Presidente Jair Bolsonaro identifica ‘Sindicato do Crime’ em atuação de procuradores da República do Caso Lava Jato; Família do mandatário foi perseguida e ocorreu tentativa de cooptação do Poder da República

Jair Bolsonaro acusa sindicato do crime instalado no MPF de tentar cooptar presidência da República. Operação Spoofing revelou evidências de possível organização criminosa operando no interior do MPF, através de membros da força-tarefa do Caso Lava Jato. Bolsonaro acusa Deltan Dallagnol e diz que diálogos revelam perseguição à família.
Jair Bolsonaro acusa sindicato do crime instalado no MPF de tentar cooptar presidência da República. Operação Spoofing revelou evidências de possível organização criminosa operando no interior do MPF, através de membros da força-tarefa do Caso Lava Jato. Bolsonaro acusa Deltan Dallagnol e diz que diálogos revelam perseguição à família.

Reportagem de Murilo Fagundes, publicada nesta sexta-feira (26/02/2021) no site Poder360, revela que o presidente Jair Bolsonaro disse que houve “perseguição” à família e que o fato foi revelado através das trocas de mensagens entre o procurador da República Deltan Dallagnol e os associados da força-tarefa do Caso Lava Jato.

As críticas foram publicadas nas páginas oficiais das redes sociais do mandatário, que pontuou a verossimilhança de uma espécie de ‘Sindicato do Crime’ operando no interior do Ministério Público Federal (MPF), com a finalidade de cooptar o Poder República.

Em nota, os procuradores negaram os fatos. Mas, o presidente pode dar uma ordem executiva de investigação federal sigilosa com a finalidade de verificar possível incidência de crime contra a presidência da República, fato que não seria único, haja visto o que ocorreu quando o então juiz Sérgio Moro respondeu à processo criminal por ter quebrado o sigilo telefônico da, à época, presidente Dilma Rousseff.

O presidente pode requisitar, inclusive, que a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) atue no caso, observando que setores da Polícia Federal (PF), Receita Federal (RF), Ministério Público Federal (MPF) e Justiça Federal (JF) podem, em tese, fazer parte deste possível ‘Sindicato do Crime’.

Presidente da República denunciou conluio do ‘Sindicato do Crime’

Segundo o presidente Jair Bolsonaro, “além de quebra criminosa de sigilos”, houve “a tentativa de cooptar o entorno do Presidente da República para a escolha do PGR [procurador-geral da República] em 2019”.

Na publicação, Bolsonaro compartilhou um texto no qual está a foto do filho mais velho do presidente e senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), investigado por comandar um suposto esquema do Caso das Rachadinhasj Assembleia Legislativa no Rio de Janeiro (ALERJ).

“Dallagnol querer dizer ser brincadeira tais diálogos, demonstra querer fugir de sua responsabilidade”, escreveu o presidente.

Bolsonaro diz que as mensagens do vazamento foram trocadas em 2019, quando ele já era presidente da República. E finaliza afirmando: “ISSO É CRIME! (sic)”.

Flávio Bolsonaro compartilhou a mesma mensagem para os inscritos em seu canal no Telegram nesta 6ª feira (26.fev).

Em 12 de fevereiro, o presidente Jair Bolsonaro disse que foi citado nas mensagens apreendidas pela Polícia Federal e obtidas por hackers que invadiram celulares de autoridades brasileiras, como o ex-juiz Sergio Moro e procuradores da Lava Jato.

A apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou na ocasião que solicitaria acesso ao conteúdo para depois divulgá-lo.

“Para que não haja dúvida, mandei pedir aquela matéria hackeada que está na mão do PT, do Lula, onde tem meu nome lá. Alguma coisa já passaram para mim. Vocês vão cair para trás. Chegando eu vou divulgar. O Lula não vai, já falou que não vai. Eu vou divulgar”, disse.

