em 15 milhões de vacinas ainda em janeiro, apesar do cronograma mais conservador da Fiocruz. Diante dos atrasos, o Ministério da Saúde importou em janeiro 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca de um laboratório da Índia, mas até mesmo essa carga sofreu com atrasos. Até o momento, essas 2 milhões de doses prontas foram as únicas que o governo federal conseguiu distribuir até o momento. O grosso da campanha de imunização vem sendo executada com doses de Coronavac, a vacina promovida pelo governo de São Paulo, e que havia sido inicialmente rejeitada pelo Planalto.

Apesar dos atrasos na chegada do insumo, a Fiocruz afirma que é possível manter o compromisso de entregar 100 milhões de doses até julho, como havia sido anunciado anteriormente.

Os termos do acordo entre a Fiocruz, a AstraZeneca e a Universidade de Oxford preveem que, inicialmente, o Brasil vai produzir a vacina com IFA importado. Posteriormente, Bio-Manguinhos vai nacionalizar a produção do insumo, o que deve ocorrer no segundo semestre, a partir de um processo de transferência de tecnologia. Após a nacionalização do IFA, a Fiocruz prevê produzir mais 110 milhões de doses até o fim deste ano, chegando a um total de mais de 210,4 milhões de doses.

*Com informações do DW.

Redação do Jornal Grande Bahia
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