O papel da Universidade Moderna 1 | Por Joaci Góes

A paisagem urbana de Shenzhen resulta de sua economia vibrante, possibilitada por rápido investimento estrangeiro após a instituição da política de "reforma e abertura" em 1979. A cidade é um destacado centro de tecnologia global, denominado pela mídia como o ‘Vale do Silício da China’.
A paisagem urbana de Shenzhen resulta de sua economia vibrante, possibilitada por rápido investimento estrangeiro após a instituição da política de "reforma e abertura" em 1979. A cidade é um destacado centro de tecnologia global, denominado pela mídia como o ‘Vale do Silício da China’.

Aos caros amigos Dil Araújo Almeida e George Gurgel!

A partir do início da sociedade do conhecimento, na década de 1970, o papel das Universidades, junto aos seus povos, vem evoluindo para constituir o principal vetor do desenvolvimento das regiões onde operam. Como prova dessa verdade palmar, podemos tomar cada um dos países, mundo civilizado afora.  O tipo de avanço experimentado por esses povos mais desenvolvidos, bem como por suas respectivas regiões, expressa a natureza e a qualidade do aparelho universitário aí sediado, como tem sido assoalhado pelos estudos acadêmicos de pesquisadores de nomeada, como Solow, Denison, Kendrick, Jogerson, Malinvaud, Castells, Gunasekaran, Vincent-Lancrin e tantos outros. Embora não se possa definir, aprioristicamente, qual deva ser o foco de cada núcleo universitário, por essa definição depender de um conjunto de condições naturais, sociais e econômicas autóctones, algumas atribuições são de preceito, sendo a mais importante delas a formação do capital humano requerido para produzir ou transferir as tecnologias eleitas para serem implementadas. Atividades de pesquisa, mediante a mobilização de investigadores qualificados, próprios e alocados, de recursos públicos e privados e a realização de parcerias com entidades criativas e motivadas, figuram, em caráter permanente, na pauta de prioridades.

No plano da tecnologia de ponta, o caso mais conhecido e mais antigo, do gênero, é o do Vale do Silício, desenvolvido a partir da estreita colaboração dos setores produtivo e inventivo  com as melhores universidades da Califórnia, nos Estados Unidos, com as de Stanford e de Berkeley à frente. O caso recente que emerge como o mais impressionante é o de Shenzhen, cidade chinesa da província de Guangdong, integrante da megalópoles do Delta do Rio das Pérolas, nos limites com Hong-Kong, admirável cidade Estado cujo PIB já ultrapassou, passando a ocupar o terceiro lugar, depois de Xangai e Pequim. Explica-se porque sua Bolsa de Valores já é a 8ª do Planeta. Shenzhen, hoje o mais vibrante centro tecnológico do Mundo, apelidada o Vale do Silício da China, evoluiu, em quatro décadas, de um povoado para um dos maiores centros urbanos, oscilando, entre doze e vinte milhões de habitantes, somados os permanentes e os temporários, graças à sua designação, por Deng Xiaoping, em 1988, para ser uma ZEE – Zona Econômica Especial, para operar como campo experimental do capitalismo, em consonância com as regras da economia de mercado, típica das sociedades abertas. Como acontece com muita coisa na China, Shenzhen, graças aos centros tecnológicos que dão suporte científico aos três pilares de sua economia – alta tecnologia, finanças, logística e cultura -, vem liderando e encantando a área de tecnologia de ponta.

Apesar da excepcional qualidade do ensino aí ministrado, predomina a insatisfação racional materializada na crença em que ainda há muito o que fazer para elevar o superlativo padrão já alcançado. Compare-se essa postura perfeccionista, meritocrática e redentora com a olímpica indiferença da sociedade brasileira diante do nosso baixo nível educacional, do fundamental ao superior.

Como parte da estratégia do desenvolvimento de Shenzhen, figuram o valor de suas exportações e as compras feitas na economia interna, como mecanismo de promoção do consumo doméstico, encarado, também, como fator de elevação da autoestima coletiva. O sistema universitário, pelo conjunto de suas características singulares, multiplica essas possibilidades.

É verdade, porém, que onde a burocracia emperra o envolvimento universitário com esses avanços, conforme numerosos e marcantes registros, o desenvolvimento tecnológico vem se processando fora do ambiente acadêmico, ensejando, até, sugestões de extinção do ensino superior.

 Em que posição se encontra o sistema universitário brasileiro, diante das necessidades das diferentes regiões do País, em contexto de tamanho dinamismo? E a alma mater, UFBA, o que tem feito para o desenvolvimento da Bahia? É o que analisaremos nos próximos artigos.

*Joaci Fonseca de Góes, advogado, jornalista, empresário e político.

Leia +

O papel da Universidade Moderna, 2 | Por Joaci Góes

Redação do Jornal Grande Bahia
Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 106592 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]