Presidente Jair Bolsonaro demite Roberto Castello Branco da Petrobras; General Joaquim Silva e Luna assume comando da estatal

Antes de ser demitido, Roberto Castello Branco dizia não pretender pedir demissão da companhia, apesar de pressões do presidente Jair Bolsonaro, devido a questões relacionadas a aumentos dos combustíveis.
Antes de ser demitido, Roberto Castello Branco dizia não pretender pedir demissão da companhia, apesar de pressões do presidente Jair Bolsonaro, devido a questões relacionadas a aumentos dos combustíveis.

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta sexta-feira (19/02) a demissão do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, e indicou para o cargo o general Joaquim Silva e Luna, ex-ministro da Defesa de Michel Temer e atual diretor-geral da Itaipu Binacional.

“O governo decidiu indicar o senhor Joaquim Silva e Luna para cumprir uma nova missão, como conselheiro de administração e presidente da Petrobras, após o encerramento do ciclo, superior a dois anos, do atual presidente, senhor Roberto Castello branco”, afirma um comunicado publicado no perfil de Bolsonaro no Facebook.

A demissão de Castello Branco vem em meio a críticas do presidente contra a política de preços da Petrobras, após sucessivos aumentos dos combustíveis anunciados pela estatal.

Em transmissão ao vivo nas redes sociais na quinta-feira, Bolsonaro já havia criticado a Petrobras e seu presidente, e antecipado que faria mudanças na empresa. “Não tem quem não ficou chateado com o reajuste”, afirmou o presidente, sobre a mais recente alta nos preços dos combustíveis.

A Petrobras havia informado que, a partir desta sexta-feira, o preço da gasolina nas refinarias subiria 10,2% e o do diesel, 15%, no quarto reajuste anunciado só neste ano.

Bolsonaro também ficou irritado com uma declaração feita por Castello Branco em janeiro, quando disse que a ameaça de greve dos caminhoneiros, que buscava pressionar pela redução do preço do diesel, não era problema da estatal, que pratica preços de paridade internacional.

“Este é um problema que não é da Petrobras”, afirmou Castello Branco na época. Na transmissão de quinta-feira, o presidente afirmou que a fala “obviamente” teria consequências.

“Você vai em cima da Petrobras e ela fala: ‘Opa, não é obrigação minha’. Ou, como disse o presidente da Petrobras, há questão de poucos dias, né: ‘Eu não tenho nada a ver com caminhoneiro. Eu aumento o preço aqui, não tenho nada a ver com caminhoneiro’. Foi o que ele falou, o presidente da Petrobras. Isso vai ter uma consequência, obviamente”, disse Bolsonaro.

Já nesta sexta-feira, em visita a Pernambuco, o presidente reiterou suas ameaças de interferência na estatal petrolífera, embora tenha negado que busca interferir na empresa.

“Anuncio que teremos mudança, sim, na Petrobras. Jamais vamos interferir nesta grande empresa e na sua política de preços, mas o povo não pode ser surpreendido com certos reajustes”, afirmou.

Perda no valor de mercado

Após as críticas de Bolsonaro aos reajustes e sua promessa de mudanças na estatal, a Petrobras perdeu R$ 28,2 bilhões em valor de mercado nesta sexta-feira. As declarações do presidente foram entendidas no mercado como uma ameaça à independência da empresa.

As ações preferenciais da Petrobras (PETR4), mais negociadas, fecharam em queda de 6,62%, enquanto as ações ordinárias (PETR3), com direito a voto, recuaram 7,91%. Assim, o valor da empresa despencou de R$ 383 bilhões na quinta-feira para R$ 354,8 bilhões nesta sexta.

Troca de comando

Roberto Castello Branco havia sido indicado por Bolsonaro para o cargo de presidente da Petrobras ainda em 2018, durante a transição de governo.

Joaquim Silva e Luna, por sua vez, um general da reserva do Exército, foi o primeiro militar a assumir o cargo de ministro da Defesa, no governo do ex-presidente Michel Temer. Em 2019, ele se tornou presidente da usina binacional de Itaipu.

Antes disso, o general atuou como chefe de gabinete do comandante do Exército, entre 2007 e 2011, e chefe do Estado-Maior do Exército, entre 2011 e 2014, entre outros postos.

Silva e Luna é pós-graduado em Política, Estratégia e Alta Administração do Exército pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, e em Projetos e Análise de Sistemas pela Universidade de Brasília.

Queda de quase 8% nas ações

As ações da Petrobras fecharam o dia em forte queda, liderando as perdas do Ibovespa. A ação preferencial (PETR4) recuou 7,92%, enquanto o papel ordinário (PETR3) perdeu 6,63%. Acompanhe as cotações.

Comentando o caso em nota a clientes, o Goldman Sachs afirmou ver “a notícia como negativa para a empresa porque adiciona ruído à análise de investimento”.

“A gente não sabe até que ponto é discurso político para agradar determinadas classes ou interferência de fato na empresa”, comenta João Beck, da BRA Investimentos. “O mercado quer previsibilidade na própria política de reajuste. O que o mercado não quer e causa desconforto é a interferência política.”

Em relatório, a Levante Investimentos lembrou que Bolsonaro também havia ameaçado demitir o presidente do Banco do Brasil (BBAS3), André Brandão, após o banco ter anunciado um plano de fechamento de agências e de demissão voluntária.

“Os impactos de uma possível intervenção na Petrobras podem afugentar o capital estrangeiro para investimentos (…) se espalhar para em ativos nos setores de infraestrutura, energia elétrica e em todos os setores que há alguma regulamentação estatal mais firme, com consequências no médio e longo prazos”, afirmou a Levante no documento.

*Com informações do DW.

Redação do Jornal Grande Bahia
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