Petrobras perde R$ 100 bilhões em valor de mercado

EDISE, edifício-sede da Petrobras.
EDISE, edifício-sede da Petrobras.

As ações da Petrobras caíram mais de 20% nesta segunda-feira (22/02/2021), reduzindo em R$ 71 bilhões o valor de mercado da empresa petrolífera, em meio a temores de que o governo federal intervenha nos preços dos combustíveis.

Desde sexta-feira (19), quando o presidente Jair Bolsonaro interveio no comando da estatal, já são mais de R$ 100 bilhões de desvalorização.

Na sexta-feira, Bolsonaro indicou o general da reserva Joaquim Silva e Luna para o lugar do presidente da petrolífera, Roberto Castello Branco, que ocupa a presidência desde janeiro de 2019 e foi proposto a Bolsonaro pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, firme defensor da linha liberal e da não intervenção do Estado em assuntos econômicos.

A indicação feita por Bolsonaro ainda precisa ser referendada pelo Conselho de Administração da Petrobras, que se reúne nesta terça-feira.

A Justiça deu 72 horas para Bolsonaro explicar a sua intenção de substituir o presidente da petrolífera. A decisão foi tomada pelo juiz André Prado, da 7ª Vara Federal de Minas Gerais, em resposta a uma ação movida por dois advogados contra a troca no comando da petrolífera.

CVM investiga intervenção

Após o anúncio da troca, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu uma investigação. Como a Petrobras é listada em Bolsa de Valores, uma decisão como essa deve ser comunicada ao público por meio de fato relevante, o que não aconteceu.

Economistas criticaram a decisão, pois ela pode afastar investidores das empresas brasileiras. Outros acusaram o governo de populismo e compararam a intervenção de Bolsonaro a medidas adotadas pela ex-presidente Dilma Rousseff.

Em meio à turbulência no mercado financeiro, a Bolsa de Valores de São Paulo registrou queda de 4,87% nesta segunda-feira.

Alta dos combustíveis

Bolsonaro começou a expressar seu descontentamento com a gestão da Petrobras há duas semanas, após aumentos nos preços dos combustíveis levarem os sindicatos dos caminhoneiros a ameaçarem com uma greve semelhante à realizada em maio de 2018, que paralisou o país durante onze dias, com grave impacto econômico.

A Petrobras argumentou que o aumento dos preços dos combustíveis, da ordem de 30% este ano, se deve ao comportamento dos mercados internacionais e à desvalorização do real frente ao dólar.

Bolsonaro não gostou das explicações. A gota d’água para o presidente foi o reajuste de quinta-feira, o quarto no ano, de 15,1% no diesel e de 10,2% na gasolina.

*Com informações do DW.

Redação do Jornal Grande Bahia
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