Precisamos atingir Lula na cabeça, dizem membros da ORCRIM que se formou no interior da força-tarefa do Caso do Lava Jato

“Precisamos atingir Lula na cabeça”, diz procuradora em novas mensagens da Lava Jato entregues ao STF, segundo a jornalista Mônica Bergamo. Também de acordo com a colunista, os investigadores da força-tarefa celebram ainda o fato de já terem atingido um ministro do STJ na operação.
“Precisamos atingir Lula na cabeça”, diz procuradora em novas mensagens da Lava Jato entregues ao STF, segundo a jornalista Mônica Bergamo. Também de acordo com a colunista, os investigadores da força-tarefa celebram ainda o fato de já terem atingido um ministro do STJ na operação.

A defesa do ex-presidente Lula apresentou nesta sexta-feira (12/02/2021), nova petição ao STF contendo fatos graves identificados nas mensagens da Spoofing. Entre os novos crimes praticados por Sergio Moro e os procuradores da força-tarefa está a ocultação de provas da inocência do Lula, inclusive com adulteração de termo de depoimento.

Além disso, as  mensagem mostram a escolha de alvos nas instâncias superiores e a “parceria” do Ministério Público com a juíza Gabriela Hardt, orientando e combinando o processo. Ainda, os diálogos trazem mais evidências da promíscua relação com autoridades norte-americanas para entregar provas e obter recursos da Petrobras.

Veja o conjunto das mensagens no slide abaixo.

Na fala, transcrita pelo escritório Teixeira Zanin Martins Advogados, que representa Lula, a procuradora Carol (Carolina Rezende) reafirma a constatação, agora evidente, de que o ex-presidente Lula foi o alvo central de Sergio Moro e da Operação Lava Jato, para atender objetivos políticos e econômicos.

Em uma das mensagens obtidas junto a Operação Spoofing ela afirma que “depois de ontem, precisamos atingir Lula na cabeça (prioridade número 1), pra nós da PGR, acho qu o segundo alvo mais relevante seria Renan“. Após colocar o “ministro mais novo do STJ”, a procuradora insiste que “aqueles outros (lula e Renan) temas pra nós hj são essenciais p vencermos as batalhas já abertas”.

Veja a mensagem a seguir

“Pessoal, fiquei pensando que precisamos definir melhor o escopo pra nós dos acordos que estão em negociação. Depois de ontem, precisamos atingir Lula na cabeça (prioridade número 1), pra nós da PGR, acho q o segundo alvo mais relevante seria Renan. Sei que vcs pediram a ODE [empreiteira Odebrecht] que o primeiro anexo fosse sobre embaraço das investigações. Achei excelente a ideia mas agora tenho minhas dúvidas se o tema é prioritário e se é oportuno nesse momento. Não temos como brigar com todos ao mesmo tempo. Se tentarmos atingir ministros do STF, por exemplo, eles se juntarao contra a LJ, não tenho dúvidas. Tá de bom tamanho, na minha visão, atingirmos nesse momento o min mais novo do STJ. acho que abrirmos mais uma frente contra o Judiciário pode ser over. Por outro lado, aqueles outros (lula e Renan) temas pra nós hj são essenciais p vencermos as batalhas já abertas”.

Provas de inocência sonegadas

A defesa do ex-presidente afirma ainda, na petição enviada ao STF nesta sexta-feira, baseada nos diálogos, que a Lava Jato “atuava não apenas com o objetivo de devassar e produzir qualquer coisa “contra Lula”, como também escondia “provas de sua inocência”.

Em uma das mensagens, procuradores da Lava Jato revelam que Paulo Dalmazzo, ex-diretor da Andrade Gutierrez, afirmara que Lula tinha feito uma palestra para a empresa e que saiu dela “ovacionado“. “Não botei o termo“, diz um dos procuradores que investigava palestras dada a empresas pelo ex-presidente.

A promíscua intimidade dos procuradores com o juiz Sergio Moro também é mais uma vez evidenciada nas mensagens. A procuradora Carol, em outra mensagem, escreve: “Coitado de Moro.. Não ta sendo fácil. Vamos torcer pra esta semana as coisas se acalmarem e conseguirmos mais elementos contra o infeliz do Lula“.

A troca de mensagens ocorreu no dia 5 de março de 2016, um dia depois de Lula ser conduzido coercitivamente para depor na Polícia Federal. Nos diálogos, obtidos pela Operação Spoofing de um hacker que invadiu celulares de autoridades, os procuradores falam ainda que, se tentassem “atingir ministros do STF” naquele momento, poderiam comprar brigas “com todos ao mesmo tempo”.

Redação do Jornal Grande Bahia
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