As conversas, atribuídas a procuradores da operação Lava Jato, como Deltan Dallagnol, e a Moro, mostram que o então juiz federal fazia pedidos e orientações ao colega. O ex-ministro também informava ao então coordenador da Lava Jato no Paraná, antecipadamente, medidas judiciais adotadas contra investigados. Tanto Moro quanto os procuradores não reconhecem a autenticidade das mensagens.

Em 9 de fevereiro, por 4 votos a 1, os ministros da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) mantiveram a decisão de Ricardo Lewandowski que garantiu ao ex-presidente Lula o acesso aos diálogos.

Segundo Bolsonaro, autoridades teriam falado sobre a vida financeira dele e de sua família nas mensagens.

“Você vê a perseguição ali, conversa de autoridades, falando como é que entravam na minha vida financeira, da minha família. Você tem que entrar, mas tem que ter ordem judicial”, declarou a apoiadores.

O presidente afirmou que quer “pegar o cara que vendia informações dentro do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF)”.

“Já tenho alguma coisa que tem chegado para mim, agora vou conseguir, espero que o Supremo me dê. Deu para o Lula, já que a imprensa diz que meu nome tá lá dentro, dê para mim também”, completou.

Procuradores da República do Caso Lava Jato negam os fatos

Em nota, os procuradores da República que integraram a força-tarefa do Caso Lava Jato esclarecem sobre recentes divulgações de mensagens, elencando os seguintes itens:

  1. Os procuradores da República que integraram a força tarefa Lava Jato reafirmam que não reconhecem a autenticidade e a veracidade das mensagens criminosamente obtidas por hackers que estão lhe sendo atribuídas. Os supostos diálogos constantes nessas mensagens, editados, descontextualizados e deturpados, vêm sendo utilizados de forma deliberada e sistemática para fazer falsas acusações contra a operação, sem correspondência na realidade, por pessoas movidas por diferentes interesses que incluem a anulação de investigações e condenações.
  2. No caso específico, ainda que os diálogos tivessem ocorrido da forma como apresentados – embora não se reconheça o seu conteúdo, seja pelo tempo, seja pela ordem em que são apresentados, seja pelo conteúdo – as mensagens sobre as investigações envolvendo o presidente mostram, evidentemente, somente uma brincadeira entre colegas de trabalho.
  3.  Qualquer interpretação diferente que se faça da questão seria totalmente contrária ao contexto jocoso revelado pelas próprias supostas mensagens.
  4. Some-se que qualquer interpretação diferente não tem qualquer amparo na realidade. A força-tarefa do caso Lava Jato em Curitiba tinha atribuição limitada à investigação de crimes relacionados às empresas do Grupo Petrobras, de forma que nunca realizou, absolutamente, quaisquer investigações em relação ao atual presidente ou a sua família. Assim, não tinha acesso a quaisquer informações, sendo absurdo que pudesse ter vazado dados a que jamais teve acesso. As investigações a respeito da família do presidente sempre estiveram a cargo do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP/RJ), não guardando qualquer relação com a força-tarefa Lava Jato no Paraná.
  5.  Por fim, na época, as notícias davam conta de que o senador Flávio Bolsonaro defendia a tese de que o Coaf precisava de autorização judicial para compartilhar informações com o Ministério Público, o que não teria acontecido na sua investigação. É possível que os procuradores tenham feito comentários sobre esse e outros fatos envolvendo a investigação sobre a família do presidente, a partir das notícias de imprensa, mas sem qualquer conhecimento ou atuação direta sobre os fatos e provas do caso.
  6. Assim, a circunstância de meramente se fazerem comentários sobre fatos publicados na imprensa a esse respeito, ou sobre outras investigações públicas não relacionadas à Lava Jato, se ocorreram do modo como publicados, não significa ou autoriza a conclusão leviana de que existiria investigação em desfavor do atual presidente ou seus familiares.

ORCRIM no MPF

As mensagens apreendidas durante a Operação Spoofing, deflagrada pela Polícia Federal em 23 de julho de 2019, revelaram evidências de possível organização criminosa (ORCRIM) operando no interior do Ministério Público Federal (MPF), em conluio com o juiz encarregado do Caso Lava Jato em Curitiba.

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