Militares tomam o poder em Mianmar e prendem Suu Kyi; Política é conselheira de Estado do Mianmar e Nobel da Paz

Aung San Suu Kyi, conselheira de Estado do Mianmar e Nobel da Paz.
Após prender líder civil democraticamente eleita, a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, Exército declara estado de emergência por um ano e assume o controle do país asiático. Líderes internacionais condenam golpe militar. Após golpe, soldados bloqueiam via que leva ao Parlamento na capital de Mianmar, Naypyidaw.

Militares de Mianmar tomaram o poder nesta segunda-feira (01/02/2021) num golpe contra o governo democraticamente eleito de Aung San Suu Kyi, vencedora do Nobel da Paz, que foi detida juntamente com outros líderes do partido no poder no país asiático. A União Europeia (UE), os Estados Unidos, a ONU e outros países condenaram o golpe militar.

O Exército, que afirmou ter efetuado as detenções em resposta a uma suposta fraude eleitoral, impôs estado de emergência por um ano e entregou o poder ao chefe das Forças Armadas, Min Aung Hlaing. Os militares evocaram os poderes que lhes são atribuídos pela Constituição, redigida pelo Exército, permitindo-lhes assumir o controle do país em caso de emergência nacional.

O golpe mina anos de esforços apoiados pelo Ocidente para estabelecer a democracia em Mianmar, onde a vizinha China também exerce grande influência.

Os militares tomaram o poder horas antes da primeira seção parlamentar desde a vitória esmagadora da Liga Nacional pela Democracia (NLD, na sigla em inglês) nas eleições gerais de 8 de novembro passado, consideradas um referendo sobre o governo democrático de Suu Kyi. Ela ocupava o cargo de conselheira de Estado, semelhante ao de primeiro-ministro, desde 2016.

As conexões de telefone e internet na capital, Naypyitaw, e em Yangon, centro comercial do país, foram interrompidas, e a televisão estatal saiu do ar depois de Suu Kyi, o presidente Win Myint e outros líderes da NLD terem sido detidos nas primeiras horas da manhã.

Após o golpe, forças de segurança bloquearam ruas e passaram a vigiar as residências de parlamentares na capital, proibindo os moradores de deixarem suas casas, disseram legisladores.

Tensões pós-eleição

As detenções e a tomada de poder pelos militares ocorreram após tensão crescente entre o governo civil e os militares devido à eleição de novembro, na qual o partido de Suu Kyi obteve 83% dos votos. Foi a segunda eleição no país desde que um junta militar concordou em compartilhar o poder, em 2011, após décadas de ditadura militar.

Os militares denunciaram irregularidades no pleito, mas a Comissão Eleitoral de Mianmar negou que tenha havido qualquer fraude eleitoral.

Numa página verificada da NLD no Facebook foi publicado um comunicado supostamente escrito em antecipação ao golpe, citando Suu Kyi como dizendo que ações do Exército colocariam Myanmar “de volta sob uma ditadura”.

“Exorto as pessoas a não aceitarem isto, a responderem e a protestarem de todo coração contra o golpe dos militares”, cita o texto. A agência de notícias Reuters afirma que não conseguiu confirmar a veracidade do comunicado com a NLD.

*Com informações do DW.

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